“Enquanto há morte há
esperança”
Esta frase de Lampedusa serve de
título a uma crónica que desdesejaria ter alguma vez escrito.
No dealbar da invasão da Ucrânia
por parte do exército russo escrevi aqui que iria haver um povo e uma terra
sacrificada e esses seriam os ucranianos e a Ucrânia. Tudo o resto são os
habituais “danos colaterais”, um devaneio semântico que os americanos nos foram
habituando nas suas múltiplas intervenções ao nível global ao longo dos anos,
com assassínios em massa!
Os ucranianos estão completamente
sós a verem as bombas a caírem-lhe em cima, e talvez seja altura de perguntar
porque é que não houve esforços suficientes para que não se chegasse a esta
situação, e as que aí virão com consequências inevitavelmente piores.
Vamos assistindo ao cinismo
habitual das circunstâncias, um desfilar de solidariedades que o tempo revelará
muito ténues, e um espetáculo soez de manipulação entre desgraça e morte.
Churchil, uma das figuras marcantes da política inglesa do século XX disse que
“em tempos de guerra a verdade é tão preciosa que precisa de ser protegida por
uma muralha de mentiras”.
O futuro de ontem vai ser
diferente do futuro de amanhã e o que vamos assistir é ao desmoronar das
ideologias, o crescimento da xenofobia e o polvilhar de nacionalismo serôdios
que irão mostrar que o mundo vai ser menos tolerante e equilibrado.
Em vez de se buscarem
oportunidades para a paz, continua-se num frenesim armamentista que
dificilmente irá melhorar o que quer que seja, e quando se chegar ao tempo de
reconstrução de uma Ucrânia dilacerada e destruída aí virão os de sempre a
enviarem ajuda que vai parar a engordar organizações obesas tipo ONU e ONGs na
sua quase totalidade.
Quando em 2001 o Afeganistão se
livrou dos talibãs os EUA pegaram em Hamid Karzai para estabelecer um regime
democrático. A comunidade internacional achou que o país precisava de ajuda
internacional. Logo chegaram a Cabul uma horda de representantes da ONU, e uma
miríade de ONGs com uma legião de trabalhadores humanitários em jactos privados
e acampamentos dignos das mil e uma noites.
No Afeganistão entraram milhares
de milhões de dólares e antes de reconstruir os escombros em que estava o País,
que continuou até ao recente regresso dos talibans, sem escolas, hospitais e
outros serviços públicos importantes para a generalidade dos afegãos. A
primeira fatia do dinheiro foi, pasme-se, para contratar uma linha aérea para
transportar funcionários da ONU e outros funcionários internacionais de um lado
para o outro. Contrataram-se professores e burocratas anglófonos para apoiarem
o trabalho (?) desses funcionários, pagando ordenados de luxo para o nível
afegão. Retiraram-nos de um esforço de apoio colectivo a comunidades para
fazerem serviços que se revelaram dispensáveis e aumentaram os níveis de
corrupção, que os talibans exploraram para o seu regresso ao poder.
A título de exemplo, num distrito remoto do
Afeganistão esses funcionários promoveram
a construção de abrigos, com ajuda de fundos da comunidade internacional.
Ismail Khan, governante do novo poder afegão era o líder de um cartel de
camionagem que transportou uns desadequados barrotes de madeira, que pouco mais
serviram que para lenha. Dos milhões prometidos a essa comunidade, a
distribuição foi esta: 20% foram retidos para cobrir as despesas da sede da ONU
em Genebra, do restante foi distribuído por 3 ONGs em lotes de 20% tendo uma
delas construído com esse dinheiro a sua sede em Bruxelas. O que restou foi
pago a Khan para comprar os barrotes no Irão. Ainda chegou alguma coisa, muita
sorte tiveram os aldeões, algo que outros não o podem dizer.
Isto que aconteceu no Afeganistão
não é caso virgem, e segundo estudos e relatórios sobre fraudes destas
distribuições de fundos internacionais, apenas entre 10 e 20% dos fundos
atribuídos chegam ao destino. Perde-se o resto por tantos “humanitários”, ONGs
e ONU por todo o mundo, e pela corrupção gerada pela gestão destes fundos!!
Este será só um dos filmes que se
espera na Ucrania?
Como diria John Lennon: “Lutar
pela paz é como fazer amor pela virgindade”!
Para não esquecer porque estamos
em Abril. 25 de Abril de 1974 SEMPRE!!
Fernando Pereira
11/4/2022
1 comentário:
sempre a América causadora das guerras, nem uma palavra para justificar a barbárie de Putin...
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