25 de novembro de 2007

Páteo das Cantigas!



De facto, houve uma imagem que na Angola colonial nunca mais me saiu da retina...Creio que no Lobito, numa viagem presidencial do cabeça de tarro, na altura o Deus Tomás,(que felizmente para o Mark Twain nada tinha a ver com a figura do Pai Tomás, o da Cabana)...Mas dizia eu, o Tomás que ia no "Principe Perfeito" foi recebido no cais por um rancho folclórico, com os pretos todos vestidos como se na praia da Nazaré estivessem, e curiosamente a dançararem o vira do Minho...Enfim uma imagem de facto no minimo degradante quando o mais alto dignitário do País, que descolonizou mal(!!!), tinha estas aberrações no tempo em que colonizava bem!!! O "cabeça de tarro" deve ter dito á chegada, o que dizia invariável mente: ´"esta é a primeira vez em que estou aqui desde a ultima em que cá tinha estado".O caricato dessa situação foi mesmo quando há noite, lhe foi oferecido um sarau de ginástica num clube do Lobito, onde a plurriacilidade era evidente,mas com o pequeno senão de não deixarem entrar pretos nas suas instalações...Refiro-me ao" Lobito Sports Clube", que a par do Tamariz, imitavam o Flórida no Lubango, o Clube dos Caçadores e o Clube Naval em Luanda, o Recreativo no Uíge, o Clube dos Caçadores em Benguela e tantos outros por Angola na restrição à entrada de pretos... Posso lembrar que a Paris, a Versalhes e a Royal, em Luanda,só depois da liberdade de Abril de 1974 começaram a tolerar a entrada de miscegenados e pretos.De facto Portugal era do Minho a Timor um verdadeiro " Pateo das Cantigas", ou melhor muita gente acreditava que sim!!! Poupem-me, ou então o único que estava certo naquele filme era mesmo o Vasco Santana, enquanto andava atrás do candeeiro.Para os portugueses que viviam em Angola, ou luso-descendentes, na quase generalidade vivia-se em Angola um pouco a situação do "pateo das cantigas"..tudo se resumia ao arco..daí para fora era perfídia, era o demo, era o escuro dos muitos que queriam só destruir aquele lugar de paz, cantigas, harmonias e alguns amores trocados.A loja do Evaristo era bem a síntese do fubeiro do mato,onde se vendia desde óleo de linhaça a linhaça para óleo,discos do Teixeirinha,Gabriel Cardoso, Rui de Mascarenhas e outros, açúcar mascavado e sarro de pipa com água, que toda a gente se atrevia a chamar vinho... Era essa a imagem do que nós vivíamos e não temos de nos envergonhar e assumir que vivíamos iludidos no meio de tanto odor e também algum torpor.Colocavam-se capelinhas a santos e santas devotas, faziam-se corridas de motas e automóveis de voltas,concursos de misses, escolhidas entre brancas mais ao menos ao jeito da costureira do quadro da "Canção de Lisboa", enfim muita graça no meio de tanta desgraça.Sei que quem me está a ler, está danado comigo, mas também sei que sabem que eu sei que tenho a razão toda do meu lado. Por tudo isto continua a subsistir uma pergunta??? Era fácil fazer a descolonização??' Talvez fosse porque 96% da população do ultimo senso colonial era analfabeta, população branca incluída.82% viviam abaixo do limiar da pobreza, para além de outras referencias que poderia aqui dar, mas só dourariam a pílula da colonização que envergonha os governantes de Portugal de antes de Abril de 1974, os generais da "brigada do reumático" e os farsantes que eram ilibados em tribunais de "ballett roses" e outras coisas bem mais graves...Neste páteo a partir de certa altura deixei de gostar de estar, mesmo com sapatos polidos por engraxadores descalços, andrajosos e famintos, curiosamente pretos numa sociedade que se dizia multirracial...E nisso não mentiam, sapato para o branco,e pé descalço para o preto..Estranha forma de multiracialidade, educação cristã e são convívio entre as populações...
Fernando Pereira
13-05-2004 01:16

1 comentário:

Paula disse...

Ora, até que enfim que resolveste trasladar os textos "geniais" daquele lugar para um sítio público, gratuito e sem cadeados!
Beijo

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