4 de abril de 2007

Colonialisticamente africando e rindo!



Portugal em África




Em "O Esplendor de Portugal", Lobo Antunes define o labirinto crítico da situação política e econômica da colonização portuguesa em África, através da voz de uma das personagens evocadas pela filha:

O meu pai costumava explicar que aquilo que tínhamos vindo procurar em África não era dinheiro nem poder mas pretos sem dinheiro e sem poder algum que nos dessem a ilusão do dinheiro e do poder que de facto ainda que otivéssemos não tínhamos por não sermos mais que tolerados, aceites com desprezo em Portugal, olhados como olhávamos os bailundos que trabalhavam para nós e portanto de certo modo éramos os pretos dos outros da mesma forma que os pretos possuíam os seus pretos ainda em degraus sucessivos descendo ao fundo da miséria, aleijados, leprosos, escravos de escravos, cães, o meu pai costumava explicar que aquilo que tínhamos vindo procurar em África era transformar a vingança de mandar no que fingíamos ser a dignidade de mandar, morando em casas que macaqueavam casas européias e qualquer europeu desprezaria considerando-as como considerávamos as cubatas em torno, numa idêntica repulsa e idêntico desdém... (OEP, 255)

15 de março de 2007

Farto de Salazar





Este texto é do meu amigo António Ferreira, ilustre advogado da Guarda, campeão de xadrez, brilhante cozinheiro, bom companheiro, e que me autorizou a publicá-lo, depois de o ter publicado no Jornal "O Interior".


As caricaturas são do João Abel Manta


Karipande



Farto do Salazar
Continuo a ler, por aqui (por exemplo Alves Ambrósio) e por aí, textos sobre Salazar. Ouço notícias sobre um museu em Santa Comba Dão, descubro sites na Internet sobre o personagem (por exemplo em http://www.oliveirasalazar.org/), falam-me de truques utilizados pelos seus admiradores para levar incautos a votar nele na eleição do “maior português de sempre”. Do lado dos detractores vejo manifestações em Santa Comba Dão, ouço denunciar o branqueamento da figura do ditador.
É verdade que, para todos os efeitos, Salazar esteve no poder durante muito tempo, uma vergonha de tempo. Habituados hoje a ouvir falar de alternância no poder, fomos obrigados, como nação, a contentar-nos com o mesmo chefe de governo durante trinta e seis anos – e não contabilizo o tempo em que ele pensava que ainda era primeiro-ministro (entre 1968 e a data da sua morte, em 1970) ou ministro das Finanças (entre 1928 e 1932). Se o fizesse, teria de dizer que esse homem nos governou durante mais de quarenta anos. Acham isso normal? Eu não e interpreto o silêncio sobre ele das últimas décadas, especialmente a partir dos anos 80, como um recalcamento colectivo, uma generalizada manifestação de vergonha pela nossa tão longa passividade.
Irrita-me sobretudo é que se louve a figura porque no seu tempo havia “respeitinho”, coisa que não haverá agora. E irrita-me essa ignóbil palavrinha porque não passa de uma máscara para outra, ainda pior: subserviência. Dizem também, o que é ainda mais irritante, que dantes não havia a corrupção, a dissolução de costumes, a criminalidade que há hoje. Pelo menos, e aí dou-lhes razão, não apareciam nos jornais. É que, como dizia o próprio António de Oliveira Salazar, na inauguração do Secretariado Nacional da Informação: "Politicamente, só existe aquilo que o público sabe que existe." Por isso havia, caso não se recordem, censura prévia a tudo o que era publicado. Podia haver gigantescos apitos dourados, suculentos escândalos sexuais, milhares de funcionários corruptos, que o público não sabia nem tinha meios de saber. É por isso especialmente grotesco o argumento de que esses tempos tinham um qualquer tipo de predomínio moral sobre os nossos. É um duplo branqueamento: o da censura e o da baixeza ética própria de um regime ditatorial.
De resto, há é que recordar números e factos e comparar o pais de hoje com o do antigamente. Sugiro, por exemplo, os dados sobre mortalidade infantil, pobreza, esperança de vida, nível de protecção da segurança social, percentagem de casas com electricidade, água canalizada, saneamento básico, telefone, televisão, frigorífico. Verifiquem ainda as percentagens de analfabetismo (e dou de barato que quem acabava a quarta classe de antigamente sabia de cor todos os rios, montanhas e estações de caminho de ferro do Minho a Timor), de abandono escolar, a distância a que estavam então de um serviço de urgência os que agora protestam contra o seu encerramento. E sugiro outra coisa: tentem recordar a última vez que viram na rua alguém descalço (e essas hippies malucas não contam).
Posto isto, acho muito bem o museu do Salazar. Sugiro é que coloquem lá, em lugar de honra e devidamente envernizada, a cadeira de que ele caiu em 1968. Essa é, muito provavelmente, a peça de mobiliário a que os portugueses mais devem nos oito séculos de história da nação.

Sugestões:
Uma viagem: à Coreia do Norte, que é o pais mais parecido com o Portugal do Salazar.
Um livro: A Independência de Portugal (Rafael Valladares, a esfera dos livros, 2006). Sobre a guerra que se seguia a 1640 e como Filipe IV descobriu à sua custa, e do seu reino, o significado de um antigo provérbio polaco: “o pai bateu ao filho não por ter perdido ao jogo, mas por ter tentado recuperar”.

Zé Povinho em capa de "Os Ridículos"/1974


João Abel Manta

colono
Missionário
Império e dignificação das populações locais

Guerra (quase) colonial

João Abel Manta

João Abel Manta
Nasceu em 1928.Filho dos pintores Clementina Carneiro de Moura e Abel Manta, diplomou-se em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1951. Tem desenvolvido intensa actividade não só como arquitecto, mas também como pintor, cenografista e artista gráfico (cartaz, filatelia, ilustração e "design" de livros, jornais e revistas).É considerado o melhor cartoonista português deste século, na senda de Rafael Bordalo Pinheiro, Stuart Carvalhais e Leal da Câmara, tendo publicado três livros em Portugal e um na Alemanha.Obteve vários prémios nacionais e estrangeiros: 1961, Prémio de Desenho na II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian; 1965, Medalha de Prata na Exposição de Artes Gráficas de Leipzig; e 1975, Prémio de Ilustração na Exposição de Artes Gráficas de Leipzig.


Este conjunto de caricaturas, pertencem a uma obra mais vasta de João Abel Manta, "Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar", editado pelo "Jornal" em Dezembro de 1977, tendo sido reeditado recentemente pelo "Campo das Letras, Editores".


10 de Junho
Avião
Caçadores

Colonialismo e guerra colonial

Ah Diogo! Ah Cão! Em que deZaire pretendes colocar o teu padrão? El-rei morreu. As naus de clarear são agora de um povo nosso irmão.
Dispensámos as balas e os escravos e mais para diante navegámos. Negreiros não. Dissemos sim aos cravos. O mar não dói. E a terra não tem amos.
Ah Diogo! Ah Cão! Que resultadoesperavas deste povo a ver morrero seu corpo na farda de soldado?
Esta Nau do futuro há-de vencer! Mas há cães que só ladram o passado porque o presente é duro de roer!
Joaquim Pessoa

Américo Tomaz

E dizia o Américo Tomás ao inaugurar a fábrica Riopele, que tinha como inovação, um refeitório para os trabalhadores:
-So tenho um adjectivo para qualificar aquilo que vi: Gostei!!!


Um anuncio de graça

Poema Temperamental
Ó caralho! Ó caralho!Quem abateu estas aves?Quem é que sabe? quem éque inventou a pasmaceira?Que puta de bebedeiraé esta que em nós se vemjá desde o ventre da mãee que tem a nossa idade?Ó caralho! Ó caralho!Isto de a gente sorrircom os dentes cariadosesta coisa de gritarsem ter nada na goelafaz-nos abrir a janela.Faz doer a solidão.Faz das tripas coração.Ó caralho! Ó caralho!Porque não vem o diabodizer que somos um povode heróicos analfabetos?Na cama fazemos netosporque os filhos não são nossossão produtos do acasodesde o sangue até aos ossos.Ó caralho! Ó caralho!Um homem mede-se aos palmosse não há outra medidae põe-se o dedo na feridase o dedo lá for preciso.Não temos que ter juízoo que é urgente é ser loucoquer se seja muito ou pouco.Ó caralho! Ó caralho!Porque é que os poemas dizemo que os poetas não querem?Porque é que as palavras feremcomo facas aguçadascravadas por toda a parte?Porque é que se diz que a arteé para certas camadas?Ó caralho! Ó caralho!Estes fatos por medidaque vestimos ao domingotiram-nos dias de vidafazem guardar-nos segredose tornam-nos tão cruéisque para comprar anéisvendemos os próprios dedos.Ó caralho! Ó caralho!Falta mudar tanta coisa.Falta mudar isto tudo!Ser-se cego surdo e mudoentre gente sem cabeçanão é desgraça completa.É como ser-se poetasem que a poesia aconteça.Ó caralho! Ó caralho!Nunca ninguém diz o nomedo silêncio que nos matae andamos mortos de fome(mesmo os que trazem gravata)com um nó junto à garganta.O mal é que a gente cantaquando nos põem a pata.Ó caralho! Ó caralho!O melhor era fingirque não é nada connosco.O melhor era dizerque nunca mais há remédiopara a sífilis. Para o tédio.Para o ócio e a pobreza.Era melhor. Com certeza.Ó caralho! Ó caralho!Tudo são contas antigas.Tudo são palavras velhas.Faz-se um telhado sem telhaspara que chova lá dentroe afogam-se os moribundosdentro do guarda-vestidosentre vaias e gemidos.Ó caralho! Ó caralho!Há gente que não faz nadanem sequer coçar as pernas.Há gente que não se importade viver feita aos bocadoscom uma alma tão mortaque os mortos berram à portados vivos que estão calados.Ó caralho! Ó caralho!Já é tempo de aprenderquanto custa a vida inteiraa comer e a bebere a viver dessa maneira.Já é tempo de dizerque a fome tem outro nome.Que viver já é ter fome.Ó caralho! Ó caralho!Ó caralho!
Joaquim Pessoa

Artur Agostinho com roupagem nova (1974)


Alcacer talvez sequer





"Foi então que topámos com um grande aparato militar de castelhanos protegendo uma tenda alumiada de barraca de feira, centenas de estandartes, bandeiras e cozinhas de campanha, cirurgiões que amolavam bisturis e ilusionistas que divertiam a tropa, e uma sentinela que nos informou que o rei Filipe se reunia com os seus marechais na rulote do Estado-Maior a combinar a invasão de Portugal, porque D. Sebastião, aquele pateta inútil de sandálias e brinco na orelha, sempre a lamber uma mortalha de haxixe, tinha sido esfaqueado num bairro de droga de Marrocos por roubar a um maricas inglês, chamado Oscar Wilde, um saquinho de Liamba."


"Esperámos, a tiritar no ventinho da manhã, o céu de vidro das primeiras horas de luz, o nevoeiro cor de sarja do equinócio, os frisos de espuma que haveriam de trazer-nos, de mistura com os restos de feira acabada das vagas e os guinchos de borrego da água no sifão das rochas, um adolescente loiro, de coroa na cabeça e beiços amuados, vindo de Alcácer Quibir com pulseiras de cobre trabalhado dos ciganos de Carcavelos e colares baratos de Tânger ao pescoço, e tudo o que pudemos observar, enquanto apertávamos os termómetros nos sovacos e cuspíamos obedientemente o nosso sangue nos tubos do hospital, foi o oceano vazio até à linha do horizonte coberta a espaços de uma crosta de vinagreiras, famílias de veraneantes tardios acampados na praia, e os mestres de pesca, de calças enroladas, que olhavam sem entender o nosso bando de gaivotas em roupão, empoleiradas a tossir nos lemes e nas hélices, aguardando, ao som de uma flauta impossível que as vísceras do mar emudeciam, os relinchos de um cavalo impossível."

Um retornado. Muitos retornados. Um país. Uma recusa. Mútua. Uma História.

AS NAUS de António Lobo Antunes

Semanário " Os Ridículos" 8/8/74




"AS Naus" de António Lobo Antunes
"Nunca encalhei, no entanto, em homens tão amargos como nessa época de dor em que os paquetes volviam ao reyno repletos de gente desiludida e raivosa, com a bagagem de um pacotinho na mão e uma acidez sem cura no peito, humilhados pelos antigos escravos e pela prepotência emplumada dos antropófagos."

"a minha família de queixo amarrado em moedas de prata nas órbitas a fitar-me com reprovação, Este é o que foi para Luanda morar no meio dos pretos em lugar de explorar uma tabacaria na Venezuela ou um escritório de transportes na Alemanha, este é o que montou um comércio de talhante nos museus que, vendia costelas aos cafres, fez um filho a uma mulata, habitava um prefabricado da Cuca, nem um coche, nem um batel possuía, aos domingos espojava-se na sala de calções, a ouvir relatos de futebol e a comer merda da sanzala (...)";

"(...) o governo desocupou o hospital de tuberculosos que passaram a tossir nos jardins públicos hemoptises cansadas, e vazou nas enfermarias de muros de cenas de guerra e de actos piedosos, impregnados pelo torpor da morte dos desinfectantes, dos colonos que vagavam à deriva, de trouxa sob o braço, nas imediações dos asilos, na mira de restos de sopa do jantar.";

"Os pretos tomaram conta disto tudo, instalaram ninhos de metralhadoras jugoslavas nas arcadas, assassinaram-se uns aos outros a tiros de canhão, iam e vinham da mata açudados por vinganças sangrentas. O porto encheu-se de canoas e galés, destinadas a carregarem de volta o azedume dos colonos, as cabanas da ilha esvaziaram-se (...)".

Super Manos

Não acredito, que este anuncio de 1974/75 estivessem os manos Portas...Penso que quem tem a ver com electrodomésticos é o pouco doméstico, aliás nada doméstico presidente da Camara Municipal de Gondomar...Garantiram-me que eram mesmo os manos Portas, pelo que desconfiadamente assim reproduzo.

14 de outubro de 2006

25 de Abril em Luanda em 1979


A Associação 25 de Abril encarregava-se de todos os anos comemorar a data em Luanda.Fica aqui o cataz das comemorações em 1979.
Para os muitos que fizeram erguer esse espaço de liberdade ali nas traseirinhas da livraria Lello, num prédio de traça colonial antiga, a gratidão de quem por lá viveu momentos de solidariedade e de vida democrática.
Fernando Pereira

26 de setembro de 2006

Cartazeando!


O cartaz dispensa, logo existe.
Na Republica Popular de Angola, que ainda descaminhava para uma híbrida republica ( igual a tantas outras) de Angola, ia havendo uns cartazes que incentivavam a prole a engajar-se na dinamica da Revolução.
Nesses tempos de contidos maus hábitos, que o mercado colocou na montra, sem ter de recorrer a saldos, mas dizia eu, nesses tempos de contidos maus hábitos, as coisas iam correndo como qualquer revolução podia correr em Angola...Com toda a calma do mundo, e sem horários para que as coisas pudessem suceder.
Desses tempos algo airosos sobrou a memória e os cartazes, que aqui coloco porque também eles fazem parte da História de Angola.
Karipande

PS:Para além do cartaz vai um pequeno postal com a poesia do saudoso David Mestre, e com o fundo desenhado pelo António Ole, numa emissão comemorativa do Festival Internacional de Estudantes em Havana/ Cuba 1978. O cartaz é alusivo ao 14 de Abril, dia da Juventude Angolana

24 de setembro de 2006

Mercado do Caponte



Fotos de Luanda do antanho!





Aqui vão mais um conjunto de desenhos de uma Luanda que não conseguiu resistir ao camartelo.
Rua Pereira Forjaz,Rua Paiva de Andrade, Antiga Travessa da Sé e Rua António C. Cunha, são algumas partes aqui referenciadas nestes desenhos.
Vou tentar que se comece aqui um debate sobre a arquitetura das cidades de Angola, para também aqui tentar desmistificar as "diferenças do bom colonialismo português"
Um abraço
Fernando Pereira

Fotos de Luanda do antanho!

A verdadeira cidade alta





Agradeço à UNAP (União Nacional dos Artistas Plásticos) este cojunto de postais! Aqui seguem três desenhos de C. Ferreira, sobre a Calçada de Santo António.Espero que vos ajude a perceber a Luanda de outros tempos, para provávelmente "desentenderem" o que em termos urbanísticos se passou desde então!

18 de setembro de 2006

Branca e radiosa ia a noiva!


Acredite se quiser


Instruções e conselhos para a jovem noiva
Em 1894
Ruth Smythers



Sobre como se conduzir e proceder nas relações íntimas e pessoais inerentes

Ao casamento, para uma maior santidade espiritual que deve acompanhar

Este abençoado sacramento, e para a glória de Deus.







Para a jovem e sensível moça que alcançou o privilégio de crescer e

Chegar ao casamento, devemos dizer que este dia é, ironicamente o mais feliz

E também o mais aterrorizante de sua vida. Do lado positivo,

há o casamento propriamente dito, no qual a noiva é o centro das atenções

De uma cerimónia bonita e comovente, cerimónia esta que simboliza

O seu triunfo em lhe assegurar um homem que lhe proverá todas

As suas necessidades pelo resto de sua vida natural.

Do lado negativo, está a noite de núpcias, durante a qual a noiva

Deve "pagar para ver", vulgarmente falando, ao se defrontar,

Pela primeira vez, com a terrível experiência do sexo.

Nesse ponto, cara leitora, deixe-me revelar uma verdade chocante.

Algumas jovens, na realidade, aguardam a noite de núpcias com um misto

De curiosidade e prazer ! Cuidado com tal atitude !

Um marido egoísta e sensual pode facilmente tirar vantagem de tal noiva.

Nunca se esqueça de uma regra capital, para qualquer casamento:

dê pouco, raramente, e sempre de má vontade: do contrário,

O que tem tudo para ser um casamento feliz pode transformar-se

Numa orgia dos sentidos.

Por outro lado, o temor da noiva não deve ser extremo, porquanto o sexo,

Que, na melhor das hipóteses, é algo bastante doloroso, deve ser cultivado,

E o tem sido pela mulher desde o início dos tempos, e é recompensado

Pela união monogâmica e pelos filhos. A maioria dos homens, se não lhes for negado, desejam fazer sexo quase todos os dias. A noiva sábia deverá permitir

Um máximo de duas rápidas relações sexuais por semana durante

Os primeiros meses do casamento. À medida que o tempo passar,

Ela deve envidar esforços para reduzir tal frequência. Doenças simuladas,

insónia e dores de cabeça são os melhores aliados de uma esposa quanto a isso. Argumentos, apoquentações, repreensões e questionamentos também são

Muito eficazes, se usados tarde da noite, cerca de uma hora antes

De o marido normalmente começar sua sedução.


As esposas inteligentes devem estar sempre alerta e cientes de novas

E melhores maneiras de negar e desencorajar as aproximações amorosas

De seus maridos. Uma boa esposa deve reduzir as relações sexuais ao mínimo.

O ideal é uma só por semana ao fim do primeiro ano de casamento

E uma por mês ao fim do quinto ano.

Ao redor do décimo ano de casamento, muitas mulheres já completaram a sua prole

E atingiram o objetivo final de terminar todo e qualquer contato com seus maridos. Nessa época, ela deve fazer do seu amor pelos filhos e das pressões sociais elementos eficazes que mantenham o marido em casa.

Como já mencionamos anteriormente, a mulher, além de se manter alerta

Quanto a ter o mínimo de relações sexuais possíveis, deve também prestar

Muita atenção em limitar a espécie e a qualidade das relações sexuais.(..)

A mulher inteligente terá por objetivo nunca deixar que o marido a veja despida,

Nem que este se apresente despido. Praticar sexo, quando este não puder

Ser evitado, só em total escuridão. Muitas mulheres acham muito útil

Usar uma pesada e grossa camisola de algodão e providenciar pijamas para o marido, e não tirá-lo durante o ato sexual. Assim, um mínimo de corpo ficará exposto.

Uma vez que a noiva tenha colocado a sua camisola e apagado todas as luzes,

Ela deve deitar-se quieta e placidamente ao longo da cama e esperar pelo noivo.

Não deve fazer qualquer ruído que possa, na escuridão, orientá-lo em sua direção; caso contrário, ele poderá interpretar isso como um sinal de encorajamento.

Ela deve deixá-lo andar às apalpadelas no escuro. Existe sempre a esperança

De que ele venha a tropeçar e sofrer alguma lesão, que, por mais leve que seja,

Possa vir a ser usada como desculpa para negar qualquer contato sexual.

Quando ele a encontrar, ela deve permanecer tão imóvel quanto possível.

Qualquer movimento de sua parte pode ser interpretado como excitação sexual.

Se ele tentar beijá-la nos lábios, ela deve virar ligeiramente a cabeça de modo

Que o beijo alcance inocentemente as suas bochechas. Se ele tentar beijar-lhe

As mãos, ela deve mantê-las com os punhos fechados. Se ele levantar a sua camisola

E tentar beijá-la em qualquer outra parte do corpo, ela deve, imediatamente,

Puxar para baixo a sua camisola, pular da cama e anunciar que a mãe natureza

A chama ao banheiro. Isso, geralmente, amortecerá o desejo dele de beijá-la

Em territórios proibidos.


Se o marido tentar seduzi-la com conversas lascivas, a esposa inteligente repentinamente lembrar-se-á de perguntar-lhe alguma coisa trivial e não sexual. Uma vez obtida a resposta ela deve prosseguir a conversação,

não importando quão frívola ela possa parecer na ocasião. (...)


Ela deverá permanecer absolutamente calada ou falar sobre seus afazeres domésticos, enquanto ele realiza as manobras que o ato sexual requer(...)

Tão logo o marido complete o ato sexual, a mulher inteligente deverá começar

a aborrecê-lo com conversas sobre tarefas que ela quer que ele realize

no dia seguinte.

Muitos homens obtêm a maior parte de sua satisfação após a pacífica exaustão

que se segue ao ato. Sendo assim, a mulher inteligente deve assegurar-se

de que ele não tenha paz nesse período, pois, do contrário,

ele logo se achará tentado a querer um pouco mais. (...)


©Copyright Texto traduzido por Walter Cardoso Franco, publicado em Excerpta Feminina, Rio de Janeiro - Texto impresso pela Gráfica Orientação Espiritual da cidade de Nova York e publicado no ano de 1894. Escrito por Ruth Smythers, esposa de um pastor da Igreja Metodista Arcadiana da Congregação Regional Leste, Reverendo L. D. Smythers - Segundo o Bernardo.

25 de julho de 2006

Scolariedade Social


Bem!
Acabou o Campeonato do Mundo de futebol!
Propositadamente coloquei futebol com letra pequena, porque de facto foi um campeonato para esquecer tal a falta de qualidade do futebol apresentado. Embora seja um dos 13 melhores observadores do futebol mundial no activo (os outros 12 colegas meus estiveram na Alemanha a dar pontuações aos jogadores e a nomearem os melhores em cada jogo), não vou entrar em questões de natureza técnica,em aspectos tácticos, nem outras questões que me levaram a ser uma das maiores referencias do comentarismo europeu futeboleiro desde Finisterra a Vladivostock.
Hoje vou mesmo dizer que apesar de Angola jogar malzinho e ter uma equipa fraquinha conseguiu ser parecida com todas as outras, e disfarçar as insuficiencias que trouxe ao Mundial e que já eram visíveis no CAN.Podia ter feito como os portugueses que jogando poucochinho conseguiram através do Chico-espertismo chegar aos quartos.
Eu fui claro desde o início, pois sempre apoiei a selecção de Angola e apenas essa. Quando foi eliminada eu passei a olhar os jogos com pouco entusiasmo, embora tivesse um fraquinho pelo Gana, pois sempre era uma selecção africana.Quando o Gana acabou a sua participação fiquei sem preferencias e limitei-me a olhar as manifestações patrioteiras que aqui e ali iam pintalgando um ou outro local na Europa comunitária.
Digo sem qualquer tipo de reserva mental, que não tive simpatia particular por Portugal, por razões várias, que seriam fastidiosas de enumerar.Nem o facto de ter um jogador que é meu familiar próximo, me fez alterar a minha indiferença em relação ao seleccionado.
Durante toda a inundação de informação(???)que éramos obrigados a ter desde manhã até às quinhentas da noite, na maior concentração de mm2 por ecran de TV, fui-me lembrando de João Abel Manta.
E lembro o caricaturista JA Manta, filho do mestre Abel Manta,a quem recomendo uma visita à sua casa-museu em Gouveia, mas dizia, lembro João Abel Manta que em 1967(?) resolveu fazer esta caricatura de um Portugal isolado do mundo, decadente, com uma guerra colonial com tres frentes de combate, um país ainda mais triste que "o paraíso triste" que Saint Expury tinha descrito em 1942 quando por cá passou a caminho da sua morte.
Hoje como ontem as pessoas agarravam-se à sua selecção, e hoje como ontem uma santa no caminho dos portugueses, trazida por um Edir Macedo que só tem um detalhe suplementar: Talvez saiba de bola.
O IPSS (Instituto para a Promoção da Scolariedade Social)com um ordenado que era o 3º no ranking dos ordenados dos seleccionadores, resolve começar a insultar a esmo e até mesmo a bitaitear (verbo adaptado do léxico do Hernani Gonçalves)sobre questões que não lhe dizem respeito, perante o enxamear da bandeira do Partido Republicano, e que persiste desde 1910(Este pequeno detalhe tem um recado óbvio:Angola não tem nada que mudar bandeira nenhuma). Nas procissões em Portugal há o costume de colocar colchas nas janelas e varandas à passagem das santas e dos Santos, e de meninos vestidos de anjos e senhoras com um naperon na cabeça, mas esta das bandeiras só lembra mesmo ao triunvirato Portugal/BES/FPF, não chegando ao ponto do senhor Scolari dizer que "O que é bom para o BES é bom para Portugal".
Bem, fico-me por aqui, senão começo a falar muito mais da Scolaridade Social e desapetece-me mesmo.

1 de maio de 2006

O tema era :Vocês não viram nada em Angola


Dizia o meu amigo Rui Castro e Silva, cada vez que pássavamos em frente ao Tamar, ardido na altura, hoje recuperado, que havia um buraco no balcão já que todas as noites lá estava sempre no mesmo banco, com o mesmo copo na mão, anos e anos a fio...Quem se lembra de ver aquele decrépito espectáculo do Ary Lopes com a Glória Norton, e mais um conjunto de bailarinas brasileiras recrutadas algures na Goiânia, ou no sertão favelar do Rio de Janeiro...Mas o Tamar era o Tropicana de Luanda nos anos 60 e 70...um Tropicana doméstico, mas referencia para muitos soldados de patente média que ainda hoje das poucas recordações boas que guardam é precisamente o Tamar, ali onde a Xicala ainda era imberbe como praia.Ao lado era a Gruta, que em tempos terá tido outro nome e que tinha um bar americano com um pianista cheio de artroses nos dedos a tocar.Logo a seguir era o Sporting, que mantinha um bar misto de respeitabilidade,batota e umas raparigas algo verdes comparadas com a visinhança.Na ilha havia ainda o Marialvas, e julgo que o Estoril...ou o Marialvas era lá para cima para S. Paulo??' Depois o D. Quixote,na Rua Direita , numa casa lindíssima, que se transformou num espaço de grande procura dos "que na frente combatiam".Em cima perto do nosso liceu, o Embaixador, uma outra referencia na noite de Luanda e que nos levantava em pensamentos pecaminosos algo que só na adolescencia começávamos a levantar como adereço primeiro e com outras habilidades depois.Havia ainda o Copacabana, creio que ali para a Samba, que depois foi transformado em casa de fado, onde durante muitos anos pontificou a Maria José da Guia. No Xeque, ali para os lados dos Coqueiros, anunciava-se a "escultural Bia", que anos mais tarde, já depois da independencia, era a dilecta cozinheira da Casa do Desportista na ilha, onde nós tentávamos que ela nos arranjasse mais um pouco de pitéu nos difíceis anos 80!! Havia o Cheique mais ou menos no mesmo local do Cheque, o el Chicote na marginal, o Nina Bar, ao pé da estofadora do Carmo, a Floresta ao pé da Mutamba, paredes meias com a Cubata (aliás nome algo apelativo para esse tipo de casas,eheh) e muitas outras que iam alimentando ao longo dos anos os nossos mistérios e tempos mais tarde alguns misteres..
Temos tema??
Um abração
Fernando Pereira

Continuava a escrevinhar...





Pode parecer provocação...mas é uma constatação (não deixando de ter um salutar cunho provocatório)...
Ao longo destes tempos em que "vamos cantando e rindo" por aqui, não deixei de ficar surpreendido por não ter sido lembrado nenhum colega do Cazenga,do Sambizanga, do Marçal, do Mota, do Lixeira, do Catambor ou até de outros bairros, vulgo muceques de Luanda!!! Será que o nosso liceu só tinha gente da cidade do asfalto???Ou talvez a população desses bairros não gostasse de ver os filhos nas escolas (eheheheh)!!
Por estas e por outras é que podemos ir encontrando respostas para coisas que não se passaram da forma como muitos concordariam.
No ultimo fim de semana o aliado português do Samakuva, resolveu intervir sobre a descolonização...Do alto da sua "eloquencia", o Moderno Sacadura Cabral Portas, resolveu dar o mote...que alguns outros congressistas agarraram...sobre a "infame" descolonização!!
Era bom que se tivesse a elevação e o espirito saudável de discussão em democracia,e que se começasse a falar da história, que não começou apenas em 25 de Abril de 1974 e acabou em 11 de Novembro de 1975 .Sem demagogias, sem insultos, duma forma divergentemente serena, era importante que se falasse das coisas e não se mantivessem estigmas, alguns deles artificiais, relativos a certos temas.
À distancia de quase 30 anos , e com uma maior capacidade de análise fruto de experiencias,documentos e discussões publicas pode e deve debater-se tudo, sem alinharmos nos falaciosos argumentos comicieiros ou nas patéticas e surrealistas perversões de idolatrar certas figuras, como o menino Paulinho fez ´com grande hipocrisia no funeral de Maggiollo Gouveia
Sei que estou a ser "políticamente incorrecto", mas como gosto de debater, de aprender e de congregar esforços para que outras discussões, apareçam no sentido de ir adiando alguns sintomas de escleroses que o debate sério pode ajudar a protelar..

Dos bairros de hoje..

Sobre os musseques de hoje, podemos dizer com alguma propriedade que invadiram o asfalto...Em vez do asfalto aumentar para os musseques, eles quase engoliram o asfalto, por razões várias...e por isso Luanda é hoje um passo antes do caos em termos urbanísticos, de limpeza, de distribuição de água e electricidade. Mas tb é verdade e neste caso senão com bela, a própria cidade tornou-se mais garrida, mais sonora, mais conversadora e mais democratizável!!

Nenhum de nós deve expiar as culpas do colonialismo.Ng deve expiar essas culpas pq o sistema era de facto colonialista, e cada pesoa por si só servia os interesses do colonialismo instalado, mesmo que não se desse conta disso...Qto`ao que se diz da descolonização é um tema que não me apetece entrar por certas Portas, como de querer recuperar os Silva Portos, os Fifis, os Aleixos e por aí fora tão ao gosto do Matoso e quejandos!!!
Qto ao facto de se querer constituir uma célula M-L no Calhambeque, pode explicar o porquê de ter durado tanto o colonialismo, pois nunca vi nenhuma revolução começar com o patrocínio do With Horse ou um Rhum da Neto Costa (Pela aversão salazareira ao Havana Club).
Voltando ao tema e tendo em conta as belíssimas fotos de Loanda que temos aqui no site, alguém se questionou do que foi o caos urbanístico que sofreu a fase de "desenvolvimento" de Luanda???
Que aconteceu à magnífica baixa da cidade de Luanda???Restou a Rua dos Mercadores...Mas a envolvencia era lindíssima Que se fez ao magnífico edifício no Kinaxixe onde funcionavam os Serviços de Agricultura, ao pé da centenária mulembeira...onde nasceu aquele feio prédio da Cuca???Que se fez ao bonito edifício dos Serviços Pecuários??Pq é que com muito mau gosto se destruiu a fachada do palácio do Governador e a torre que tinha??Pq é que se demoliram os prédios da Rua Salvador Correia???E no bairro das Ingombotas?? E por aí fora!!!
Vcs lembram-se do Hotel Palace de Luanda??' E do Grande Hotel de Luanda??? E já agora numa de provocação...o Hotel Miradouro????
Um abraço
Fernando Pereira

Coisas que escrevinhava por aí.


Quem me tira uma discussãozita picante tira-me tudo!!!

Por acaso alguém sabia que qd se deu o 25 de Abril de 1974, Portugal tinha 32% de analfabetos,mais 47% que apenas sabia escrever o nome???e que Angola tinha 82% de analfabetos ?? E que Cabo Verde tinha 26% de analfabetos devido ao facto de ter sido o segundo território africano a ter ensino secundário??? Sabiamos em Angola que em Maio de 1968 houve uma "revolução em Paris", liderada por estudantes, e que alterou a configuração das referencias das mentalidades da Europa?? Sabíamos que em 1968 só houve duas sessões do filme "crime da aldeia velha" no cinema Restauração, pq o texto de Bernardo Santareno ilustrava o ultimo auto-de-fé em Portugal numa aldeia, nos anos 60???Sabíamos que o Feyenord se recusava a jogar no estádio da Luz, para a taça dos campeões Europeus pq o estádio estava decorado com publicidade ao "Café de Angola", tendo a UEFA mandado tapar para que o jgo se realizasse??Sabíamos a quantidade de desertores do exército?? Sabíamos que o Niassa levou com bombas para não transportar tropas??? Sabíamos pq se sentava Bob Denard em mesas ao nosso lado, no Arcádia em Luanda com a mona entrapada??Sabíamos que Sartre se recusou a receber o prémio Nobel???Sabíamos que Chalie Haiden foi posto sob prisão e expulso em 1972 pq no Festival de Jazz de Cascais cantou um hino aos movimentos de libertação??? Apercebemo-nos que o Concord em Luanda não colocou a bandeira de Portugal no avião, mas outra...???
Temos tema!!!!
Um abraço deste que vos provoca com elegancia
Fernando Pereira

Em tempos escrevi isto num site maioritáriamente de retornados

Meus caros

Tenho aqui falado um pouco sobre um conjunto de coisas,mas de facto certas pessoas gostavam de saber a minha opinião sobre outras...Eu sou angolano por opção, mas vivendo uma parte significativa do ano em Portugal, por razões que apenas a mim me dizem respeito, eu vou divagar sobre um tema recorrente aqui na sanzala relativo a José Eduardo dos Santos e outros dirigentes angolanos, ou figuras gradas da sociedade angolense actual.Não falo do que eles tem porque não sei, apesar de admitir que tenham bastante.
Angola herda do colonialismo o espírito do desenrasca,do amiguismo e das "luvas".Vamos a factos:Qtos chefes de posto no tempo colonial receberam dinheiro ou prendas de angariadores??'Porque é que não havia fiscalização às muitas cantinas e lojas do mato em Angola, onde a população se sentia enganada pelo Kg com 500g, ou o metro com 80cm...Não havia fiscais, nem as camaras tinham metorologistas ou aferidores???Nas estradas de Angola algum camionista se queixou de alguma multa por excesso de peso?? A desenfreada urbanização da cidade de Luanda, por exemplo ao arrepio do Plano Municipal terá sido apenas fruto de incúria?? As transferencias no Fundo Cambial eram para todos iguais???Como se obtinha uma licença de porte de arma ou uma simples licença de caça??...
Pronto por aqui fico-me sem querer prolongar nem querer desta forma desculpar a corrupção que reina na Angola actual, que existe e é factor de empobrecimento de um País...
Como sou angolano, começo a pensar que a Fátima Felgueiras é angolana!! 185 autarcas deste País que não cumprem os Planos directores municipais, e curiosamente os beneficiados são sempre os mesmos empreiteiros, curiosamente muitos deles os que abocanham todas as obras dos municipios, talvez tb sejam angolanos!! Que os 140 GNRs da brigada de transito de Albufeira são angolanos!! Que é em Angola que processos com fortes indicações de corrupção são arquivados porque prescrevem!! Que deputados não ficam sem imunidade parlamentar qd são indiciados em actos de corrupção..devem ser os deputados angolanos!! Deve ser angolano o ministro que quiz que a filha entrasse para medicina!! São angolanos em Portugal os que moram nos bairros in da periferia de Lisboa, Cova da Moura e outros!!Deve ser angolano o tipo que é funcionário publico e me resolve em tempo record algo que tenho direito a troco de uns tostões!! Deve ser angolano o fiscal da Camara a quem se dá algo para que não xateie numa obra clandestina!! deve ser angolano.... por aí fora...
Sei que nada disto é argumento, mas às vezes era bom deixar nos bolsos certas pedras para não se gastarem todas nos telhados alheios..às vezes ajudam a tapar buracos no próprio telhado...
Já agora uma pergunta inocente q. b....Qd há corrupção, há o corrupto e o corruptor...Só ouço falar de um lado!!
Hoje estou algo amargo, talvez por isso me tenha metido em assuntos portugueses, o que não devia legalmente fazer!!
E já agora, só leu o que eu escrevi quem quiz!!
Um abraço
Fernando Pereira
14-11-2003 10:15

18 de março de 2006

Fui-lhe ao Cónego em Braga


"Através do humor nós vemos no que parece racional, o irracional; no que parece importante, o insignificante. Ele também desperta o nosso sentido de sobrevivência e preserva a nossa saúde mental." - escreveu Charlie Chaplin.

No outro dia fui a Braga, quer dizer fui abaixo de Braga a Braga, ao meu confessor favorito, o bom, o doce, o cândido, o quase omnipotente cónego Melo. As razões de eu me ir confessar ao cónego Melo vem dos meus tempos de 1975 em que o bondoso senhor andou a espalhar uns engenhos, que os comunistas diziam se explosivos e os apaniguados do curador-mor do cabido de Braga, dizia e com muita propriedade de paz(Quero esclarecer que ao tempo o Norte de Portugal não era qualquer cidade de Angola tão bem descrita pelo Fernão Lopes da transição de seu nome Pompílio da Cruz).Entrei na vasílica de Vraga, e digo vasílica porque em Braga, trocam os Vês pelos Bês, e o bice-bersa também. Vai daí e chega-me a encantadora figura do ó nego (desculpem mas o teclado não ajuda eu queria escrever cónego), com o seu fato aberguilhado (um cónego não é como o comum dos mortais..tem braguilha de cima abaixo, não sei se com botão ou fecho-eclair) de mãos estendidas, com aquele olhar maroto, de quem a pedofilia é assunto da sociedade civil e que a Igreja não tem de se meter. Bem, eu abracei-o e reparei que o incenso que trazia era do tipo Yves-Saint-Laureant,talvez o Kouros, e disse-lhe com toda a candura que me é habitual
-Cónego pequei!!
Ele olha para mim com toda a voção e talvez devoção do mundo e diz-me:
-Rapaz, fizeste bem vir ao Cónego.Vem até ali...
Leva-me para um local mal iluminado da Sé e pede-me que lhe conte a história toda...
Pensei,bem Karipande se começares pelo verdadeiro pecado que te cá trouxe, então ele despacha-te com grande velocidade e só ficas parcialmente absolvido...
Eu como tenho horrores a coisas parciais, resolvi começar a dizer-lhe:
-Cónego pequei porque vi três comunistas juntos e não fiz menção nenhuma de os matar...
Pequei porque não os segui para ver onde moravam para...Caso fosse necessário, o cónego sabe bem,....
Pequei porque vi um livro daquele que omito o nome, Sarai...ai até sinto um nó só de dizer isso e não fiz menção de sequer cuspir na montra...
Ele estava atarantado com a dimensão dos meus pecados, o que antevia uma contrição pesada, já com dezenas de orações...e quiçá mesmo alguma avultada multa pecuniária, para evitar ter de me ajoelhar por causa das artroses ou doutras doenças que o demo espalhou pela terra...
-E mais meu filho, perguntava ó cónego, já com o seu faceas, que vislumbrei mesmo na semi-obscuridade Não gosto muito de decompor esta palavra por sílabas...levava sempre reguadas na escola)
-Pequei cónego porque fiz chichi nos sapatos e ainda não tenho problemas de próstata.
-E mais??
-Pequei porque escrevi num site de sofredores retornados do ultramar textos que tiveram que ser editados, mas não fui eu cónego, foi o próprio demo, talvez disfarçado de teclas..Sabe como ele é ...antes disfarçava-se de Bic ou Waterman, agora disfarça-se de teclados...mas foi ele o mafarrico..Ou o cónego acha que eu digo mal de alguém...ou faço mal a alguém???
-E mais???
-Mas padre eles até foram bonzinhos , cortaram o meu texto e puseram lá de novo...mas como fui eu que pequei, quero que na absolvição seja também incluída um conjunto de preces para os moderadores, que com mão certa e inspirados por alguém...resolveram cortar só...aquelas partes...sabe...mas que podiam fazer falta..mas sabe..quem as não tem...paciência...ora!!
-O nosso bondoso e sapiente cónego, trejeiteasse com uns passes de sinaleiro em esquina movimentada e diz-me...
-A gravidade dos teus actos quase não tem perdão, mas para não ficares com as tuas artroses piores, fazemos isto por uma quantia para os pobres..100€ e para o ano sais de Jaca a pé para fazeres os Caminhos de Santiago, neste caso o caminho francês...Vai, meu filho...e cuida-te dos pecaminosos sentimentos...

Vim para baixo de Braga, com outro animo, com outra forma de ver as coisas e com tudo o que tenho pedir perdão a todos vós...MENOS AOS IMPIOS...essa horda citadina sem referencias morais e de cidadania...
Obrigado cónego...Tu e a EDP ajudaram-me a ver a luz de novo...
Fernando Pereira

De Angola à contramão...


Pois é...eu tinha previsto que eles apareciam, e ei-los, "velhos e novos, virão um dia ricos ou não", como dizia o cantor que teve de bazar de Portugal por causa da liberdade e da paz, José Mário Branco.
Eu nem vou contestar sequer o que certa gente diz, pq de facto deve ser uma fase delirante...Moçamedes com maiores frigoríficos que Vigo...Eu bem tinha razão...disseram que o " Oh Calcutath esteve 15 anos seguidos de exibição em Londres..enganaram-me foi no Cuma..o que a propaganda contra o colonialismo nos escondia...Eu que desconfiava que o Empire State Building era em Nova York, afinal era em Caconda, o Louvre parece que era um museuzito em Paris qd no Dundo é que havia um grande...e qd acabar a presença colonial portuguesa em Angola os cubanos carregaram com os frigoríficos e com os dois barcos de pesca para Cuba, e logo ultrapassaram todas as marinhas de pesca do globo...Eu sempre achei que me cravejavam de mentiras....Ainda hoje a ler a Unica (do Expresso) vejo aquele terrorista do Nuno Grande, dizer que começou a luta contra a febre amarela em Angola qd morreu o primeiro branco, pelo que posso considerar que antes desse branco ng tinha febre amarela, que foi uma bênção exportada para Angola pelos brancos, e que como era chic até os naturais começaram a ter para não ficarem fora dos usos e costumes dos portugueses...E sabem pq isto tudo...Pq era necessário para a fé do império colocar um serviço de protecção contra a febre amarela, e para isso tinha de morrer um branco...Devo andar a ver cada vez pior...e depois ..dizem que perco o verniz...Nunca antes de um branco morrer de malária tinha morrido um cidadão português negro com essa doença!!!!!
O que vale é que o diapasão desta gente está toda virada para a esquina da Lello...enfim...
O CFB era para trazer minério importado do terceiro mundo para o grande centro siderúrgico do Chinguar e do Cunge, onde depois era transportado para as fábricas de automóveis do Luena e Camacupa...Claro que tb não me esqueço que o centro espacial , ao nível do Kennedy, era no Dombe, e já há muito que se combatia a poluição industrial em Mavinga e nos rios limítrofes...
O de Moçamedes era um caminho-de-ferro turístico...tipo Expresso do Oriente...Penso eu de que???
Gostava de saber uma coisa...Pq é que Luanda em paz tinha uma cerca de arame farpado à volta do seu perímetro urbano e um controle em todas as suas saídas e entradas...
Nunca percebi se era para os que moravam em Luanda não saírem, se era para os que iam para Luanda não entrarem...è que esse perímetro era iluminado e vigiado por altos torreões assim como o gueto de Varsóvia nos anos 30 e 40...
Enfim...de facto não há verniz que aguente qd "ei-los que chegam, velhos e novos, virão um dia ricos ou não"
Fernando Pereira (suficientemente indulgente para ir ouvindo um ruído de fundo, por parte dos que se juntam a mim para terem a visibilidade que julgam ter direito)

8 de fevereiro de 2006

O CASAMENTO QUE TE PROMETI


Casamento no mato ou na cidade,o mau gosto era igual. Vamos lá ver!!O dia começa a raiar depois de uma noite mal dormida, pq entretanto as camas da casa tiveram de ser utilizadas por convivas de longe. E começa a azáfama em casa dela :Mãe, filhas, irmãs, tudo a caminho do cabeleireiro para fazerem uma permanente, que se forem feias, não dão nas vistas, mas se não o forem passam logo a ter esse estatuto. Arrumam a casa a correr , e começa o berreiro sobre a utilização da casa de banho, numa luta contra-relógio que ainda aumenta um pouco mais o enchimento da bexiga, e a consequente indisposição dos que cá fora esperam para que a porta abra (Alguns mais afoitos vão ao quintal). A mãe da noiva começa a por palitos salgados (não pensem mal) nuns pratinhos, com mais uns rissóis feitos na ante-véspera e uns croquetes feitos de restos de carne que se poupou na ultima semana. O pai da noiva já vestido com um fato cinzento e uma gravata cor de rosa, pega numas garrafas e entre muita mixórdia que por lá tem, diz aos convidados que vão aparecendo, que tinha guardado aquela garrafa para o casamento da menina...Nos quartos a azafama é grande e a noiva vai pondo (não metendo como me dizem amiúde) o seu fato cheio de rendas, e umas coisinhas prateadas, pequeninas, do tipo daquelas bolinhas que se metem no creme dos bolos para enfeitar. Pinta-se, calça uns sapatos que ng vai ver, mas que apertam para xuxu e senta-se na cama com um ramo repleto de rendas e flores esquisitas, á espera das fotografias. Ela é foto junto à cómoda de fórmica , ao pé do espelho, onde está uma estátua de uma senhora de branco com três garotos a olharem para ela a orar, ela é foto junto de duas almofadas na cama com o nome dele e dela bordados, ele é foto junto à janela, e ela com um olhar distante como se visse aquela vista pela ultima vez. Passam à sala e novas fotos, com os pai, padrinhos, convidados diversos e a ultima ceia na parede com a televisão por baixo, depois é a simulação na entrada do carro, com duas crianças vestidas nuns fatos esquisitos a agarrarem a cauda..do vestido. O carro está ornamentado com rendas e começo a olhar com algum detalhe os convidados que com um ou dois martinis ou wiskyes em jejum já começam a ganhar a cor acobreada , que não os vai mais abandonar até à noite As convivas com uns fatos de chita ,cheias de folhos, rachas e decotes a tentarem equilibrar-se nuns sapatos de tacão fino, e a sorrirem já incomodadas com o calor que vem e que lhes começa a fazer correr algumas gotas de suor nos sovacos, mal rarefeitos de uma depenagem de pelos recente.Em casa do noivo, o que se passa é mais ou menos o mesmo, só que ninguém lhe segura a cauda&e vão saindo umas bocas do tipo”logo tens de estar bom para a esfrega”, “não te deixes ir abaixo” e outras coisas mais ou menos subtis qto estas.Vai tudo para a Igreja a buzinar
E depois continuarei a contar.
De casa do noivo e de casa da noiva aí vai uma quantidade de carros a buzinarem, enquanto as vizinhas mais próximas, ficam nas janelas a comentar as vestimentas, o feitio dos noivos, a depauperada ou não conta bancária dos pais deles, as escapadelas que elas sabiam sobre eles, o estado do himen da rapariga, enfim coisas que conseguiram queimar o frango na cozinha, o que terá levado uma a dizer:"Aquela tipa qd precisava de nós aqui vinha chatear, mas convidar-nos para o casório...parece ke são finos, deixa-os ir não lhes dou três meses..cambada de ingratos".O noivo e sua caravana, chegou ao largo da Igreja, e reparei no fato, um roxo com golas e mangas de cetim e uns sapatos imaculadamente polidos com uns pendericos à frente, assim como k uns limpa vidros num carro. O padrinho, toma o lugar, sob o olhar embevecido dos pais e ei-los a caminho do altar. Nesta altura faz lembrar ao narrador, o disco do trio Odemira, "o anel de noivado", em que a primeira estrofe dizia "estava a Igreja toda iluminada".De facto aprimoraram-se , pois não havia nenhum dos Santos (é um perigo falar disso aqui na sanzala, pois corro o risco de denunciarem a corrupção e a cleptocracia...mas tenho de os descansar..os santtos que falo são os legitimos, os que despecaram e especaram definitivamente no coração da SMI)que não estivesse com rosas, cravos, antúrios, jarros, e tb fetos e curiosamente pelas setas do S. Sebastião (que tem 3 setas como um partido da moda em Portugal)crescia uma avenca pelo setame que ainda lhe dava um ar de mais infeliz. O padre lá estava no mor-altar, e era um padre pequeno, cara de lua-cheia, com óculos já fora de moda e no caso com alguma incontinência urinária, isto um suponhamos..fruto da pituitária apurada do narrador...(Convém pedir desculpa mas no teclado do marrador o N e o M estão juntos e pode acontecer eu trocar os nomes e ficar narrador).O padre vestido de branco, com uma cara vermelhuscada de quem tem o figado habituado a muitas mistelas de 40% de alcool, e com uma opa ia dirigindo dois "sacristões" pequenos e um sacristão já de idade, mas muito atento ao abrir das carteiras. A noiva demorava-se, os convidados do noivo iam brejeirando sobre as aptidões do próprio ao dealbar da noite, coisa que obrigou uma moça convidada a encolher os ombros, como se soubesse que mesmo calmo, não era um as de trunfo no ke concerne a coisas debaixo das colchas. O nervosismo aumentava, e o padrinho, que tinha oferecido a maquina de lavar a roupa, ia dizendo em voz alta:" Ela foi esperta, arrependeu-se a tempo".As moscas começavam a andar por cima de algumas cabeças com gel, ou nalguns casos oleosidade natural e algumas das senhoras e pequenas iam-se abanando como podiam, e começava aquele cheirinho acre do sovaquinho em contacto com aqueles tecidos de fibra que as pessoas adoram levar a estas coisas.Começam-se a ouvir apitos ao longe,..eu disse apitos,e eis ke chega a noiva, ke foi a unica a ter direito a parara à porta da igreja, pois os convidados do noivo obrigaram os convidados da noiva a porem os carros longe, o ke levou algumas das vestidas com uns fatos do piorio a partirem dois saltos dos sapatos...A noiva assoma à porta da igreja e o organista começa a teclar os acordes da marcha nupcial...um dos putos das alianças malha pq se enrola na cauda do vestido da noiva e quase encaudava a cerimónia, pois puxou o véu, que estava preso com clips ao cabelo.O fotógrafo não se cansava de clicar e lá ia a moça numa passadeira vermelha desbotada a caminho do altar, com o seu pai todo direito (ng dizia que sofria de bicos de papagaiao),e tb porque o fato era apertado, no caminho da felicidade. A noiva olhava ora para o noivo, ora para o chão para não malhar, e o fotógrafo tudo captava. Chegaram ao altar e deram a dis miudos que estavam vestidos com algum tecido que sobrou de alguma sanefa ou cortinado de alguma casa, uma cesta com rendas com 2 pássaros bicudos que tinham na ponta duas alianças..os miudos eram pois os aliançadeiros 2. No palco, desculpem no altar dá-se o grande encontro...e o padre começa uma missa, com as orações, advérbios , proposições e tb algumas posições ke são dispensáveis de comentar, pois são recorrentes, e no ar começa a pairar o cheiro da cera das velas, o incenso,o sovacame dos fatos dos convidados e tb o já citado odor da próstata desiquilibrada do padre. Chega a altura fatal, um dos alianceiros, vestido com sobras de cortinado, não quer dar e logo leva uma chapada, e muito a contragosto entrega os aneis dos bicos dos pássaros ao noivo, que impele no anelar suado da rapariga a aliança, e ela faz o mesmo no dedo do moço. Ele puxa o véu e dá-lhe um beijo timido na ponta dos lábios, ou não estivesse na Casa do Senhor...O organista continua a dedilhar e um coro desafinadíssimo canta umas canções inaudíveis, que aumentam a incomodidade dos presentes. Mães de noivos choram, e acabam todos nos braços uns dos outros jurando fidelidade eterna. Na sacristia, o padre faz as contas, o padrinho paga, os noivos assinam, enquanto o adro da igreja fica pejado de cores que nalguns casos até ferem os olhos pouco sensíveis, por serem de tão mau gosto.

No descer do altar para a entrada, ouvem-se os acordes do organista de serviço tocar o "linda e radiosa vai a noiva", e na passadeira coçada noivos vão de braço dado recebendo os parabens (nunca percebi pq já ke nenhum faz anos nesse dia) e felicidades. A noiva, lá se vai empoleirando como pode no braço, pois como se previra, os sapatos novos começam a fazer-lhe um certo ardor no calcanhar.Na porta aglomeram-se os vestidos de chita, os de licra, os de seda marroquina, os fatos da Maconde, os restos dos cortinados, sanefas e camilhas, à espera da chegada dos nubentes. Ei-los que assomam à vetusta porta da igreja,e logo um arsenal de arroz trinca e umas pétalas murchas de rosas caem sobre eles. A alegria invade o adro da igreja, e logo uma fila indiana se vai formando para dar um beijo aos pombos..Nas faces dele dela ao fim do oitavo beijo, já se tem a sensação ke se está a falar num telefone em cabina publica em ke o bocal não é limpo há dez anos, tal é a lambuzisse das caras...Os homens dão um abraço algo alarve ao noivo e dão-lhe uns envelopezinhos com qualquer coisa lá dentro, ke tanto pode ter cobertura como não, ou mesmo o envelope ir vazio...Depois deste espectáculo confrangedor no beijódromo, e com a noiva já completamente com a pintura esfrangalhada de tanto beijo lambuzado. A rosa que o noivo trazia na lapela já tinha murchado de tanto ser esmagada e a cauda da noiva, ou para os mais perfeccionistas e moralistas, a cauda do vestido da noiva, estava já com uma cor acinzentadamente amarelada a dar para o negro. Depois todo o mundo se começa a deslocar para um jardim onde as fotos vão mostrando, cada uma per si, a indumentária dos convivas, o ke só a evolução nas máquinas fotográficas permite que se apanhem cores que não vem contempladas em nenhuma mistura possível das sete do arco-iris. Qd se faz a foto geral, numas escadas é engraçado ver-se na revelação alguns olhares cretos, discretos e nalguns casos indiscretos a mandarem umas oftálmicas algo libidinosas para os decotes que há aos pontapés nestes eventos. Claro está que na sessão de fotos há sempre umas piadas trogloditas do tipo "com estas caras parte a máquina" ou outras de igual calibre.Os mais miudos já não escondem a irritação pelo facto de estarem sem comer, dos sapatos apertarem e de andarem com uns fatos que parecem querubins em qualquer carnaval veneziano; Claro que essa irascibilidade dos miudos, contagia os adultos e de vez em qd cai uma sarda na mona de um deles. Os padrinhos e os pais dos noivos, vão entretendo o povão com umas piadas do tipo "já não há mais nada","eu a esta hora já estava a afinfar", "Que importa se a comida está fria, se logo é ke aquecem", e coisas do tipo intelectual, como convém numa cerimónia destas.Passado hora e meia, preenchida com poses ao pé de uma sebe, onde algum canídeo inadvertidamente tinha alçado a perna no dia anterior, ou com os noivos esparramados num relvado, ou a olharem para uma roseira, ou um arbusto maior que eles, enfim que chega o ponto culminante do almoço.Entram no salão decorado com balões, serpentinas, celofane e cartolinas com dizeres diversos, e com o organista, que entretanto se mudou da igreja para o salão a tocar uma das ultimas versões do Marco Paulo da "Nossa Senhora"...O casório é servido por uma delicada empresa de catering, que para este evento recrutou desde padeiros, a soldados da GNR, a trolhas, etc, para ajudarem a servir à mesa. Todos de branco, perfilados ao fundo esperam que as pessoas entrem para ao sinal do chefe começarem a ser servidos os aperitivos. Entretanto chega o padre, que foi dar liberdade à incontinencia urinária num sitio esconço e está tudo preparado para a boda...

Ao sinal do chefe máximo dos empregados mínimos, começam a servir-se uns sumos (de pacote),uns martinis, uns wiskheys meios marados, e uma panóplia de bebidas de cores diversas e sabores adversos.O noivo continua a encher os bolsos com uns envelopes, o som na sala vai aumentando uns décibeis, ao ponto de quase se entrar na fase do insuportável. A casa de banho, começa a ser procurada, para umas "evacuações ainda líquidas" e o arranjar de algumas pinturas que o suor mascarrou na longa espera. As senhoras ao espelho miram-se, reveem a toilette numa rotação mínima dos pés e conseguem terjeitar-se a 3/4 de bunda, em frente ao atrás citado espelho que já começa a descascar no seu interior.Voltando à sala, onde começa a notar-se o acre do odor sovacal,misturado com o cheiro do arroz à valenciana, que aliado ao calor que se vive na sala traz um ambiente respirável com alguma dose de ineditismo. Começa a corrida desenfreada dos convidados na procura das mesas, onde se juntam familiares ke presumivelmente se estimam nalgumas, noutras familiares que por razões várias não se dão com outros, e querem ficar de olho vivo para "cortarem na casaca" dos outros, os amigos do noivo e as amigas da noiva distribuem-se por razões de outra ordem, e alguns com esperanças já para outras "desordens", e depois uns quantos que não pertencem à família, e que normalmente até são os convidados vip, que os pais dos noivos tentam encontrar lugares em locais onde haja em princípio menos "javardice". Bem vou parar um pouco para mostrar kem são esses ilustres convidados; Normalmente são ambos os patrões dos noivos, ke apesar de se saberem importantes no casamento vão ali fazer um frete daqueles,como se pode ver pelo sorriso amarelo das esposas, e pela distancia em relação ao resto dos convivas...Vão arranjar logo ke seja servida a sobremesa uma desculpa esfarrapada para se pirarem da festa, embora tivessem sido eles a oferecer a TV , o frigorífico de 50 litros e eventualmente o esquentador da casa dos noivos.Bem tirando estes autenticos "despernados" do ambiente casamental, é altura do marrador (com N)falar sobre a mesa onde já estão os noivos, pais e padrinhos de ambos, já ke o padre incontinente urinário, se juntou numa mesa perto da entrada da cozinha para ter a certeza que come em primeiro lugar.A mesa dos noivos está virada para toda a gente e mal se sentam, logo uma batidela de talheres nos pratos para que os noivos se beijem, coisa que fazem sem grande alarvezisse, perante o olhar desvelado dos pais ke se tentam lembrar do ultimo beijo ke deram às claras. è servida uma sopa aguada, com uns ossos de frango, acidentalmente com uns fios de carne a que se dá o pomposo nome de consomé, e o barulho na sala diminui. Esqueci-me de dizer k nas mesas estão umas garrafas de vinho tinto e branco, com um guardanapo de papel agargalado, vinho esse que é do piorio, e k de certa forma será um indutor de novas cores no faceas dos convidados, para além de por o figado a gritar por socorro, taois os aditivos que aquela zurpa contem.Mas afoitos e não, com a sede ke tem e com a prenda ke deram, vão beberrando kto podem o k obriga os do catering a trocarem amiude vazias por cheias.No intervalo entre o consome e o segundo prato tilintam novamente os talheres na louça e num beijo maior, noivo e noiva trocam a massinha da canja num beijo entre bocas mais profundo. Começa a ser servido o 2º prato e o narrador (com N) fixa-se no padre, ke começa a ter por fora o ke nunca terá por dentro...o vermelho...De facto qd vem o bacalhau com natas ele desalma-se e ainda a cuspir espinhas sem por a mão à frente enche a boca já cheia com um copázio de vinhaça( Desculpem mas perante a forma como ele come devia ser obrigatório, nos casórios ou festas similares, um desfibrilador).O resto dos convivas vai comendo e tenho ideia ke alguns já começam a ir dando pequenos arrotos, pois a flatulencia não consegue ser dominada. Tudo vai correndo bem não fora algumas das convivas levantarem os languidos braços e os seus condóminos da mesa inalarem um cheiro k o desodorizante da manhã conseguiu inactivar durante uma ou duas horas, seis era pedir demais. Começa novamente o altear de vozes, agora com a barriga mais composta e com o ácido tartárico no vinho de muito alcool, a pedir agora aos pais da noiva um beijo e ele atira-se à boca da mulher ainda com um bigode de natas do bacalhau e lá satisfaz os batedores de garfos, facas e pratos. Sempre a baterem esses instrumentos, num som ensurdecedor, pedem o beijo dos pais do noivo e estes aproximam as bocas, não sem que uma pequena espinha transite de boca a boca, o ke obriga o pai do noivo a cuspir e a dentadura a saltar para o chão, deliciando este toda a plateia a colocar os dentes de novo no local e voltar a rir com aquela boquinha alva e atraente.O 3º prato é um arroz à valenciana, e o padre sempre no seu afã de diabolizar a fome, come e faz o que fazem outros convivas que é cuspirem a casca do camarão e algum osso do frango para o chão. Findo este prato, mais alguns copos e já se ve na cara das pessoas um vermelho de quem já tem o fígado no nariz, e nova tocadela, desta vez vibrantíssima e os noivos ainda com os dentes cheios de arroz e camarão entrelaçam os lábios num beijo profundo, perante as palmas de todos os convivas. A festa está no auje e o organista senta-se para tocar, e nada melhor ke um exito de Tony Carreira " a carinha laroca"...
Desculpem mas vou ter de tomar ar....

Voltei de ao local, e pelo ke vejo nada se modificou, a não ser um aumento significativo nos décibeis e tb um certo "abrir de botão"; Passo a explicar, as gravatas começam a ser incompatíveis com o calor que se tem dentro da sala e ao mesmo tempo os vapores etílicos começam a ajudar a alguma dilatação da glote e consequentemente ao apertar das gargantas. O primeiro passo é o desfazer timidamente o nó da gravata, e muito a custo desapertar o botão de uma gola da camisa pouco habituada a estes apertos e indumentárias. O casaco já há muito ke deixou de ter alguma dignidade, se é que alguma vez terá tido, e aqui e ali já se vão vendo uns discretos tirar de sapatos por parte de algumas senhoras, ke ainda mais discretamente fazem uma pequena massagem nos pés, prolongando um pouco o movimento na parte mais dorida. O tilintar nos pratos aumenta efusivamente, e os noivos, com a boca menos suja entrelaçam os lábios e encenam o ke vulgarmente se chama um linguadinho, dada rapidez com ke voltam a olhar uma assistência levada ao rubro pelas manifestações de afecto dos nubentes.Volta a ser servido novo prato, o cabrito estufado, ke é uma mistura de cabrito e borrego, pois nas ementas distribuídas era cabrito ke estava, e qd vieram servir era borrego, mas convenhamos que nesta parte do campeonato pouco interessa, pois os convivas tudo comem, para acompanhar uma bebida que os põe cada vez mais num estado depauperado de compostura, e com uma linguagem a raiar o ordinário. Começam a circular pela sala os primeiros convivas, alguns deles a aumentarem o diâmetro do cinto, motivado por um aumento significativo da proeminência ventral, passo definitivo para a flatulência desbragada e consequentemente para a libertação de gases. Os noivos de mão dada descem da mesa e começam a circular pela sala, com um sorriso amarelo, ke de certa forma não destoa da cor do arroz doce com ovos que começa a ser servido, e que deve ser decorado por algum mação, pois com a canela faz uns sinais cabalísticos esquisitos. Os noivos de mão dada vão circulando de mesa em mesa, e a cor da cauda do vestido da noiva começa a deixar de tomar cor, tão enegrecido está. As conversas trocadas são de circunstancia, com frases do tipo "vejam lá como se portam hoje", "tratem de mandar vir meninos", ou qd passam por uma mesa de conversa mais animada, há-de haver daqueles "animadores educados e discretos" ke puxa o rapaz e lhe diz e surdina 2Ve se o enterras todo hoje, é um bom começo". Eles lá continuam penosamente de mesa em mesa, a aturarem os convidados dos pais, que em tempos idos eram pessoas a casa de quem se detestava ir. Passam na mesa dos patrões dele e dela onde o sorriso amarelo de todos é contagiante pelo amarelo, e dessa forma explícita permite-se dar motivo a que uns se vão embora e que os noivos possam dizer entre olhos: Até que enfim, destes já nos livrámos. Só ke aqui houve um senão , um dos patrões kd chegou ao parque viu o seu Mercedes Sls e mais uma porrada de números, barrado por uns Seats, e uns Clios, o ke o deixou furibundo, e o obrigou a voltar ao repasto. Apareceram os do Seat e o do Clio, mas logo se viu ke os mesmos estavam pouco maleáveis para jogarem convenientemente com os pedais dos referidos automóveis, e uma descoordenação nos pés, ke suportavam o peso do álcool fez com ke um dos carros amachucasse a porta do carro do grã-fino patrão do noivo, ficando para se resolverem os prejuízos qd a estação etílica passasse, o ke obrigou um arranque do Mercedes Slsssk mais uns números a uma velocidade, como a dizer "tirem-me deste filme".Acabado este pequeno exterior, voltamos para a sala onde entre as casas de banho e as sobremesas havia um enorme movimento, e é bonito de ver as pessoas a correrem para os fios de ovos, e mais bonito ainda ve-los a falar com eles na boca. Os de bigode tinham as natas da tarte a enbranquecerem-lhe a farta pelugem sub narigal, ou sobre-bocal o que lhes dá um ar de grande interesse. Um ou outro mais discreto, passa com a planta da mão os lábios e sem ke tb ng veja acaba a limpeza no traseiro, pois já ke o fato é para ir para a lavandaria, pouco importa.O organista, ke tb se esteve a alambuzar, aliás estes tipos dos conjuntos comem mais do que tocam, resolve ir para o seu local, com óculos escuros agora, o ke condiz muito bem com a sua indumentária preta, a imitar um pouco os "Carlos Gomes e os Gatos nNegros", uma versão portuguesa dos "Les Chats Sauvages", e começa a dedilhar os acordes da canção "Ponho carro, Tiro carro, á hora que eu quiser, na garagem da vizinha, que doçura de mulher", e logo o povo se agiganta num entrelaçar de braços, cabeças, hálitos esquisitos e alguns deles com uns charutos ordinários comprados algures numa vila fronteiriça, que exalam um cheiro ke ainda vai perverter mais o difícil ar que se respira no salão, que é um misto de comida, sovacame, mijo, excrecencias gasosas da flatulência, e ainda o tenebroso cheiro a tabaco. Posso garantir-vos que em termos de odores a raiar a nauseabundice a festa está no seu clímax!!!Voltarei com novos desenvolvimentos, deixem-me ir apanhar ar!!!

Voltei ao salão e cruzo-me com o padre, que vai afogueado pelo que comeu, bebeu, e gamou, pq tb o vi levar uma coisa enorme, debaixo da batina, e não querendo ser mal intencionado, ou desviar-me do assunto, poderia dizer que lhe dava um ar grotesco, pois,o produto do saque quase que ocultava a barriga, dada a proeminencia dos chamados cós das calças. Despediu-se apressada e educadamento e ei-lo a penetrar nas trevas do quintal do salão.Na sala o baile atingia o seu climax, com a noiva a dançar, já sem a cauda, quer dizer, sem o caudal vestido, a dançar com muitos convidados, enquanto o noivo parodiava numa mesa, onde uns quantos iam deixando sair umas larachas no meio de uns sorrisos alarves ainda com restos de leitão nos dentes. Já tudo andava de camisas suadas e o organista a esmerar-se na sua musica, com canções que iam desde o "apita o Comboio", à "afinal havia a outra", ou esta pérola, que só me atrevo a reproduzir o refrão: " Ai coração divididoPára de brincar comigoPois já é tempo de verCom o amor não se brincaAssim não te multipliquesE pára lá de escolher.Ai Coração divididoPára de brincar comigoPois já é tempo de verCom o amor não se brincaAssim não te multipliquesEstá na hora de crescer.Bem, notável a todos os títulos, e esta canção e outras iam entrelaçando alguns convivas, que faziam olhares enternecidos, e que depois iam procurar no breu da noite outras formas de discutirem silenciosamente os prazeres do alho do bacalhau com natas e juntarem-no à pimenta do leitão assado. O pai da noiva, feito mestre de cerimónias manda parar o organeiro, neste caso promovido a organista, para agradecer a todos o são convívio, e propor um brinde especial aos noivos, que vão cortar um bolo, que é uma verdadeira obra de arte de pastelaria. O bolo tem 3 pisos,e é todo revestido de um creme branco, com as esquinas cobertas do mesmo creme branco, o que revela originalidade, com umas bolinhas prateadas salteadas, que não sabem a nada, e que servem objectivamente para partir o dente de algum incauto, tem no seu ultimo andar um coração desenhado com uma seta, com o nome dos nubentes; Na ponta da seta está uma estatueta com dois noivos, mal vestidos, com os olhos assimétricos e com as bocas desenhadas que mais parece terem tido paralisia facial...Mas como aquilo é um suponhamos...é irrelevante.A noiva pega no ramo e vira-se de costas para um cacho de solteiros, e pelos vistos algumas e alguns permanecerão muito tempo, mesmo que o ramo lhes acerte, pois são o ke vulgarmente se chama, uns trambolhos. A noiva vira-se e, faz batota pq atira o ramo para a tia solteira, ke segundo se comenta, dá assistencia a todos os cunhados....para tratar dos sobrinhos óbviamente. (desculpem o aparte, mas tenho a certeza que essa tia se irá casar qd a GNR substituir alguns dos efectivos na zona, e há-de haver alguem ke em nome da lei e da grei, que case com ela).O ramo lá foi entre gritinhos e apalpadelas, e os olhos já semi-cerrados pelo alcool, já visumbram nalgumas um mamilo,ke mais não era que uma verruga numa zona ainda pouco dada a olhares para além de...Cortam o bolo com um olhar embevecido, e logo uns alarves gritam a pulmões desbragados, "vivam os noivos"...Eles beijam-se afincadamente e uma coisa parecida com champagne começa a circular...Permito-me dizer que esta zurpa, é do pior, e vai ser causa da animação suplementar da animação do próximo capítulo....

Quero esclarecer que este pedaço a seguir foi feito por uma amiga minha.....

E eles, os convidados, em uníssono gritavam, já desvairados, o nome da noiva. Ela, a noiva, sem se descompor e com os olhos no chão erguia, no entanto, o sobrolho direito varrendo a plateia com um olhar transverso e avaliador. É agora..., pensava ela para com os seus atilhos (que os botões dão muito trabalho depois com as pressas!) - já aliviados - do corpete de tafetá «naftalinoso». Então, para surpresa de todos la voila , qual Liza Minelli naquele filme cujo nome não se pode pronunciar diante de tantas donzelas casadoiras, subindo arrojadamente para cima de uma das cadeiras de ferro forradas com um cetim já meio sovado. Os amigos dão uma ajudinha, não vá ela cometer um deslize durante a subida para a mesa.O cenário era digno! A mãe perguntando às amigas que linda está a minha filhinha não está? As amigas da mãe todas ao mesmo tempo acenando as cabeças. E de mãos agarrando com força as carteiras de verniz atulhadas de croquetes, rissóis e umas fatias de carne assada que dão sempre imenso jeito para o almoço do dia seguinte, entressonham um casamento igual para as suas cachopas. O pai, já arroxeado e tentando equilibrar-se junto ao guitarrista do conjunto, depois de lhe ter puxado várias vezes o paletó magenta de lantejoulas, hesita entre uma zurrapa (o branco) e outra (o tinto). E arrota alarvemente, o raça do homem. Pelintra! As amigas dos vestidinhos de chita «tão mimosos» e «folhosos», de olhar deslumbrado e um cândido sorriso nos lábios, a desejarem intimamente ver a sua melhor amiga esparramada no chão após espectacular e ruidosa queda (que p***-zinhas que elas são !).E começa o leilão.Ela, a noiva, mostra o tornozelo cilíndrico a sair de dentro do sapato onde o pé já tinha posto «o feitio» de joanete. Os amigos exclamam... ahh?! Todooos e todaaas aplaudem!A noiva levanta mais um pouco da encardida bainha do vestido, um exclama mil; Outro, mil e cinco! Todos aplaudem! Muitos exclamam... ohhhhhh! E a pobre e recatada moça lá vai subindo a saia pondo a descoberto uma leitosa e anafada perna... de rapariga trabalhadeira, pois então! A mãe, agora com falta de ar (pró que lh'havia de dar!), junta-se às avós que alternam ruidosos «arfanços» com uns gemidos, tipo ai Jâzuuuus, livrai-me desta cinta que me está a apertar! O pai já vê a filha a dobrar e parece-lhe estar perante uma aranha gigante. E a saia sobe sempre, para aumentar a parada. Vinte mil!!! As mulheres dos amigos, já com o baton derretido a escorregar pelos cantos da boca gritam de buço arreganhado, esbracejam e desajeitam os decotes para atrair a atenção dos seus maridos. Eles, os maridos concentram-se libidinosamente naquela perna peluda, vítima de uma depilação esquecida. Com o suor a escorregar-lhes pela testa, vão tirando dos bolsos das calças (aproveitam para verificar o fecho éclair), amarrotados lenços daqueles que se compram em lotes de seis, um de cada cor e são tão jeitosos, não são? Estão nos limites... E uivam... uuuuuuhhhhhhhhhhhhhhhh... E levam o lenço à boca para limpar a baba (é possível consertar-se este computador que não escreveu o erre?). E continuam a desejar (é sinónimo de olhar, não é?) o tal pernil e a prometer, com as pernas já frouxas, o dinheiro poupado para a compra do carrinho (até já têm a garagem construída) e para pagar os estudos do filho mais velho na capital. Ela, a noiva, já com o vestido amarfanhado a meio daquela coxa desfavorecida pelas manchas azuladas da má circulação (É um problema, sabe? Desfeia muito as pernas da gente!...), o cabelo em desalinho e os olhos revirados em quebranto, deixa finalmente à vista a tão cobiçada liga. Ninguém dá mais!?... O silêncio percorre a sala e os «ânimos» arrefecem (Ufa! Finalmente). Apenas uma avó, agora em tom mais debilitado, insiste num gemido aiiiiii Jâzus, balbuciando em seguida um... que pouca vergonha, este violentamente calado por uma pisadela da mãe... Coitadita!... A disfarçar o embaraço... Enfim... No fim...A liga era, pois, um belo suporte em cabedal preto, com respectiva faca, brilhando e constrangendo (também ficava bem, encantando...) familiares, convidados, músicos, empregados e...A noiva era afinal eu, mas com o aspecto da Lara Croft, claro (a) está e... Acordei...


Consumado e consumido o bolo, feito com qualquer coisa entre o pão de ló e os ovos moles, não conseguindo ser coisa nenhuma, recomeça o baile com o organista, tb já meio etilizado a tocar uma canção do Nel Monteiro, "Como é que eu hei-de", o que vai levando ao rubro toda a sala. Começamos a assistir à debandada da "Brigada do Reumático", e amparadas por bengalas vemos sair os mais velhos, que terão de ir tomar as inevitáveis gotas do Gincoben, e uma panóplia de medicamentos que jamais as curarão. A noiva e o noivo, que entretanto andaram pelas mesas a distribuir umas caixas de fósforos com o nome deles, postram-se à saida para beijar as senhoras e senhores de provecta idade, dizendo baixinho um para o outro: "destas carcaças já nos livrámos". Um dos convivas, já em estado quase comatoso, fruto das misturadas das mixórdias bebidas vai dançando com a cabeça do leitão, perante os aplausos de muitos que quase conseguem igual desiderato em termos de resultados efectivos da bebida. A pedido do cunhado do noivo, que será um dos que mais tarde vai reivindicar na herança que o pai gastou muito dinheiro com o casório da irmã, pega no micro e vai proceder ao leilão da liga...O organista cala-se, o que é um alivio, mas dedilha no órgão a musica do Calvário "Mocidade, Mocidade"...NOTÀVEL....Bem o casamento já pouco tem para contar...está no fim a cerimónia, não sei que dois tios do noivo se engalfinhassem numa peleja, por causa de uns ouros que por morte da mãe se tinham abotoado há uns anos.Não foi fácil serenar, e ainda houve momentos de excelentes chapadas...Os noivos aproveitam para ir a um cubiculo lugubre mudarem de farpela e qd voltam até parecem pessoas. Vão até à viatura, comprada em segunda mão e paga a prestações, toda cheia de rendas e graffitis feitos com baton, e umas latas amarradas à panela de escape.Toda a gente rodeia o carro, enquanto se vai ouvindo ainda a discussão sobre o ouro dentro do salão, enquanto se vislumbram aqui e ali uns quantos a urinarem contra as paredes, pois as limitações da próstara perante tanto caudal de zurpa assim o exigem...E viveram felizes para sempre....


FERNANDO PEREIRA
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