<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-22009512</id><updated>2012-01-28T21:00:44.342Z</updated><category term='MPLA'/><category term='Lucio Lara/Tchiweka/ Novo Jornal/ Ágora/ Luanda/ Angola'/><category term='Novo Jornal/ Luanda/ Marx/ Groucho'/><category term='Fernando Pereira'/><category term='Ágora Lenine'/><category term='karipande'/><category term='Felisberto Lemos'/><category term='´Fiatocracia'/><category term='Revista golo'/><category term='Governo de Angola'/><category term='Portugueses'/><category term='Mingas'/><category term='4 de Fevereiro'/><category term='Novo-riquismo'/><category term='Eyjafallajokull /Moderno Tropical / Islandia'/><category term='Revolução em Angola'/><category term='Novo Jornal'/><category term='Daniel Filipe'/><category term='Ágora'/><category term='fotos da restinga'/><category term='João de Melo/ Viriato da Cruz/ Novo Jornal/ Ágora/ Luanda'/><category term='Angola'/><category term='Café Tropical'/><category term='25 de Abril'/><category term='BESA / Família Espírito Santo/ Angola / Ágora'/><category term='Ficheiros Secretos'/><category term='27 de Maio'/><category term='Volfrâmio'/><category term='Retornados'/><category term='Carlos Pinhão'/><category term='guerra colonial'/><category term='Sena'/><category term='Corrupção em Angola'/><category term='Orlando Rodrigues'/><category term='OMA'/><category term='Hino de Angola'/><category term='Lobito'/><category term='Luanda'/><category term='Joaquim Namorado'/><title type='text'>Recordações da Casa Amarela</title><subtitle type='html'>Um blog acima de qualquer suspeita</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://recordacoescasamarela.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22009512/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recordacoescasamarela.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22009512/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>karipande</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09536231653998267053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-JKcK9l3Yy_M/TpTSdTVNzDI/AAAAAAAACS4/n1mvCLCmqXA/s220/Fernando%2BPereira.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>441</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22009512.post-3972746391038527670</id><published>2012-01-27T02:10:00.000Z</published><updated>2012-01-27T02:10:27.336Z</updated><title type='text'>CHAMADA A PAGAR NO DESTINATÁRIO  /Ágora/ Novo Jornal 210/ Luanda 27/1/2012</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-F5eEoXMwXwA/TyIHi0V48vI/AAAAAAAACcY/RjvMrRPQzSo/s1600/novojornal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="67" width="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-F5eEoXMwXwA/TyIHi0V48vI/AAAAAAAACcY/RjvMrRPQzSo/s320/novojornal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uns anos, uma ministra levou o telemóvel para uma audiência com a Rainha. Deixou-o ligado. E a certa altura, fatalmente, o telemóvel tocou. Então, a Rainha disse com brandura: «Atenda, querida. Pode ser alguém importante».&lt;br /&gt;Esta história, ao que se supõe terá acontecido realmente tendo como protagonista a Rainha Isabel II, que sabe-se useira e vezeira nestas situações em que o humor britânico revela invulgar acuidade.&lt;br /&gt;Porque em lugares onde a importância das pessoas é medida pela visibilidade em eventos sociais, número de viaturas disponíveis no agregado familiar, relógios e ouros q.b., fatos de fino corte etiquetados por costureiros famosos e outros sinais exteriores de riqueza, impera bastas vezes a vacuidade, o que deixa certa gente completamente fragilizada quando confrontadas com circunstâncias em que as provas têm que ser diferentes.&lt;br /&gt; Dizia um angolano a um português na véspera da independência que “quando o caputo se for embora, faremos de Luanda uma Nova York em África”. O angolano da classe possidente sempre teve um fascínio por NY, apesar de nos últimos tempos estar numa fase de Dubaidada, e a realidade é que procura em certos aspectos copiar o “the americam mean of life”. Acho que para além de legítima é uma ambição sustentada e edificante, nos conceitos de liberdade, de desprendimento pela imagem num quotidiano de vida com pouca rigidez de “censura social”, de justiça e também de democracia. Haverá outros critérios que não serão tão razoáveis, mas a realidade é que os EUA vão funcionando, e nalguns aspectos fazendo girar o mundo à sua volta.&lt;br /&gt; O “Central Park”, emblemático jardim de NY, planeado e construído em meados do século XIX, numa extensão de 341ha, foi motivo de grande controvérsia no sociedade novayorquina de então, pois terá havido uma enorme pressão do emergente sector imobiliário da cidade, para que esse espaço verde fosse urbanizado com os megatéreos que enchem o resto. As autoridades do Estado foram firmes no seu propósito e não se deixaram demover pelas tentativas de suborno e posteriores ameaças do poderoso lóbi da construção, enfrentando até pedidos públicos de linchamento. A população de NY agradece essa obstinação, que permitiu que a cidade possua um pulmão verde, verdadeiro  ex- libris, e as autoridades de então quase lançadas ao opróbrio sejam hoje distinguidos como heróis.&lt;br /&gt; Isto vem a propósito da ausência de espaços verdes em Luanda, discussão que curiosamente é recorrente desde a última fase do patobravismo da construção na última década e meia da presença colonial portuguesa em Angola.&lt;br /&gt; Um dos argumentos que os “imobiliários “ iam esgrimindo assentava no facto de Luanda desprecisar espaço verde, porque era uma cidade com muitas vivendas, todas elas com quintal e ajardinadas. Essa discussão foi ampliada quando da construção da zona verde, resultado de uma adaptação do percurso do caminho-de-ferro desactivado nos anos cinquenta, e também do eixo viário, hoje local privilegiado para a construção de grandes edifícios. A verdade é que apesar dos inúmeros erros de concepção, mantiveram-se esses espaços, pequenos para a dimensão do que o plano director do início dos anos setenta projectava da cidade.&lt;br /&gt; Hoje, a zona verde transformou-se numa zona castanha onde construíram uma rua de acesso a outras ruas de Alvalade, o eixo viário no conjunto de edifícios, que parecem ser o orgulho de alguns cidadãos e a carteira recheada de outros, o ex-parque Heróis de Chaves transformado num misto de parque de estacionamento e num espaço de festas decorado com o mais requintado mau gosto, e foi sobrando o pequeno jardim da cidade alta, que apesar de tudo ainda está num local privilegiado de Luanda no que à conservação diz respeito.&lt;br /&gt; Hoje já nem consegue prevalecer o argumento colonial das vivendas ajardinadas, onde o cimento substituiu o jardim por falta de água por um lado, e para estacionamento de viaturas por outro, nem as árvores que ladeavam ruas, avenidas e estradas, literalmente arrancadas para no seu lugar surgirem parques de estacionamento e novas vias estruturantes.&lt;br /&gt; Luanda começa a ser uma cidade irrespirável, “invívível” e por muita cosmética que se tenta colocar ao nível do equipamento urbano, é indisfarçável que a cidade irá soçobrar nos aspectos importantes para uma razoável qualidade de vida dos cidadãos.&lt;br /&gt;A cidade foi construída num contexto urbano de bairros, onde se cimentavam amizades, solidariedades, militâncias, ligações de família e tudo isso está a desaparecer, tornando os seus habitantes individualistas, desumanos, interesseiros e a aumentarem perigosamente os níveis de violência. Tudo é fruto da realidade do País, mas também pela forma como se desagrega a cidade, em que as classes com maiores rendimentos se fecham em condomínios e prédios onde há tudo menos hábitos e práticas de vivencia colectiva, multiplicidades ideológicas, culturais, políticas, ideológicas e em que se preserva apenas a identidade económica.&lt;br /&gt;Luanda pode querer ser uma Nova York,e era desejável que o conseguisse,  mas a este ritmo e com estes conceitos o máximo que poderá ser é um Dubai doméstico, afinal uma imitação de uma Legolandia para adultos que vive apenas da especulação e dos serviços.&lt;br /&gt;Era bom recuperar a cidade e a sua alma, talvez se consiga ir a tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;24/1/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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O grupo era numeroso e lembro-me dos irmãos Guerra Marques, Antero de Abreu, Dionísio Rocha, António Chaves, o “mais velho “Lelo” e o Osvaldo, entre outros que o tempo diluiu na minha lembrança.&lt;br /&gt; Pela mão do meu amigo Osvaldo Pinto integrei-me no grupo, era o benjamim, ia ouvindo, mais que participar nas conversas que invariavelmente eram sobre a cidade de Luanda e sobre a Angola, ao tempo a debutar como País independente. As discussões eram acaloradas e do muito que ouvi, fui aprendendo sobre a evolução da cidade e de algumas realidades de Angola que me iam escapando, também por excessos de romantismo revolucionário.&lt;br /&gt; Algumas das histórias que aqui tenho colocado saiu daquela esquina, de onde há muito desapareceu aquela tertúlia porque a inexorabilidade das contingências da vida levaram muitos dos “tertulianos” , os que restaram começaram a debandar e a  desertificar o espaço de gente e ideias.&lt;br /&gt; Veio-me à lembrança uma recorrente conversa sobre colonos e cooperantes, no léxico actual talvez expatriados. Quando eu e outros defendíamos a cooperação com os países “socialistas” , Osvaldo Pinto, com o seu poderoso argumento de pulmão, dizia que “nenhum País se construía com cooperação”. Os argumentos assentavam na ideia que “vinham cumprir um contrato, fazer o menos possível e despacharem-se o mais rapidamente para as suas terras”. “Não se ligam a isto porque tem os pés noutro lado”. “Os países só se desenvolvem quando se tem o espírito do colono, de fixação, de adopção de culturas locais, de sentir a terra e esquecer o lugar de onde se vem”. “Só constituindo família as pessoas se ligam à terra, e nunca estão à espera de se ir embora e desenvolvem o que sentem seu, nunca se esqueçam disso”.&lt;br /&gt; O tempo veio demonstrar que o Osvaldo Pinto tinha alguma razão, porque de facto a cooperação em Angola foi nalguns aspectos um fracasso, em que as pequenas excepções bem sucedidas apenas confirmaram a regra.&lt;br /&gt; Vi um programa na TV dirigido pela “ moderadora” portuguesa Fátima Campos Ferreira, um “Reencontro”, que me fez lembrar programas de outros tempos, assim uma coisa que Artur Agostinho apresentava na RTP no início dos anos 70 que se chamava “25 milhões de portugueses”, patrocinado pelo sucedâneo do SNI e apoiado pela Agencia Geral do Ultramar, que me querem fazer crer que o Adriano Moreira nada teve a ver.&lt;br /&gt; Confesso que despercebo a quem é que a “moderadora” e os que pensaram o programa quiseram fazer o frete, pois tudo o que vi foi uma péssima propaganda a Angola e à inteligência de muitos angolanos e portugueses que não pactuam com este folclore serôdio.&lt;br /&gt;O programa que à partida já me suscitava alguma suspeição, pelo que me habituei a ver nos programas conduzidos pela FCF, acabou por se revelar um perfeito desastre, mal preparado, o debitar sistemático de lugares comuns, demagogia e panegíricos a todo o momento entre os convidados e as gentes da plateia, filmes numa Luanda domingueira, e momentos culturais pobres, o que de facto é incompreensível pela qualidade dos intervenientes. Confirmaram-se em absoluto as minhas suspeitas, e só espero que as relações entre os Países não tenham que passar por transes destes muitas vezes.&lt;br /&gt; O título do programa, “Reencontro” é uma completa estultice, e revela quanto se desconhece a realidade da ligação estreita entre Angola e Portugal ao longo destes trinta e seis anos de soberanias próprias, mas de respeito entre dois povos que se identificam, partilham valores, saberes e vivem quotidianos comuns na cultura, no desporto e na economia. &lt;br /&gt; A bem dizer, um a despropósito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira &lt;br /&gt;17-1-2012&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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A situação alterou-se e comecei a ler os “Lusíadas” e a encontrar sonoridades e mensagens diferentes de canto a canto. E o mais interessante é que adorei  o canto IX, proscrito do programa do liceu no meu tempo, por razões perceptíveis se tivermos em conta o tempo e o modo.&lt;br /&gt; Por falar no quinto ano colonial não seria interessante contar o bizarro episódio que marcou o quase final dos anos setenta, quando se tentava definir o que era num contexto revolucionário o perfil da pequena burguesia? O tempo foi passando e provavelmente a história vai ficar pouco verosímil, mas talvez contando-a permita que a verdadeira versão saia a terreiro.&lt;br /&gt; No fervor da “Opção Socialista de Angola”, entre “emulações socialistas”, “movimentos de rectificação” e outras movimentações tendentes à criação do “homem novo”, uma das discussões candentes tinha a ver com a separação das classes, e tentava-se num arremedo de marxismo-leninismo fazer-se primeiro a albarda e depois procurar um macho a quem servisse.&lt;br /&gt; A questão da inserção da pequena burguesia foi sempre um factor permanente de discussão no contexto da revolução, pois se por um lado ela aparecia como aliada natural dos operários e camponeses, por isso vitoriosa, por outro lado era contestada porque a sua ambição era objectivamente ascender à média burguesia assumindo os seus valores, contrários aos da revolução.&lt;br /&gt; Encurtando, Kota Neto, ao tempo Comissário provincial de Malange, perante uma grande plateia, definiu que “a pequena burguesia, tinha o 5º ano colonial, usava fato e gravata, queria manter os privilégios do colonialismo” e por aí fora. Rapidamente ecoou um sonoro e repetido “Abaixo o 5ºano”, que empolgou as massas presentes no evento e foi o mote central da reunião&lt;br /&gt; Quinze dias depois Kundi Pahiama, vai a Malange e impecavelmente vestido de fato e gravata, aos mesmos militantes, e depois de várias considerações sobre o tema diz: “ Tenho o 5º ano colonial, uso fato e gravata, sou da pequena burguesia?” Em uníssono todos disseram “Não” e logo o speaker de serviço repetiu a palavra de ordem repetida em uníssono por toda a assistência: “ Acima o 5ºano”. Em 15 dias reabilitou-se o 5º ano colonial!&lt;br /&gt; Reitero que não sei se esta história é exactamente assim, se não for só peço desculpa aos presentes e ausentes.&lt;br /&gt; Para um 2012 que espero cheio de prosperidades e quiçá propriedades, uma reflexão do poeta de um tempo em que não havia lusofonia: Alexandre O’Neill. Uma coisa em forma de assim: «Os idiotas, de modo geral, não fazem um mal por aí além, mas, se detêm poder e chegam a ser felizes em demasia podem tornar-se perigosos. É que um idiota, ainda por cima feliz, ainda por cima com poder, é, quase sempre, um perigo. Oremos. Oremos para que o idiota só muito raramente se sinta feliz. Também, coitado, há-de ter, volta e meia, que sentir-se qualquer coisa.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;1/1/2012&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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É que um idiota, ainda por cima feliz, ainda por cima com poder, é, quase sempre, um perigo. Oremos. Oremos para que o idiota só muito raramente se sinta feliz. Também, coitado, há-de ter, volta e meia, que sentir-se qualquer coisa.»&lt;br /&gt;Mais de metade dos destinatários da mensagem estão contextualizados no que surripiei ao O’ Neill,  os restantes merecem deferência, porque é gente de carácter, culturalmente interessante e desapegados de fobias continuadas, que o poder e a sua ausência beliscam noutros “mal caractistas” ,como bem diria Odorico Paraguaçu na imorredoira novela “O Bem Amado”.&lt;br /&gt;Basta escolher as citações perfeitas para colocar em prateleiras de mofo um conjunto de gente de quem se fala demais para o pouco que valem. Ganha-se espaço e evita-se a banalização o artigo!&lt;br /&gt;Esta semana fiquei contente com as movimentações de solidariedade em torno do comércio tradicional, talvez fruto da saída da SGPS que controla o Pingo para a Holanda onde já estavam uma quantidade de empresas portuguesas (?), algumas delas com administradores nomeados pela tutela. Desimporto-me pouco, porque o saque já vem de longe, e não é um Pingo qualquer que altera a minha ideia formada perante tipos que se apanham com uns dinheiritos de créditos na mão e já se julgam os intocáveis e os únicos que tem a verdade absoluta, para debitarem dislates continuados quando lhe metem o micro em riste.&lt;br /&gt;O comércio tradicional também teve agora momentos de grande participação quando nos confrontamos com as lojas maçónicas. Julgava que Mozart fosse um compositor, ou uma taça da Olá, multinacional holandesa de gelados, representada em Portugal pela Jerónimo que agora foi transferida para a Holanda. Afinal há uma loja com esse nome, que é secreta porque não se sabe o que lá é vendido. Quando era miúdo proibiam-me de ver essas lojas, porque andavam por lá “mulheres frívolas”, no léxico actual as mulheres do striptease. &lt;br /&gt;Tentando falar a sério, quero lá saber se há loja do Sino, se há GOL alta ou baixa, se os Opus rezam ou não antes de estipularem quem colocam em determinados lugares para fazer agiotagem, que segundo me disseram é pecado para a ICAR, o que me fez rir a aventais despregados.&lt;br /&gt;Os partidos, excepto o PCP, tem uma horda de gente nestas lojas, onde fazem uns jantares para debaterem várias coisas, sem que perceba porque tem que se esconder e usarem sinais convencionais para falarem de liberdade, igualdade e fraternidade, e já agora relações económicas e colocações políticas que tragam vantagens supletivas aos membros deste ramo oculto e culto do comércio.&lt;br /&gt;Aceito que no combate às ditaduras tenha sido necessário algum secretismo, mas algumas figuras gradas dos regimes ditatoriais também secretavam com os da oposição nas lojas e centros de opus, restando aos trauliteiros o papel para os desfiles, as legiões e o incitamento a encómios ao chefe supremo em espaços públicos, com muita gente cinzenta no palanque.&lt;br /&gt;Preocupa-me que se avente a hipótese do avental dominar em conluio com os Dei a política portuguesa, com o olhar terno e eterno da ICAR e com a bonomia dos monárquicos que ninguém lhes liga nenhuma, que se vão encontrando entre fados, touradas e aspirando títulos, nisso acompanhados de adeptos de certos clubes de outras modalidades, com maior envolvência e paixão pelo povo.&lt;br /&gt;Os partidos do arco do poder limitam-se a servir de lastro às congeminações das lojas, dos aventais, dos que rezam e só sexam para procriar, os que acham que tudo é fruto da “diarreia mental do século XIX”, como dizia o santacombista à mão armada,  que conluiado com essa malta toda governou em ditadura este País quase meio século.&lt;br /&gt;Se me quiserem oferecer um avental, façam o favor de contactar com a redacção deste jornal, mas não me peçam ritos, espadas e lucubrações ideológicas que façam a ligação entre o quotidiano e o paranormal em troca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;8/1/2012&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-xwk-2ykhGgU/Tvy3-0iN_WI/AAAAAAAACak/dPyu7okAu5Y/s1600/novojornal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="67" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-xwk-2ykhGgU/Tvy3-0iN_WI/AAAAAAAACak/dPyu7okAu5Y/s320/novojornal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Z3IeBSB8G6U/Tvy3_MvziYI/AAAAAAAACaw/bAjTkUsLdFw/s1600/399305_222617291148564_100002008851325_495895_858845764_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="238" src="http://2.bp.blogspot.com/-Z3IeBSB8G6U/Tvy3_MvziYI/AAAAAAAACaw/bAjTkUsLdFw/s320/399305_222617291148564_100002008851325_495895_858845764_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-LyV4wTId284/Tvy3_efkD0I/AAAAAAAACa8/rTUU9LBzzSY/s1600/democratas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="264" width="315" src="http://4.bp.blogspot.com/-LyV4wTId284/Tvy3_efkD0I/AAAAAAAACa8/rTUU9LBzzSY/s320/democratas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-sukYxeFb9XU/Tvy3_3lizwI/AAAAAAAACbI/ZB509eveeSU/s1600/negritos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="222" src="http://4.bp.blogspot.com/-sukYxeFb9XU/Tvy3_3lizwI/AAAAAAAACbI/ZB509eveeSU/s320/negritos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim deste 2011, ano de muitas mudanças, algumas imperceptíveis no contexto geopolítico regional e mundial o que se nos oferece pensar é que anda demasiada indefinição no quadro da economia e um lodaçal autêntico no plano da ideologia.&lt;br /&gt; Vinte anos depois de Gorbatchev ter feito o discurso de renúncia da presidência da URSS, o seu consequente colapso, onde simultaneamente todas as repúblicas ascenderam ou retomaram a sua independência, olhamos para o mundo de uma forma mais apreensiva, mau grado os dias de esperança que marcaram o fim da burocracia soviética, verdadeira causa do estertor final da grande revolução socialista na história mundial.&lt;br /&gt; Como não sou economista e também tenho pouca queda para a tarologia admito com alguma  dose de leviandade que acho ambiciosa a meta apontada para o crescimento económico de Angola no próximo ano, num cenário de aparente retracção da economia mundial e onde o nosso único produto de exportação estará exposto às contingências das alterações que se perspectivam.&lt;br /&gt; Logo se vê o que acontece, porque mesmo para fracassar é preciso talento, e nisso ainda estamos longe do aceitável, mesmo no nosso modesto padrão de desenvolvimento.&lt;br /&gt; Como sempre defendi que o pessimista é um optimista com experiencia, talvez eu não esteja a ver o quadro correctamente e vou-me limitar a esperar ver na imprensa notícias que há muito me desabituei e nalguns casos não me lembro de haver nada publicado.&lt;br /&gt; Nunca consegui perceber como é que em Luanda se constroem novos bairros, se estruturam novas urbanizações e não se consegue ver um sistema aceitável de esgotos e estações de tratamentos de águas residuais. Acho que é quase o mesmo que mudar a fralda a um bebé sem lhe limpar o rabo. &lt;br /&gt;Continuo a desperceber porque é que os colectores de águas pluviais, as suas bocas de drenagem estão sistematicamente obstruídos para além de estarem obsoletas e desadequadas do anárquico crescimento da urbe.&lt;br /&gt; Recordo-me das grandes chuvadas em 1963, e lembro-me de ver o estado geral da cidade, com os alicerces do Colégio de S. José de Cluny completamente à mostra e em risco de derrocada para a rua do SANA. A cidade era um pandemónio, com a baixa inundada de lama, as ruas com crateras onde os velhos autocarros azuis estavam “afocinhados”. A Samba na altura ainda com pouca construção clandestina viu as areias dos seus morros depositarem-se na velha estrada da Corimba e a Praia do Bispo, com as casas da marginal cheias de lodo. Só víamos lodo, água e muita destruição um pouco por toda a cidade ao tempo com um perímetro urbano pequenino em relação ao de hoje.&lt;br /&gt; Iniciaram-se de imediato toda uma série de trabalhos, nomeadamente muros de suporte, canais de escoamento de água (o Rio Seco) e melhoria do colector central da parte baixa da cidade para conseguir suster as chuvas que em Março caiam pouco mas bem!&lt;br /&gt; O que vamos assistindo é que basta um borrifo e o caos na cidade generaliza-se, e não se consegue vislumbrar um projecto coerente que consiga acabar com uma das causas da vivibilidade de Luanda ser tão má. Era capaz de ser uma aposta interessante para uma cidade capital que quer ter sapatos de verniz mas tem que os ter a chafurdar no lodaçal!&lt;br /&gt; Gostava de ver as grandes cidades de Angola criar nos seus arrabaldes uma estação de resíduos sólidos urbanos, vulgo lixo, já que amontoado e queimado de forma desordenada é dramático para a salubridade, e nem vale a pena repetirmo-nos sobre as consequências da inexistência de um sistema coerente para melhorar o quotidiano de vida dos cidadãos.&lt;br /&gt; Era capaz de querer mais coisas em 2012, como por exemplo aproveitar a nova onda de envidraçar edifícios, espelhá-los, e sendo assustadores no aspecto e inadequados ao clima de Luanda, mas pudessem aproveitá-los para instalar um sistema em que esses vidros pudessem converter em energia a ser usado no prédio dispensando a electricidade dos geradores, mais uma chaga no ambiente urbano onde o luandense vive.&lt;br /&gt; Sou capaz de querer ver mais coisas em 2012, mas vou ficando atento para ver se as coisas acontecem. &lt;br /&gt; Um bom ano de 2012 e nunca esqueçam que Ernest Hemingway dizia: “O mundo anda três whiskies atrasado!”.&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;26/12/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Como dizia o insigne e mal amado poeta português Jorge de Sena (1919-1978) – “De cada vez que há um governo”: “De cada vez que um governo necessita de segredos, /por segurança do Estado, ou para melhor êxito das negociações internacionais, / é o mesmo que negar, como negaram sempre desde que o mundo é mundo, /a liberdade. /&lt;br /&gt;Sempre que um povo aceita que o seu governo, /ainda que eleito com quantas tricas já se sabe, /invoque a lei e a ordem para calar alguém, /como fizeram sempre desde que o mundo é mundo, nega-se/a liberdade. /&lt;br /&gt;Porque, se há algum segredo na vida pública, /que todos não podem saber, é porque alguém, /sem saber, é o preço do negócio feito./E, se há uma ordem e uma lei que não inclua/mesmo que seja o último dos asnos e dos pulhas /e o seu direito a ser como nasceu ou fizeram, / a liberdade.”.&lt;br /&gt;Esta semana fez cinquenta anos em que o som do “Angola é Nossa”, onde cronicava de Luanda, Ferreira da Costa para a Emissora Nacional de Portugal, foi substituído pelo enfático: “os sinos da Velha Goa e as bombardas de Diu serão sempre portugueses”, uma resposta retórica à invasão dos territórios incrustados na União Indiana de Goa Damão e Diu. A um exército de opereta mal equipado e sem estímulo para o que quer que fosse, Salazar, que apenas saiu de Portugal duas vezes (uma a Paris enquanto estudante, e duas a cidades fronteiriças com Espanha para falar com o ditador Franco), que nunca fez serviço militar, exigia que em nome das “pedras das fortalezas de Damão e Diu e das Igrejas de Goa” que os soldados resistissem até ao limite saindo “vitoriosos ou mortos”. Nem uma coisa nem outra porque prevaleceram o bom senso do governador da então província que num gesto de grande dignidade aceitou uma rendição honrosa, que lhe valeu o opróbrio aos olhos do regime. O que não deixa de assumir contornos de alguma bizarrice é que Luanda, tão ciosa nas suas mudanças de toponímia e alterações administrativas, ainda prevalece uma Rua da Índia, e em baixo uma referência ao Estado Português da Índia, próximo do Largo do Cruzeiro, paredes meias com o cemitério do Alto das Cruzes!&lt;br /&gt;Morreu o filho do outro, que vai deixar o filho como sucessor. Isto vem a propósito da morte do Kim Jong-Il, filho e herdeiro da ideia Juche do grande líder Kim-Il-Sung. As relações visíveis com Angola estão no quotidiano urbano da cidade de Luanda onde as estátuas horríveis acabam por menorizar a imagem das figuras referentes da nossa história recente.&lt;br /&gt;Há trinta anos a embaixada da RDP da Coreia resolveu promover um concurso literário alusivo ao trabalho do “Grande líder Kim-Il-Sung” na liderança do País. Em Angola ganhou o concurso o falecido Ricardo Manuel com um livro de poemas que julgo que se chamava “Coreia, meu amor”. O Ricardo ganhou o  prémio e lá foi até à Coreia onde andou e recebeu todos os encómios pela obra publicada, “um enorme êxito em Angola” e outros elogios do tipo. O Ricardo Manuel era gerente da Lelo e em Luanda durante uns meses a montra central foi ornada com todo um conjunto de livros do “Grande Líder”, fotos das homenagens ao poeta e entre dois naperons de renda uma enorme fotografia do pai deste que morreu e portanto avô do que aí vem, numa perfeita estultice de um socialismo que talvez nunca o tenha sido.&lt;br /&gt;Como não sou muito de Natais, e gosto mesmo é do Dia da Família, quero mesmo é que o passem bem!&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;19/12/2012&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Foi encerrado em 1954.&lt;br /&gt;Adriano Moreira reabre-o em 1961 com o nome de “Colónia Penal de Chão Bom”, para onde enviou os condenados de “delito de opinião” das colónias, donde foram libertados em Maio de 1974. Muito indignado ficou quando alguém o confrontou com essa abertura, tendo dito que não reabriu nada, criou uma estrutura nova. Essa estrutura era a mesma que «Quem vem para o Tarrafal vem para morrer» como diziam os directores do Campo, Manuel dos Reis e João da Silva ou «Eu não estou aqui para curar doentes, mas para passar certidões de óbito», dizia o médico do Campo, Esmeraldo Pais Prata.&lt;br /&gt;Ministro do Ultramar que Salazar nomeia na esteira dos acontecimentos de 15 de Março de 1961 em Angola, Adriano Moreira supôs que seria o delfim do regime, e ei-lo a tentar pelos meios mais sórdidos abafar todos os seus potenciais adversários. Marcelo Caetano e Venancio Deslandes foram dos seus alvos com o beneplácito do sardónico primeiro-ministro português. Foi o homem adequado para que Salazar se visse livre de certa gente, e quando tudo serenou, o seminarista de Santa Comba despachou-o mais ou menos ao estilo que já tinha feito com outros.&lt;br /&gt;Adriano Moreira era um jovem professor do ISCPU, cultor e divulgador do luso-tropicalismo do brasileiro Gilberto Freyre, portador da ideologia que enfatizava as qualidades do português enquanto homem de grande humanismo e enorme espírito de promoção civilizacional dos negros africanos. &lt;br /&gt;Chegou a Angola cheio de reformas que no essencial era mudar tudo para que tudo ficasse na mesma. Claro que tudo ruiu como um castelo de cartas, porque a partida já tinha passado para a sua fase de confronto decisiva.&lt;br /&gt;Voltando ao Honoris Causa condenado por todas as associações de ex-presos políticos da lusofonia, nomeadamente a cabo-verdiana pela voz do seu presidente Pedro Martins que considera isto um “insulto” e que a «a distinção é contra tudo o que lutámos para pôr fim ao regime colonial fascista».“Ali é só deixar de pensar. Porque se não morre aqui de pensamentos. É só deixar, pronto. Os que têm vida ficam com vida. Nós aqui estamos já quase mortos.” A frase é do angolano Joel Pessoa, preso em 1969 e libertado, com todos os outros presos do campo, em 1 de Maio de 1974, no documentário de Andringa. &lt;br /&gt;Adriano Moreira tentou sempre ser equidistante de tudo, mas a realidade é que foi estando em tudo que ao colonialismo diz respeito (Sei que há muitos na terra que não gostam do termo, apesar de noutras alturas berrarem bem alto contra ele, e alguns arvorarem-se em combatentes de primeira água).&lt;br /&gt;Como já fui vendo tanta coisa, espero que Angola não faça o que já fez com outros de igual jaez, e premiarem-no “por razões de ordem científica” como estão a fazer no Mindelo.&lt;br /&gt;A memória tem que estar presente para que a dignidade de angolanos não seja violentada por uns basbaques, que ainda não conseguiram acertar a sua consciência com a história.&lt;br /&gt;Já agora perto da fábrica da Cuca havia um bairro com o nome dele, e felizmente que a toponímia em certos casos foi mesmo bem mudada na nossa cidade!&lt;br /&gt;DesaTARRAFALem-se deste tipo de gente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;13/12/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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A gente só tem um capital: os companheiros.&lt;br /&gt;Jorge Amado, in “S. Jorge dos Ilhéus”&lt;br /&gt; À evolução sempre necessária, e neste momento histórico exigido pela transformação social e pela maturidade da grei, para um mais amplo sistema de direito publico, substitui-se tragicamente e de uma forma apressada o sistema, levando à quebra de tradições e à divisão dos homens em vencedores e vencidas.&lt;br /&gt;A ausência de cultura, aliada à falta de consciência política global, gera a bastardia irremediável do voto, e a organização dos partidos não como expressões tendenciais dos grandes rumos de opinião publica, mas sim como simples associações utentes do poder, assentes na importância social da licenciatura e gerando uma nova forma de privilégio parasitário. &lt;br /&gt;Os sistemas políticos nunca são perfeitos e a democracia só o será quando um grau de preparação económica, social e cultural do povo for determinante de uma consciência do direito político individual, e que no momento de acção resulte em vontade colectiva.&lt;br /&gt;Cada novo messianismo na acção política, cada nova ideologia redentora, enche o povo de promessas e mesmo de realizações. Por um momento efémero domina a prole e arrasta os homens na sedução do novo ideal colectivo. A pouco e pouco porém, a vida reflexiva e consciente retoma os seus direitos, a inteligência renova as suas perguntas, e os problemas renascem para a diversidade discutível das várias soluções.&lt;br /&gt;E como o homem angolano nesta fase só concebe a política em termos de ideal absoluto e redentor, e existe na forçosa circunstância de vencido ou de vencedor, a acção pública situa-se em coordenadas de “guerra”, de sentido de revolta ou de defesa a todo o custo.&lt;br /&gt;Ser adversário político é sinónimo de inimigo pessoal. O partidário do poder, olha para os adversários como uma raça diferente, uma espécie de monstros capazes de todos os “crimes”. O adversário do poder, pelo seu lado, olha para os outros como uma tribo estranha, que se apoderou do mando ou de desmando nalguns casos.&lt;br /&gt;O sentimento comum da existência colectiva o conceito de solidariedade, o ideal de uma vida comunitária e irmanada numa obra comum a construir em cada hora, são tropos literários, cuja verdade profunda jaz moribunda.&lt;br /&gt;Até quando poderemos resistir à trágica divisão das pessoas, à triste dialéctica, à partilha do destino humano, na injusta base do vencido e do vencedor?&lt;br /&gt;Este texto é alusivo ao 10 de Dezembro de 2011, num muito MPLA –PT que gosto, mas que tem demasiado MPLA que me desgosta!&lt;br /&gt;À margem disto tudo, só aqui fica o meu derradeiro abraço ao meu amigo e camarada Helder Moura (Dédé) com quem partilhei muita coisa boa em quase quarenta anos . Homem de grande carácter, cultor de amigos, pessoa que se habituou a reagir às adversidades que a doença lhe ia trazendo, com enorme força de vontade e com a calma só possível nas pessoas que sempre estão bem consigo. Vais-nos fazer falta, mesmo que às vezes estivéssemos tempos sem nos encontrarmos, mas quando isso acontecia era sempre um excelente reencontro. À Ana e aos seus filhos os meus sentimentos e orgulhem-se no marido e pai que tão cedo nos deixou a todos.&lt;br /&gt; Fernando Pereira&lt;br /&gt;6/12/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Também partilho a ideia que a Amália é indiscutivelmente a melhor de todas, e ouvi-la em determinadas canções, com poemas de gente notável é quase uma das raras “liturgias” que faço sem reservas.&lt;br /&gt; Isto vem a propósito do fado ter sido muito justamente elevado a património imaterial da humanidade pela UNESCO. Tenho a convicção que foi um bom esforço, revelou trabalho e sensatez por parte dos que muito se envolveram, e passada a euforiazinha continuamos na mossa modorra quotidiana em que “tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado”, e rapidamente nos vamos esquecer, como aliás acontece com todas as distinções que nos fazem um pouco menos infelizes.&lt;br /&gt; Voltamos aos famigerados três Fs (efes) que foram os pilares onde assentou toda a ideologia corporativista em Portugal, depois de se ter estafado até à medula, os Afonsos, os Henriques, Gamas, Cabrais, Albuquerques e um conjunto de gente que de vela içada e brandindo a espada decepavam os infiéis desde a Europa aos confins do oriente.&lt;br /&gt; Fátima continua com o monopólio das peregrinações na Europa do Sul, e com Lourdes tão longe e Santiago de Compostela para outra categoria de peregrinos, não temerá certamente concorrência nos tempos mais próximos, apesar de no quadro da economia da ICAR, “as velas derretem e a massa fica”, que talvez posa indiciar alterações.&lt;br /&gt; O Fado ao alcandorar-se a este patamar vai com toda a certeza melhorar a sua qualidade, proporcionar o aparecimento de um maior número de intérpretes, músicos e compositores. Que não volte o “ O faduncho choradinho/de tabernas e salões semeia só desalento /misticismo e ilusões /canto mole em letra dura /nunca fez revoluções” (GAC- Vozes na Luta ) .&lt;br /&gt; O Futebol pelos dinheiros que envolve, o protagonismo de muitos agentes que em circunstâncias normais ninguém descobria o mínimo de talento ou quiçá alento, os espaços importantes em toda a imprensa e o “arreganho” dos adeptos e sócios permite ao sistema político apaparicar este F (efe) de uma forma enfática.&lt;br /&gt; Só há um detalhe neste F(efe) que ainda não está ao nível do período que antecedeu o 25 de Abril de 1974, e tem a ver com o fim da “combinação” do antanho, o famoso BSB (Benfica, Sporting e Belenenses), superada pela supremacia incontestada da brilhante organização do Futebol Clube do Porto no quadro desportivo nacional e internacional. Demonstra acima de tudo que mesmo com o espoliar por parte de Lisboa do que foi a economia florescente do norte do País, para entregar à especulação financeira e imobiliária de arrivistas de má índole da capital, o Futebol Clube do Porto faz com que de facto o terceiro F não tresande a um regime quase maurrasiano.&lt;br /&gt; Aproveitem e tentem ver o Natal através de um tablet! &lt;br /&gt;Talvez até para o ano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;5/12/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Miguel, o que vai mostrando que há sensibilidade para ir recuperando parte do nosso tangível património histórico. Continuo a olhar com enorme satisfação a reconstrução e adaptação da antiga fábrica de sabão (Congeral) no sopé da fortaleza, que sem dúvida vai enobrecer a cidade e devolver aos cidadãos uma parte de um dos últimos edifícios representativos da paupérrima arqueologia industrial de Luanda.&lt;br /&gt; Cada vez que ali passo vem-me à lembradura o cheiro do fabrico do sabão, que pairava em todos os quarteirões à volta e que se misturava com as conversas em tom de malte altíssimo na esplanada do Baleizão, onde eu enterrava as minhas sandálias num mar de casacas de tremoços e devorava um gelado, onde pela única vez na minha vida vi um sabor de cor azul, que sabia tão bem como os outros. A fábrica de sabão passou para perto da refinaria e  aquilo passou para armazém de frigoríficos, oficina do Pólo Norte do Ferrobilha Guedes, entrando em acelerado estado de degradação, até ter aparecido esta excelente ideia, materializado no que vamos vendo aparecer e crescer.&lt;br /&gt;Havia no Museu Central das Forças Armadas um cartaz em que mostrava uma arma capturada ao exército colonial que dizia:” ...foi capturada na 1ª Região Politico ou Militar”. Eu sugeri que aquilo fosse alterado, mas dois anos depois numa nova visita ao museu lá estava igualzinho, como as estátuas que ornamentavam o pátio interior.&lt;br /&gt;Mudando de agulha em linguagem de ferroviário, a continuada atribuição de prémios por tudo e por nada fez-me lembrar uma experiencia pessoal, que já há muito estava para aqui contar, esperando apenas o momento em que houvesse um hiato na atribuição dos prémios, de forma evitarem-se conotações despropositadas, já que nem sempre acontece o que  vem a seguir. &lt;br /&gt;Tenho uma pequena unidade hoteleira já há bastantes anos, e quando se aprestava para realizar a FITUR (Feira de Turismo de Madrid) recebia uma carta, cheia de dourados e letra em estilo gótico, papel couché, parabenizando-me por ter sido premiado com um troféu de “Qualidade, inovação e desenvolvimento turístico ”. Naturalmente honrado com tamanha distinção, não conseguindo esconder a perplexidade, continuei a ler a carta e dizia que eu teria que estar num dia aprazado num hotel em Madrid, perto da Praça de Espanha, para um jantar com a presença de uma série de “individualidades” e receber o prémio, uma estatueta com uma ave de rapina a encimá-la, parecia-me uma águia. Até aqui estava no limbo (entretanto fechado pela ICAR) mas tudo se desvaneceu quando me pediam cerca de oitocentos dólares. Acabou-se o meu sonho de ser premiado, e a carta foi direitinha para o lixo. Nos dois anos seguintes recebi a mesma “honorável” distinção, e como começava a ficar farto de ser “tão premiado” resolvi telefonar e fazer-me de idiota quase perfeito, dizendo a uma menina que me atendeu que lhes dava o prémio, o tal da águia, o certificado, o convite para o jantar e eles davam-me os oitocentos dólares. A menina esfalfou-se para me explicar o que eu já sabia, que quem tinha que pagar era eu, e resolveu passar a chamada a um superior que devia estar ao lado dela que quase acreditou que eu não estava a perceber nada do assunto. Com esta iniciativa de alguma estultice à mistura vi-me livre desta “off-shore” de prémios que  nunca mais me distinguiu. &lt;br /&gt;Vamos agora ao mais divertido! Passados uns tempos pego num jornal e vejo três insignes dirigentes de um organismo a responderem aos jornalistas sobre a festa de atribuição de um prémio “Qualidade, Inovação e desenvolvimento turístico”, sendo entregue em Madrid no mesmo hotel, a eterna águia a encimar o troféu, o diploma e uma maralha de gente numa foto colectiva. Fui ao baú ver se ainda tinha uma das muitas cartas que recebi sobre o evento, e oh surpresa das surpresas, aquele organismo iscou o prémio. Na altura calei-me porque talvez pudesse ser eu a fazer figura de parvo, mas conto hoje porque se o fizer já pouco importa, a mim ou aos galardoados.&lt;br /&gt;Não tem nada a ver com prémios, mas aconselho a ler o recentemente editado “Puta que os Pariu” de João Pedro George editado pela Tinta-da-china, que é uma magnífica biografia de Luis Pacheco, antigo cronista da “Notícia”, uma das personagens mais fascinantes da literatura e da cultura em língua  portuguesa, um escritor à margem e sem margem e que já aqui trouxe várias vezes e utilizei citações. &lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;28/11/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Penso que em determinada altura nas cartas para o interior de Angola também era obrigado a partilhar o canto superior esquerdo do envelope com as estampilhas do correio. Nos anos setenta ainda se fez na Angola independente um selo com as mesmas características para a “Reconstrução Nacional”.&lt;br /&gt; Numa tertúlia de amigos, dos que gostam de fazer inventários para tentarem comparar o presente e o passado colonial, “obriguei-os” a recordarem-se de um documento que todos nós tínhamos que possuir a partir dos doze anos, que era o “Recenseamento Policial”, medida que terá aparecido no fim dos anos 60. Era um “cartão de residência” com fotografia e que era obrigatório trazer, tendo o meu sido emitido na 8ª esquadra, perto do Largo da Maianga.&lt;br /&gt; A conversa é como a ginguba e a certa altura lembrámo-nos do aviltante cartão de trabalho que todo o serviçal negro  tinha que ter para circular, com a obrigatória assinatura do seu patrão; Muitas vezes, porque o patrão não estava, ou por qualquer outro motivo, o cartão não levava a assinatura e o polícia, ou umas esquisitas brigadas mistas de polícia e OPVDCA (Organização Provincial de Voluntários e Defesa Civil de Angola) uma Legião portuguesa em formato colonial, cangavam o cidadão. Esperavam-no eventualmente umas palmatoadas e uma cela imunda onde tinha que esperar, que o patrão se dignasse ter paciência para o ir buscar, o que permitia todo um conjunto de arbitrariedades, como por exemplo não o fazer  para não lhe pagar o salário de miséria, argumentando que “tinha fugido”, o que dava logo direito a prisão a um cidadão, com contornos no mínimo kafkianos.&lt;br /&gt; Outra das coisas que nunca percebi em Luanda fora os postos de controlo à saída da cidade, os únicos sítios onde se podia passar, já que toda ela esteve de 1961 a 1974 cercada de arame farpado, postos de vigilância com holofotes e patrulhas regulares a pé ou de viatura ao longo do perímetro.&lt;br /&gt; Despercebi sempre se aquela cintura era para evitar que saísse ou que entrasse alguém na cidade. Inicialmente os postos de controle estavam numas casinhotas tipo “casa de cantoneiro”, em frente à prisão na saída para o Cacuaco, ao lado da fábrica da Cuca,a seguir ao cemitério na estrada de Catete, no fundo do ex-Bairro Popular, no que depois foi o Golfe e na Samba, junto a uma imponente Mafumeira no fundo da descida do Prenda, perto do morro da Luz.&lt;br /&gt; Com o tempo e com o crescimento da cidade mudaram os postos e o do Cacuaco passou para perto da ponte do caminho-de-ferro do que poderia ter sido a Linha do Congo, da Cuca para perto da moagem do Quicolo, do Cemitério para o cruzamento da estrada da FILDA, do Bairro Popular para o extremo do Golfe e da Samba para o Futungo. Alargou-se o perímetro do arame farpado, fizeram-se uns postos maiores com um primeiro andar tipo fortim, e não havia ninguém que quisesse entrar ou sair que não fosse inspeccionado e averbada a matrícula e o nome do condutor da viatura.&lt;br /&gt; Uma “cidade em paz”, rigorosamente vigiada dia e noite.&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;22/11/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Mas não havia razão para o fazer porque, na realidade, o Sr. Eng.º Machado Vaz referiu-se à altura do início do funcionamento dessa barragem e eu referi-me, afinal, à data da inauguração oficial. Ambas as datas estavam certas. E eu peço, agora, desculpa de ter pedido desculpa da outra vez ao Sr. Eng.º Machado Vaz.». &lt;br /&gt; Não deixa de ser bizarra a “Censura” proibir a publicação de partes do discurso do “Venerando Chefe de Estado de Portugal do Minho a Timor”.&lt;br /&gt; Por falar em censura, li com muito agrado um livro recentemente editado pela Almedina de José Filipe Pinto, “Segredos do Império da Ilusitania- A censura na metrópole e em Angola”, que é um excelente trabalho de um investigador português que faz um estudo exaustivo da Censura em Angola, principalmente depois da criação do GNP (Gabinete dos Negócios Políticos) órgão criado em 1959 no Ministério do Ultramar, para controlar toda a informação nas colónias, e que em cada uma delas o governador era o responsável mor. &lt;br /&gt; Mais cedo que tarde hei-de voltar ao livro, porque de facto quase nenhum jornalista em Angola escapou ao crivo da censura, salvo algumas excepções que apenas legitimaram a sua má catadura política e ideológica. Releva-se aqui que o major Kokh Fritz, funcionou para os governadores-gerais como uma eminência parda por onde tudo tinha que passar. Um verdadeiro Torquemada, ou um Gobbels de pacotilha, de todo o universo que cheirasse a letras em Angola, desde a imprensa, à proibição de livros ou a actividades culturais diversificadas. &lt;br /&gt; Li o livro de Dulce Maria Cardoso, “O Retorno”, editado pela “Tinta-da-china”, e sinceramente mais do mesmo de um tema, onde ainda não vi uma abordagem coerente, ideologicamente distante e sem a confusão de afectos de quem o viveu e o transporta para a escrita, e daí para o prelo. Um romance feito de lugares comuns de alguém que tem pelo menos alguma honestidade intelectual de assumir que é o reflexo das suas vivencias, despidas de conceitos ideológicos ou discussões sobre o que foi o colonialismo português.&lt;br /&gt; O livro é escrito de forma escorreita e fiquei com a ideia que Dulce Cardoso tem o que vulgarmente se diz “boa imprensa”, já que acaba por se multiplicar em aparições por tudo o que é rádio, tv e jornais, onde deixa transparecer ser uma pessoa simpática e interessante. Há contudo um detalhe determinante: Nem Portugal antes do 25 de Abril de 1974 era como ela descreve, nem Angola era o paraíso que deixou, mas a visão dos 11 anos não foi mesmo a sua aos 46, quando resolveu escrever “O Retorno”.&lt;br /&gt; Costumo dizer que tenho no fundo da minha biblioteca muita tralha deste tipo para a “troca”.&lt;br /&gt; Porque efectivamente a ditadura e o colonialismo aconteceram mesmo, e não há romance que o branqueie, não posso deixar esquecer que fez 75 anos que entrou o primeiro conjunto de presos no Tarrafal em Cabo Verde. Em 29 de Outubro de 1936 entraram os primeiros de muitos que lutaram pela liberdade nos seus Países. Porque temos que habituar as gerações vindouras a serem reconhecidas, acho que aos que por lá passaram lhes devemos mais que um quase circunstancial obrigado.&lt;br /&gt; O Novo Jornal nestas duzentas edições já teve quatro governadores provinciais de Luanda nomeados, e por este andar suplantamos o Granma que já teve onze presidentes dos EUA desde a sua fundação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;15/11/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Tenho cinquenta e cinco e hoje assisto a um dos melhores dias da minha vida, o 11 de Novembro de 2011. &lt;br /&gt;Todos os 11 de Novembro são dias de grande festa e enorme exaltação, nem tanto de patriotismo bacoco, mas acima de tudo de enorme partilha de responsabilidade de ter visto nascer este País, vê-lo começar a andar titubeantemente orgulhoso, passar uma infância mal vivida, uma puberdade algo desorientada, uma juventude de busca identitária e uma idade adulta envolta numa afirmação que só tardiamente encontrou.&lt;br /&gt;A fortaleza de S. Miguel transformou-se há uns anos numa sucata de estátuas. Inicialmente colocaram por lá as estátuas que os colonos polvilharam pela cidade de Luanda, e tipo Lego,algumas partes das que desconseguiram trazer inteiras como por exemplo a de Paulo Dias de Novais, fundador da cidade em 1576, que está em 3DS, pois foi transportada em três fases do local onde estava, em frente à Igreja do Cabo. A estátua de Camões, com um estilo de certa forma travestido, devia ser devolvida à cidade e colocada num qualquer lugar, pois é um poeta importante numa lusofonia onde estamos integrados, mas que alguns não gostem muito que se diga em voz alta. Salvador Correia, Vasco da Gama, Diogo Cão e Afonso Henriques provavelmente vão para um museu porque de facto pouco tem a ver com a nova realidade do País. No caso do Afonso Henriques não deixa de ser paradoxal ter sido uma estátua erigida na cidade, iniciativa de uma subscrição pública promovida por uma direcção eleita da Liga Nacional Africana. Com a certeza que me estou a repetir, acho que a estátua de Pedro Alexandrino da Cunha devia voltar para a peanha em frente aos CTT, já que foi encomendada pelas forças vivas de Luanda em homenagem a um homem que lançou as bases para regulamentar várias actividades da cidade em meados do século XIX, para além de ter lançado melhoramentos que foram indispensáveis para a sua vivibilidade. Para completar  colocaram  recentemente a estátua da Rainha Ginga, que pelo menos livrou-se do pedestal desarmonioso onde a puseram no largo sobranceiro ao mais emblemático edifício de Angola, hoje desaparecido, o mercado do Kinaxixe, projecto de Vieira da Costa.&lt;br /&gt;O engraçado da colocação aleatória das estátuas no estatuódromo, foi o Afonso Henriques ficar ao lado da rainha Ginga e olha-a de certa forma embasbacado, enquanto o Salvador Correia fá-lo de forma desconfiada. O Diogo Cão e o outro que o segura, que nunca soube quem era, continuam de costas para o cenário situação a que já estão habituados pois estão assim há trinta e cinco, numa posição que dá ideia que pouco se importam com o que quer que seja, e com o muito que se vai passando na cidade.&lt;br /&gt;Este 11 de Novembro é a cada ano que passa uma data que nos fez sentir úteis, porque de certa forma andámos com este País ao colo, e sentimo-nos uma parte dele, e por isso tantas vezes nos chateamos e discutimos tanto por sua causa, pois gostamo-lo muito.&lt;br /&gt;Se algumas vezes parece que estamos próximos da estrofe dos Lusíadas que abre o texto, logo sobrevêm a outra alegria, a de partilharmos os “11 poemas em Novembro”, do Manuel Rui Monteiro, indiscutivelmente o poeta da nossa “dipanda”!&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;7/11/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/--t3E4s4P1Y4/TrrU2dADD4I/AAAAAAAACWE/GfaYQvmQIcY/s1600/49132_100000235996178_4309_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="52" width="200" src="http://1.bp.blogspot.com/--t3E4s4P1Y4/TrrU2dADD4I/AAAAAAAACWE/GfaYQvmQIcY/s320/49132_100000235996178_4309_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando a nossa festa s'estragou&lt;br /&gt;e o mês de Novembro se vingou&lt;br /&gt;eu olhei p'ra ti&lt;br /&gt;e então entendi&lt;br /&gt;foi um sonho lindo que acabou&lt;br /&gt;houve aqui alguém que se enganou”&lt;br /&gt;José Mário Branco (Eu vim de longe)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Recordo com saudade um PREC nunca esquecido, e que os tempos seguintes foram transformando numa cabala de proporções enormes, que ainda hoje vai prevalecendo como verdade em muita gente que tampouco viveu esse período entusiasmante da sociedade portuguesa.&lt;br /&gt; O 25 de Novembro de 1975 marca a derrota clara da esquerda militar, empurrada que foi para uma aventura golpista sem objectivos claros, mas não foi a derrota do 25 de Abril de 1974 como muitos então saudosos do salazarismo assim o desejavam.&lt;br /&gt; O PREC (Processo Revolucionário Em Curso) emerge no 11 de Março de 1975, data em que uma tentativa de golpe spinolista é travada, e inicia-se um período de nacionalizações de múltiplos sectores da sociedade portuguesa, que curiosamente hoje a maioria das pessoas acha que deveriam permanecer na mão do estado, e a sua privatização é o definitivo entregar aos sucessores do xerife de Nothingham, na versão caseira dos montes Hermínios. &lt;br /&gt;Os governos neo-liberais que governam o País nas duas últimas décadas dedicaram-se a desbaratar esse conjunto de empresas que foram nacionalizadas em 1975, como forma de evitar que as “sete famílias” que dominavam economicamente Portugal atrofiassem e boicotam-se as “conquistas de Abril”, a caírem infelizmente no baú das recordações, e nas palavras de ordem das cada vez maiores manifestações de rua.&lt;br /&gt;Hoje quando vou ouvindo algumas opiniões particularmente dos “senidores” da democracia como é o caso de Cavaco, Soares ou Almeida Santos, e quejandos, fico com a sensação que são alienígenas, pois acho que nunca estão ou estiveram em lugares de responsabilidade e que o Varas, Loureiros, Oliveiras, Coelhos, Melancias e outros seres que povoam o mundo vegetal e animal, nunca foram seus companheiros de estragos.&lt;br /&gt; Quando recordo Vasco Gonçalves e um conjunto de militares de Abril voluntariosos na vontade de contribuir para a elevação económica social e cultural dos cidadãos do País, e vejo quanto foram aviltados na sua dignidade, sem que alguém pudesse dizer que esta gente se aproveitou do lugar para benefício pessoal, de familiares próximos ou comanditas que regem a partidocracia reinante desde as estruturas autárquicas ao poder central passando por todo um conjunto sinuoso de patamares, alguns deles fechados a sete chaves e inacessível ao obscuro objecto de certos desejos.&lt;br /&gt; Não sei bem porquê mas veio-me à lembradura o tipo que faz um biscate numa casa e enquanto vai fazendo o trabalho, com uma loquacidade espantosa vai desferindo em todos os sentidos, “contra os aldrabões que nos governam”, “faz falta aqui um Salazar”, “ Querem ir para lá para se abotoarem”, “cambada de vigaristas” e por aí fora. Acabado o trabalho pedes-lhe a “venda a dinheiro” e ele vocifera como lhe estivesses a fazer o maior insulto: “Você tem que me pagar o IVA, mas se eu soubesse que queria factura levava-lhe mais, porque este ano já tive que passar umas poucas e levo com o aumento de imposto no fim do ano, para dar de comer a estes vígaros”.&lt;br /&gt; Talvez os culpados fossem mesmo os do 25 de Abril de 1974, porque afinal depois deles entregarem isto aos politiqueiros o País vai de vento em popa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira                                              7/11/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Somos independentes, mas não seremos socialistas, pelo andar da carruagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história que vou contar passou-se comigo recentemente num bar numa cidade portuguesa, e reflecte um pouco a selectividade com que o desfiar da memória está cheia de perversidade junto de gente que não viveu o antes de Novembro de 1975. O bar estava “composto” e um tipo preto com a bandeira de Angola ao peito e ia provocando as pessoas sem que ninguém lhe dissesse o que quer que fosse, porque vem sempre da pior forma o estigma do racismo de sinal contrário: Não dizer nada porque “é de cor” e é chato! Eu a certa altura levantei-me e disse-lhe: “ Acaba mas é com a palhaçada, que ainda por cima tens aí uma bandeira que merece respeito, e que custou o sacrifício de muita gente”; o tipo olhou-me e diz-me: “Oh Kota, e que tens tu a ver com isso, também te sacrificaste?” Eu, tomando em parte dores de parto alheio disse-lhe que “por acaso até me sacrifiquei para te dar um País”, e ele acto contínuo respondeu-me: “ Boa merda fizeste”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que esta conversa deixou-me siderado, porque era um rapaz com cerca de trinta anos, e tudo o que podia saber para comparar só porque alguém lhe contou, de forma enviesada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco importa para o caso, porque digo sem qualquer rebuço que o angolano vive indiscutivelmente melhor hoje que vivia no tempo colonial. Alguns dos que me lêem vão dizer que ensandeci definitivamente tal a forma peremptória como reafirmo que a Angola de hoje é para o angolano um espaço de vida e de liberdade bem melhor que no “tempo do colono”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hão-de vir os muitos que se foram esquecendo que já no período final do tempo colonial em Luanda havia um documento chamado cartão de residência, passado nas esquadras da polícia dos bairros e obrigatório que qualquer pessoa o trouxesse consigo, assim como um documento de trabalho que era aviltante para o cidadão, que no caso de não o possuir ia bater com os costados na cadeia, até que o patrão o fosse libertar, ou dar-lhe a carta de alforria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que não vou recuar aos tempos da vigência do Acto Colonial, nem a tudo que foi acabando no fim dos anos cinquenta por imposições de revoltas, que tiveram visibilidade internacional e obrigaram as autoridades portuguesas a fazer concessões, muitas das quais apenas no campo da retórica e da cosmética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou falar do tempo colonial, porque na realidade já passou, e ainda bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os angolanos depois de tantos anos a andarem à “porra e à massa”uns contra os outros acabaram por começar a construir uma nação, num quadro de diversidade, num estado com instituições e acima de tudo a encararem o futuro com redobrada confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me estou a violentar por estar a escrever este quase panegírico à Republica de Angola, porque o que vamos assistindo um pouco por todo o País é um trabalho de recuperação de infra-estruturas excelente, a dotação de meios indispensáveis à melhoria das condições sociais da população, nomeadamente nos campos da saúde e da educação. Já aqui tenho discordado da forma como muitas vezes tem sido feitas determinadas estruturas, e não concordo com as decisões que por vezes são tomadas em relação a algumas questões, mas não se pode deixar de reconhecer que tem havido empenho para que muito tenha emergido neste início de século no País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, mas a corrupção, o enriquecimento desmesurado de gente ligada a determinados círculos, a opacidade das decisões em estruturas governativas e empresas estatais, a pouca eficiência da justiça ou a falta de liberdade de imprensa, também merecem profunda reflexão e fazem parte da evolução da democracia, da integração de jovens quadros licenciados em Angola ou no exterior e uma cada vez maior participação em movimentos cívicos de defesa de valores que já nada tem a ver com o longínquo 11 de Novembro de 1975.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior parte da população de Angola já não viveu o passado colonial, e se mostra alguma nostalgia é porque quem conta teve que fazer um exercício selectivo de memória para objectivamente transformar esse período numa realidade edénica, algo que nunca foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também é com essa realidade de gente que em 11 de Novembro de 1975 não tinha nascido ou estaria na infância ou adolescência, que se exige um futuro diferente para o País, e também urge que acabem alguns estigmas que pontualmente são utilizados de forma oportunista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto muito da Angola independente, e acima de tudo entusiasma-me ver o muito que se faz e que tem pouca visibilidade no exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É indispensável que a afirmação ideológica regresse ao País de forma a libertar as novas gerações do fantasma de um passado que pouco tinha a relevar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31/10/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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É um trabalho notável em que mais uma vez o diário espanhol mostra por que é um dos grandes jornais do mundo.&lt;br /&gt;É um dos poucos jornais que leio com redobrada atenção, pelo rigor da informação, a isenção dos seus artigos de opinião e a credibilidade que o estatuto do jornal transmite desde a sua fundação em quatro de Maio de 1976, logo a seguir ao desaparecimento do ditador Francisco Franco, marcando o início da abertura política que levou á democracia constitucional espanhola.&lt;br /&gt;Este trabalho sobre as crianças roubadas às famílias dos republicanos, que entretanto foram fuzilados, é uma questão candente na Espanha actual, com traumatismos enormes no seio da sociedade. Há familiares do primeiro-ministro Zapatero nestas circunstâncias, já que o seu avô foi vítima dos algozes do franquismo.&lt;br /&gt;Conviver com a memória tem sido difícil para os familiares nos mais de setenta anos do fim de uma das guerras mais sangrentas que a história viveu, e quando assistimos ao derrube das emblemáticas estátuas do franquismo, vemos que foi necessária coragem e acima de tudo maturidade cívica e democrática para que tudo esteja a ser feito sem convulsões de maior numa Espanha de excessos e profundamente católica. Tive o privilégio de ter assistido em Santander, ainda que por casualidade, o arriar da última estátua equestre de Franco em toda a Espanha. Todos os que assistimos a esse evento numa pequena praça não muito longe da catedral fizemo-lo quase em silêncio, num qualquer exercício catártico em memória dos que foram barbaramente assassinados pela “falange”.&lt;br /&gt;O El País é uma referência obrigatória para todos os jornais e jornalistas, pois sempre conseguiu a objectividade e a independência no tratamento da informação, escolhe os seus colaboradores numa base rigorosa de qualidade e nunca foi bandeira de causas que o pudessem transformar num panfleto, onde muita imprensa cai quase sem se dar conta.&lt;br /&gt;Fiquei particularmente desapontado com a atribuição à escritora Maria Eugénia Neto o Prémio Nacional de Cultura e Arte, edição 2011, na categoria de Literatura, não conseguindo encontrar uma justificação qualitativa para galardoar a sua obra, com tão honrosa distinção.&lt;br /&gt;Naturalmente que a subjectividade da minha opinião tem o valor que lhe quiserem dar, mas de facto continuo a pensar que um prémio de literatura devia ser outorgado a um escritor que tivesse um percurso de obra mais multifacetado como por exemplo Arnaldo Santos ou Carlos Ferreira (Cassé), entre alguns outros que há muito emergirem com qualidade nas letras angolanas.&lt;br /&gt;Talvez não tenha nada a ver com isto, mas recordei-me de uma entrevista de António Jacinto do Amaral Martins (1924-1991) a Michel Laban (1936-2008) em 1988: “Nos anos 50, quando começámos o tal movimento dos Novos Intelectuais, de romper com a tradição – já não vamos dizer portuguesa, mas a tradição da literatura que se fazia, foi fácil, muito fácil para mim, enveredar por aquele caminho: eram realidades que eu conhecia muito bem… Eu conheci a vida dos contratados, conhecia a situação dos camponeses no interior, de modos que não houve necessidade nem de fazer pesquisa, nem de fantasiar: era a pura realidade que conhecia”.&lt;br /&gt;Como contista usou o pseudónimo de Orlando Távora e foi, também, um nome destacado da geração “Mensagem”. Ainda o poeta, a Michel Laban:&lt;br /&gt;(…) já eram mais posições políticas do que verdadeiramente literárias. Até porque, na altura, eu e outros nos considerávamos escritores muito medíocres, poetas medíocres, mesmo principiantes… O que era preciso era dar uma mensagem política. Os meios? O que era acessível era a poesia: então, pois, seria a poesia. Se houvesse outra possibilidade seria outra… (…).&lt;br /&gt;Às vezes temos que nos lembrar que não podemos olhar só para o nosso umbigo, ou colocar lá um diamante para que nós e tudo que nos rodeia olhemos para o mesmo sítio. Quando não partilhamos as críticas de José Agualusa a Agostinho Neto, por muitas razões, pelas que apontou António Jacinto, temos que ser mais assertivos nas nossas opções para evitarmos que “Na floresta outros bichos falem de cor”!&lt;br /&gt;“Sincere words are not eleegant; elegant words are not sincere” Lao Tse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;23/10/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Este livro é muito intenso, pesado, e por vezes cruel, descreve as relações humanas levadas ao seu máximo, a resistência física e moral de cada pessoa, as suas virtudes e os seus podres, mas faz-nos pensar também naquilo que realmente somos, na hipocrisia que está dentro de nós sem sabermos e no que nos poderemos tornar em situações de extremos como são as que acontecem no livro. Espero que ao reler este livro daqui por vinte e cinco anos, ainda consiga lembrar-me das emoções contraditórias que senti nesta revisitação a Mailler.&lt;br /&gt;Por falar em Mailler, nunca deixem de ler o “Fantasma de Harlot”, e aí perceber-se-á que nunca andámos sozinhos em lado nenhum, “os olhos e ouvidos do rei” continuaram sempre organizados, conspiram e respiram nas costas de quem ouse, ou de quem eles ousem pensar, que há alguém que quer usurpar o poder, a quem se julga no direito absoluto de o possuir e controlar.&lt;br /&gt;Depois deste início em volta de Norman Mailler (1923-2007), vou-vos falar de um verdadeiro cão de guerra, Bob Denard (1929-2007)&lt;br /&gt;Há muita tralha em forma de livro do “coronel” Bob Denard, presença constante em muitos cenários de golpes de estado, rebeliões, tentativas de ocupação de territórios e lutas contra qualquer movimento de tendência socialista em África. De sargento lateiro na Indochina francesa, este transformado em “coronel” Bob Denard, o ícone do mercenário durante a segunda metade do século XX.&lt;br /&gt;Era catraio e lembro-me de o ver sentado na esplanada do Arcádia ao pé do BNA, com a cara entrapada por causa de um estilhaço que o obrigou a recuar para Luanda em 1965/66, depois de ter instalado no Zaire uma rebelião de catangueses contra Mobutu, a quem ajudou a chegar ao poder. Com o belga Jean Schramme, tomam Lumumbashi e Bukavu, na fronteira com o Ruanda, mas entretanto há um corte entre os dois grupos e quando Denard vem a Kasai, na ponte do rio Luau um oficial português recebe-o com grande aparato militar, tenta estabelecer contactos de forma a permitir que os reabastecimentos continuem, como lhe foi prometido por Salazar, presume-se através de Jorge Jardim. O que aconteceu e que ficou conhecido pela “Invasão das Bicicletas”, foi uma fracassada operação militar conjunta da PIDE e serviços secretos franceses e sul-africanos, e que na realidade o único material que conseguiu levantar de Saurimo fora alguns mantimentos para apoiar tropas cercadas, algumas armas e muitas bicicletas, numa operação que ao tempo custou 3.500 contos. Schrammer e 42 mercenários, alguns gendarmes katangueses acabaram por sair de Bukavu e acoitaram-se no Rwanda sob a protecção da Cruz Vermelha Internacional em 1967.&lt;br /&gt;Bob Dénard saiu de Angola para a então Rodésia, tendo com os bons auspícios e protecção do governo colonial de Salazar organizado o apoio ao regime secessionista do Biafra na luta contra o poder da Nigéria. A passagem por S. Tomé ainda é perpetuada no aeroporto pelas carcaças de aviões abandonados e hangares destruídos. &lt;br /&gt;O seu périplo de golpes sucediam-se, entre 1969-1971 ao serviço de Omar Bongo na fronteira com o Congo- Brazaville,em 1974 no Curdistão contra os Iraquianos, em 1976 na Mauritania e ei-lo nesse mesmo ano no Rundu na Namíbia ao serviço da UNITA, na luta contra as FAPLA e o efectivo cubano. Com o apoio da CIA e dos Serviços Secretos franceses, Dénard recruta 35 “conselheiros técnicos”. 10 vão aterrar em Cabinda e dar apoio à FLEC, 25 engrossam as forças da UNITA no sul de Angola. Não se sabe exactamente qual foi o papel que teve, já que o sucesso então pareceu ser muito limitado. Em 1977 tenta no Benim um golpe de estado para derrubar o presidente Ahmed Kérékou, mas foi uma operação tão desastrada que no terreno ficam os documentos que comprovavam o que há muito se sabia: O envolvimento eterno dos Serviços Secretos franceses com Bob Denard. Em 1981 apoia a organização da guarda pessoal do golpista Hissene Habré no Tchad e de 1979 a 1989 continua a fazer golpes e contra-golpes nas Comores, repetindo o de 1975. Em 1995 já com 66 anos Denard faz o ultimo golpe nas Comores, mas os franceses já estavam cansados dele e “os boinas verdes” gauleses obrigam-no a negociar os termos do seu regresso a França, onde acaba por viver os seus últimos tempos, e apesar de julgado e condenado por crimes vários morre em Paris depois de um longo período de sofrimento com a doença de Alzheimer. &lt;br /&gt;De 1948 na Indochina às Comores em 1995 Bob Denard foi um facínora, uma lenda, um soldado, um combatente, um oportunista, um tipo que só via dinheiro, um homem de convicções de direita, mas na realidade é que terá sido o mercenário mais famoso dos tempos modernos.&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;15/10/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Três. Fardados de azul. De escudo a tiracolo e&lt;br /&gt;viseira erguida.&lt;br /&gt;    O juiz pôs a touca com um pequeno jeito de mão direita. Afirmou&lt;br /&gt;    - Levante-se o queixoso.&lt;br /&gt;    O queixoso estava deitado. Não se levantou.&lt;br /&gt;    - Tem alguma coisa a acrescentar quanto à sua arguição contra os&lt;br /&gt;réus? - Insistiu o juiz, dando outro pequeno jeito na touca.&lt;br /&gt;    O queixoso nada disse. Continuava deitado.&lt;br /&gt;    - Dadas as circunstâncias atenuantes e outras, declaro os três réus&lt;br /&gt;inocentes. O queixoso demonstra à sociedade ser provocador. E&lt;br /&gt;silencioso. Revolucionário alterante de ordem estabelecida.&lt;br /&gt;Destabilizador da liberdade em segurança. Que os réus, absolvidos, se&lt;br /&gt;retirem. Em segurança e liberdade.&lt;br /&gt;    Os três réus perfilaram-se. Fizeram a continência com a mão direita.&lt;br /&gt;E saíram. Pela porta da direita.&lt;br /&gt;    Saíram os meirinhos. Pela porta do fundo.&lt;br /&gt;    E também o juiz. Já sem touca. Pela porta da frente.&lt;br /&gt;    Saíram todos.&lt;br /&gt;    O queixoso não. Estava deitado, como já tive oportunidade de&lt;br /&gt;informar. Com cinco tiros no baixo-ventre. E morto.”&lt;br /&gt;Mário Henrique Leiria&lt;br /&gt;Já não é a primeira vez que me socorro do MHL para ilustrar qualquer coisa que às vezes anda no ar, mas que não temos as palavras escorreitas para a definir com precisão. Fica mais uma deliciosa história do “Gin Tónic” para lembrarmos o quotidiano.&lt;br /&gt;Uma das efemérides da semana transacta foi a passagem do quadragésimo quarto aniversário do assassinato de Che Guevara. Como bem dizia uma amiga: “Não o mataram, semearam-no”!&lt;br /&gt;Li o último livro do António Lobo Antunes, “Comissão das Lágrimas”, e digo apenas: foi um esforço ciclópico conseguir acabá-lo. Só o tema sobre as vicissitudes de uma ex-guerrilheira do MPLA envolvida no 27 de Maio de 1977, fez com que não o tivesse largado quase no primeiro terço. &lt;br /&gt;A fase actual do ALA enquanto romancista e “opinador” gera justificadas reservas, muito longe da aura do fim dos anos setenta do século passado, em que era uma das minhas referências primeiras no conjunto dos escritores de língua portuguesa, mas este livro era portador de algumas expectativas que podiam revelar-se interessantes, que só acabaram por justificar o que há algum tempo “dispenso” da sua obra.&lt;br /&gt;Os três primeiros livros que publicou numa pequenina editora, a Vega, surgida duma “dissidência” da Assírio e Alvim, a partir de 1979, “Memória de Elefante”, “Os Cus de Judas” e “Explicação dos Pássaros”, colocaram-no num pedestal tão elevado que nesta duradoura fase tem-no mantido perigosamente periclitante. Muitos dos seus livros e crónicas de outros tempos estão sublinhadas e são referências importantes numa forma idiossincrática de ver o mundo e a vida como me agradava. Os seus últimos trabalhos são penosos, e este livro é capaz de ter sido o ultimo que leio para evitar desiludir-me de forma irreparável o que não desejaria que acontecesse.&lt;br /&gt;A meio dos anos sessenta a “Notícia”, uma revista referente no bom jornalismo que se fazia em Portugal e colónias, tinha uma colaboradora de grande qualidade, Natália Correia. Nessa revista, em que muitos dos seus exemplares são disputadíssimos em leilões de publicações, muita gente comprava-a pela qualidade dos trabalhos dos seus colaboradores. Dificilmente nas letras portuguesas houve alguma publicação que tenha tido colaboradores tão bons como um Pedro Tamen, Herberto Helder, Luis Pacheco, Mário Cesariny, Ernesto Lara Filho, Natália Correia e tantos outros, que no tempo do Charrula de Azevedo e do Manoel Vinhas transformaram uma revistinha de uma provinciana Luanda num espaço de cultura.&lt;br /&gt;Já que se fala de cultura e escritores, leiam o último do Pepetela, “ A sul, o sombreiro”, porque é realmente cativante, na linguagem “gingada” que o autor já nos habituou, mesmo para falar de um período da história de Angola e de um Cerveira Pereira, que provavelmente o melhor que tinha e quiçá o mais confiável era o ultimo apelido.&lt;br /&gt;Jorge de Sena observou um dia sobre os portugueses, que se adapta na perfeição aos angolanos: "O nosso mal, entre nós, não é sabermos pouco; é estarmos todos convencidos de que sabemos muito. Não é sermos pouco inteligentes; é andarmos convencidos que o somos muito".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;9/10/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Joaquim Namorado, um homem que só no ocaso da vida teve direito ao lugar de catedrático que o “Estado Novo” do “velho” usurpou de forma soez, obrigando-o a recorrer durante décadas ao expediente das explicações, intervalando com umas estadias pelos calabouços da PIDE.&lt;br /&gt; Alentejano de gema, resistiu sem vacilar e sem alterar o seu compromisso político que pela relevância do seu percurso cultural na Vértice, e em associações de carácter cultural na Figueira da Foz, promoveu o seu município nos anos oitenta um concurso literário com o seu nome, atribuindo um prémio pecuniário irrisório perante a dimensão do homenageado e até premiados. Neste século um arrivista da política, que de “namorado” só se terá reconhecido no seu perfil narcísico quando desfolha a “Caras” ou revistas do tipo, decidiu pura e simplesmente acabar com o referido prémio. Pedro Santana Lopes, que até já foi primeiro ministro de Portugal (!!!) substituiu “Prémio Joaquim Namorado”por foguetório para animar a populaça a banhos na Figueira da Foz.A quem colocou Chopin a tocar violino não se podia exigir mais!&lt;br /&gt; Somerseth Maugham gostava de dizer que um dos aborrecimentos da vida é ser mais fácil abandonar os bons hábitos que os maus. A grande qualidade contemporânea da maioria da classe política que vai polvilhando a administração local e central é a sua falta total e absoluta de sinceridade. Maus hábitos começam a transformar-se cada vez mais em farsantes e o que acaba por ser ainda mais deprimente, é que a maioria das pessoas também acaba farsante porque acredita no que dizem e nunca fazem, argumentando e jurando a pés juntos que não acreditam neles. Como dizia outro farsante Oscar Wilde, “um pouco de sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal” . É isso!&lt;br /&gt; Contudo não se deve confundir classe política com a política, ou com a discussão política e as ideologias, por mais pueris ou idealistas que pareçam. Voltou a ouvir-se insistentemente os velhos clichés de outros tempos em “que a minha política é o trabalho”, “os políticos são todos uma merda” ou “a política não dá pão a ninguém”, etc. A realidade é que há politiqueiros que se fazem na politiquice, ganham o pão e querem que as pessoas achem que sem eles a terra não gira e o sol nunca aparece! Foi essa retórica, ou parecida que fez florescer as ditaduras e democracias travestidas de conceitos neoliberais, por isso olho sempre com reserva esse léxico. A desilusão acumula-se quando participo em sessões ou jantares de cariz partidário e ouço a maior parte dos intervenientes, onde faltam ideias e sobra cada vez mais intriga pessoal sobre o desmando de certos mandos.&lt;br /&gt; Jorge de Sena, na sua angústia perpétua, na longa distância do exílio onde os tiranetes parecidos com alguns que por aí andam, o colocaram disse: "O nosso mal, entre nós, não é sabermos pouco; é estarmos todos convencidos de que sabemos muito. Não é sermos pouco inteligentes; é andarmos convencidos que o somos muito".&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;10-10-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Partilha esta opinião de que homem músico, artista plástico e arquitecto são tudo o mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André - Não, de modo algum! Hoje a arquitectura, mais do que desenho, ela é a maior expressão das artes, na medida em que engloba não só o desenho das claves musicais expressas nos traços do arquitecto, mas também o teatro através da expressão, às vezes dramática ou alegórica tão comum a alguns edifícios na cidade, a dança, graças aos movimentos circulares (Niameyer) patentes na geometria descritiva, fonte inesgotável do acto conceptual. Mas ela vai mais longe, pois corporiza as artes plásticas que, mercê das formas e da estrutura cromática dos tons, se interligam com as cores dos interiores e exteriores das habitações, produzindo estados de espírito que vão desde a tranquilidade, ao desequilíbrio emocional, da energia à depressão, enfim, ao estado de entrega a novas actividades que geram saúde, disposição para a vida, predisposição para o amor e para a arte. O arquitecto é um gestor de vazios e silêncios, capaz de fazer surgir uma obra notável, num espaço onde antes apenas reinava impune, a subtileza do silêncio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2-O AM acompanhou o crescimento de Luanda nos últimos sessenta anos, e simultaneamente foi actor e espectador de transformações sociais que houve neste período. Ajude-nos a perceber este crescimento no olhar de um arquitecto e simultaneamente agente cultural e político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André-Luanda tinha duas opções no período pós-independência, a saber, uma primeira, que seria permanecer estruturalmente como era e, de forma multidisciplinar, definir critérios para a avaliação e preservação da sua história construtiva, valorizando a sua qualidade maior que seria a prestação de serviços sustentados pelas potencialidades turísticas que sugerem a ilha, a baía e uma marginal como a nossa; e a segunda, ser intervencionada na base da actualização do plano director da cidade, à época, gerando novas centralidades - aqui entendidas como núcleos autónomos, potenciados pelas necessidades essenciais dos seus habitantes. Infelizmente o advento da guerra precipitou um conjunto de situações que levaram às actuais sobrecargas a que a cidade está submetida, inviabilizando quaisquer programas de estruturação da mesma, não obstante os processos evolutivos levados a cabo pelo Governo e que me parecem notáveis e verificáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3-Quando perspectivamos uma cidade, fazemo-lo num contexto de ser a melhor possível para o quotidiano de vida dos seus cidadãos. No contexto actual atrevo-me a dizer que pior é impossível. È irreversível alterar o quadro geral da “desorganização” da cidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André - A caracterização é sua! Mas não me parece que seja irreversível o actual quadro da cidade. Pode levar algum tempo, mas não a creio impossível. A imagem da cidade ou da província é sempre o resultado da organização funcional de cada um dos seus municípios. Qualquer cidade que consiga vincular os seus municípios a programas executivos claros, tendo como pressupostos da sua acção questões como: o saneamento básico, a segurança, a saúde, a educação, o entretenimento, espaços verdes estruturados em parques e praças (evitando deste modo os grandes níveis de impermeabilização dos solos), a autoridade e os serviços públicos desconcentrados, para gerar emprego com a componente de uma maior proximidade dos serviços aos seus munícipes, têm possibilidades inimagináveis de sucesso. &lt;br /&gt;Outro dado fundamental é a interligação viária de cada um dos municípios com o resto da cidade (grandes eixos) como forma de incremento da mobilidade tornando-se naturalmente numa cidade desanuviada, organizada, e regularizada sob o ponto de vista funcional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4-O contexto da cidade de Luanda deve ser encarado como uma cidade africana, em todos os seus vectores culturais e económicos, incrustados nas relações que se estabelecem entre os seus habitantes. Mas todas as cidades em qualquer parte do mundo têm o chamado centro cívico, que Luanda já teve no tempo colonial, mas que foi perdendo com o tempo. Não seria um bom começo, para o que ainda se pode vir a fazer pelo ordenamento da cidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André - O conceito de centro cívico, característico das cidades radioconcêntricas como Luanda, tinha subjacente a ideia da concentração num local da cidade de um conjunto de serviços de prestação de assistência ao cidadão, que, no caso em apreço, seria a Mutamba! As tendências (linhas) de evolução facilmente observáveis na cidade, conduzem-nos a uma nova interpretação da mesma: A cidade deve criar núcleos habitacionais sim, interligados sob o ponto de vista da malha viária, mas autónomos sob o ponto de vista funcional, gerando, concomitantemente à habitação, infraestruturas necessárias e níveis de proximidade dos serviços que contribuam para fixação das pessoas nos seus locais de habitação. A cidade é o grande palco cujos actores e artistas somos todos nós, por isso tem que ser vivenciada com criatividade pelos seus cidadãos com alegria e satisfação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5-Luanda hoje é uma cidade engarrafada, e as soluções para a circulação e estacionamento das viaturas são esquecidas, quando os prédios cada vez mais altos invadem o centro da cidade. Nas sociedades modernas tirar automóveis do centro das mega-cidades transformou-se quase numa fobia. Porque é que cada vez mais continuamos a construir prédios altos e espelhados, e no que deviam ser parqueamentos, temos que colocar geradores enormes e grandes centrais de ar-condicionado, com todos os nefastos efeitos ambientais decorrentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André - O erro, salvo melhor opinião, não estará nos edifícios altos, desde que controlados os níveis de impermeabilização do solo pelo excesso de betão ou de asfalto. Uma cidade sufocada por habitações degradadas, com um núcleo urbano tão pequeno como o de Luanda, tem que gerir e rentabilizar da melhor forma possível, o espaço que possui. Daí que a construção em altura seja naturalmente recomendável sem descurar a qualidade estética e projectual da sua edificação. Só que este pensamento deve, concomitantemente, propicar como política de Estado, a circulação pedonal - enquanto acto de socialização e de saúde pública - zonas verdes na envolvente do edificado em altura, para contrapor os efeitos da incidência solar sobre o betão, gerador de ondas de calor que contribuem para o aquecimento global da cidade. &lt;br /&gt;Finalmente, parece-me sensato e recomendável, um maior rigor na aplicabilidade da lei que obriga a criação de estacionamento subterrâneo ou em altura no edifício (nalguns casos vem sendo feito), como princípio conceptual do próprio projecto, o que permitirá libertar a cidade dos actuais níveis de tráfego, gerando espaços que previlegiem o ser humano e a humanização da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6- Na ausência de um Plano Director Municipal, de Planos de Pormenor, de zonas classificadas, de uma catalogação recente de Monumentos Nacionais ou Imóveis de Interesse Local, e outra legislação, que instrumento tem sido usado para a contínua descaracterização da cidade, algo que já vinha do tempo colonial e que o actual “boom” económico só veio a evidenciar de forma negativa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André - O Governo criou um instrumento (IPGUL) que, repensado, transformar-se-á num instrumento essencial à cidade e à Província. Entretanto, a opção tem sido o recurso aos planos de urbanização, como aconteceu agora com os bairros do Sambizanga, Bairro Operário e Cazenga, com soluções integradas no sistema viário para garantir maiores níveis de mobilidade urbana. Esta acção permitirá manter algum nível de controlo sobre o processo evolutivo da cidade, recenseando cidadãos, integrando zonas degradadas no espaço urbano, tirar cidadãos da clandestinidade conferindo-lhes cidadania, levar espaços e praças verdes como alimento à sede inesgotável de comunicção (que persiste como cultura nos musseques), controlar e combater o desemprego, a criminalidade, apostar na segurança e no incentivo a ciência e tecnologia através da vulgarização da internet garantindo assim conhecimento, cultura e qualidade de vida. &lt;br /&gt;Por outro lado, far-se-á, de forma equilibrada, o aproveitamento de um espaço ímpar (musseques) para o crescimento e dignificação do cidadão e da cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7-Não seria oportuno que se criasse com carácter de urgência para Luanda, algo do tipo “Sociedade de Reabilitação Urbana”, de forma a fazer rápido o que qualquer cidade tem que ter para se tornar local de vida e não um lugar de sobrevivência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André- Em minha opinião, os movimentos cívicos são sempre muito importantes, pois dão-nos não só a percepção da real massa crítica da sociedade, mas também a possibilidade de melhor nos percebermos das opções dos cidadãos na procura da satisfação das suas necessidades. E neste particular, considero o exercício democrático da adopção do conceito da gestão particpativa das cidades, uma solução aplicável conduzindo a bons resultados na medida em que os cidadãos tomam contacto com as grandes acções a que o Estado se propõe, podendo contribuir, de forma positiva, para o enriquecimento da vida e da funcionalidade da sua comuna, município ou cidade, reforçando em definitivo o sentido de cidadania e o espírito democrático que subjaz à postura do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8-É ainda possível construir uma cidade com transportes públicos a funcionar, um equipamento escolar e de saúde acessível a um conjunto significativo de cidadãos, parques onde simultaneamente se estimulasse o convívio e o lazer dos moradores, estabelecimentos comerciais, serviços públicos, em síntese, algo que do tipo do que foi dito na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2000 que diz:” A cidade é um habitat humano que permite com que pessoas formem relações umas com as outras em diferentes níveis de intimidade, enquanto permanecem inteiramente anónimos”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André- Sem dúvida. Nós temos no País velhas vilas coloniais a que chamamos cidades. Em minha opinião, precisamos/devemos intervir com planos estratégicos de desenvolvimento, aproveitando o facto de as nossas cidades se terem desenvolvido muito pouco, para gerar um novo conceito "de cidade", consubstanciado numa educação que tenha como base a ciência e a tecnologia, a cultura, a promoção e defesa do meio ambiente, através da preservação da pujante natureza de que somos portadores, atendendo à transversalidade desta matéria. É igualmente importante fomentar a criações de novos postos de trabalho como factor de fixação dos cidadãos nos seus locais de habitação, assim como a mobilidade, a segurança, o bem-estar social e a circulação pedonal que torna permeável a socialização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9- Porque isto é uma entrevista “sem rede”, em que o AM se disponibilizou a responder a tudo, posso perguntar-lhe que sentiu um arquitecto quando deitaram abaixo o Palácio D. Ana Joaquina, os Coqueiros, o mercado do Kinaxixe ou ainda mais recentemente a emblemática estação de Caminho de Ferro da Catumbela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André - Angola deve corporizar à imagem da sua história construtiva com obras notáveis realizadas pelos seus filhos, incluindo as peças emblemáticas deixadas pelos seus colonizadores, cuja história não se apaga naturalmente. Mas não se pode negar à Nação, o direito de definir o que, sob o ponto de vista histórico, arquitectónico e estético, deve ou não permanecer nos seus principais centros urbanos, como elementos referenciais da sua história construtiva, particularmente quando o conjunto de memórias pertence apenas a uma ou duas gerações específicas. &lt;br /&gt;A história deste Estado Novo e Democrático que vem ganhando corpo, não pode ser feita apenas com o rosto da tortura, da escravatura, das dores acumuladas pelas humilhações de que foram vítimas os nossos ancestrais durante vários séculos, relatos de derrotas e imagens do pensador. Enquanto Nação, temos uma história gloriosa e ela deve estar patente nas formas físicas da cidade incluindo na estatuária. Este é o meu tempo e como cidadão e arquitecto, recuso-me a adoptar uma cultura de contemplação relativamente ao que, ousadamente, as outras gerações nos legaram. É preciso reivindicar o direito e o espaço que o tempo nos confere, para deixar marcas da minha e nossa geração no território, fazendo história!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10- O que sente o arquitecto, quando vemos o Dondo, Massangano, Cambambe e outros centros históricos, monumentos e sítios a degradarem-se de tal forma que torna irreversível o seu talvez desejável desaparecimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André - É uma questão de sensibilidade extensiva a todos os cidadãos independentemente das suas qualificações, visto que o património diz respeito a todos nós. Mas, por outro lado, é preciso não generalizar a ideia segundo a qual o edificado torna-se património apenas porque é antigo e nunca como parte integrante e indissociável das nossas memórias. No caso em apreço, que se traduz num detalhe gritante e apelativo a todos, é preciso que as instituiçoes a quem o Governo atribuiu responsabilidades, proponham planos e programas de revitalização histórica, planos suficientemente sustentáveis, de salvaguarda do património, para que sejam convincentes e se tornem objecto de orçamentos direccionados para a preservação da história física da cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11- O ensino da arquitectura em Angola desde a fundação da primeira faculdade no fim dos anos setenta tem permitido aumentar a qualidade dos formados pelo que perguntaria se tem sido simultaneamente dadas  condições aos docentes para potenciarem novas experiencias adequadas à realidade angolana em transformação nestes trinta anos de “mobilidade politica, ideológica e económica”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André- Mais do falar mal da escuridão é preciso acender uma vela. &lt;br /&gt;Por questões deontológicas não quero, não devo, nem posso pôr em causa o esforço notável dos meus colegas que se dedicam actualmente, ao ensino da arquitectura. Mas sinto cada vez mais necessária e imperiosa a criação de dispositivos de suporte e de apoio ao trabalho que estas instituições de classe realizam de modo a que tragam para as faculdades de arquitectura - pela interacção que ela gera com o cidadão - mais-valias que se traduzam em apostas claras na ciência e tecnologia, através de protocolos de intercâmbio com as grandes faculdades do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só assim será possível trazer a Angola pessoas para vivenciarem o pensamento novo gerado pelos aquitectos angolanos, fazendo das nossas cidades referências de tal grandeza, que mais ninguém saia de Angola e se deslumbre com Paris, o Rio, ou Roma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12-Qual é a posição do arquitecto angolano, quando vê implantar num local da cidade um edifício igualzinho a outro que existe noutra qualquer latitude do mundo, e vê serem pagas fortunas por um projecto que não passa de uma fraudulenta fotocópia a uns arquitectos estrangeiros pouco escrupulosos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Mingas - Como deve imaginar, é dolorosa esta constatação, mas não se pode responsabilizar tão-somente o Governo. Neste caso concreto, a ordem dos Arquitectos terá que intervir propondo critérios que contribuam acima de tudo para a valorização e estímulo do trabalho dos arquitectos angolanos. Mas como deve imaginar é extremamente difícil gerir uma cidade onde noventa por cento dos cidadãos se considera arquitecto, produzindo, por iniciativa própria, alterações nas suas habitações, desactualizando o cadastro da cidade, gerando uma desestruturação generalizada do bairro e da cidade de um modo geral. A responsabilidade recai naturalmente sob quem aceita e aprova estes projectos, não reage, concede licenças e não pune! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13- Vamos sair de Luanda e vamos ao Lobito, Benguela, Namibe, Lubango e Huambo, onde talvez seja possível fazer alguma coisa, já que a voracidade do cifrão ainda não é tão acentuada!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André- Luanda e Benguela são hoje os maiores centros de emprego do País e é justificável que as pessoas procurem as cidades do litoral num esforço de sobrevivência. A viragem para o interior através da criação de polos regionais de desenvolvimento, com apostas claras, por exemplo, na agricultura, indústria extractiva quer de minérios, quer de produtos pesqueiros e materiais de construção, pode constituir um fantástico gerador de emprego, suficientemente atractivo para provocar o boom do desanuviamento de Luanda na busca de melhores condições de vida. Estes factores, aliados a serviços como a saúde pública, a educação, a preservação ambiental, a identidade e as culturas regionais, pesarão bastante nas opções de deslocação para a capital. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14- Qual o papel do arquitecto na Angola do futuro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André - Pensar o País e perspectivá-lo como uma Nação que se comprometa com o futuro, pensando e projectando para lá do edifício sem se deixar afectar pelo imediatismo. Tendo como base a riqueza da versatilidade da sua formação, os arquitectos e urbanistas angolanos de hoje e do futuro são uma classe potencialmente privilegiada, porquanto são profissionais que têm pela frente um País fantástico, sedento de acções que o dignifiquem, "abençoado por Deus", de beleza inegável, inexplorado e com esta grandeza espacial, que se constitui num incomensurável mundo de oportunidades para idealizar verdadeiros sonhos de cidades e centralidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fundamental interiorizar a ideia segundo a qual, o projecto de arquitectura, mais do que uma obra, tem de ser gerador de uma nova cultura estética, construtiva de base identitária, assente nos valores da cultura local, à qual tem que estar subjacente, um compromisso claro com o futuro e a contemporaneidade, a bem do cidadão, das cidades e da Nação Angolana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista feita por Fernando Pereira a &lt;b&gt;André&lt;/b&gt; Rodrigues &lt;b&gt;Mingas&lt;/b&gt; Junior em 6-02-2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Neste dia triste em que morreu uma voz que em vida nunca se calou pelo melhor para Angola!&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Tenho saudades do tempo em que acreditava que tudo era possível, que podia mudar o mundo, que não havia limites para o meu engenho e perseverança. Ganha-se em maturidade o que se perde em sonho".&lt;br /&gt;Mudando de assunto, porque não é absolutamente nada importante estar a fazer exercício catártico, acabei de me lembrar que faz este mês trinta e cinco anos que morreu Rex Stout, o criador do Nero Wolf, detective obeso, amante das orquídeas e da boa mesa e que na obra completa editada pela saudosa “Colecção Vampiro” , apenas saiu de casa uma vez num total de quarenta e seis livros. Sem acabar por ser o meu herói, esse é mesmo Philip Marlowe de Raymond Chandler, o Nero Wolf  e o seu ajudante Archie Goodwin eram os que me ajudavam a descobrir prazeres, hoje corriqueiramente designados de gourmet, no meio de absurdos enredos policiais. Era um Sherlok Holmes com mais requinte e menos cabotino na acção.&lt;br /&gt;Em Setembro comemorou-se o trigésimo quinto aniversário do falecimento de Mao Tsé-Tung, provavelmente a figura política mais controversa e “omitica” de todo o século XX. &lt;br /&gt;Aqui há uns anos fiquei entusiasmado com a leitura dos “Cisnes Selvagens”, de Jung Chang, uma professora doutorada no Reino Unido em York em 1982, depois de um percurso que passou desde guarda vermelha, agricultora, metalúrgica e electricista, tendo estudado inglês o que lhe valeu tornar-se leitora assistente na Universidade de Sichuan.&lt;br /&gt;Há cerca de quatro anos, num fôlego li um “tijolo” de oitocentas e cinquenta páginas do livro “Mao, a História Desconhecida” de Jung Chang em colaboração com o seu marido Jon Halliday, especialista na história da União Soviética. Este livro é uma pungente descrição do que foi a ascensão do Maoismo na China, em que autora viveu, conviveu, partilhou e apoiou muitas das situações que hoje parecem-se no mínimo do domínio de um quase estado de catatonia colectiva. &lt;br /&gt;Nunca partilhei ideias maoistas, mesmo num tempo em que começaram a ser moda em universidades na Europa nos anos sessenta e setenta, um pouco para combater algum imobilismo em que tinha caído o movimento comunista internacional após as sucessivas subidas ao poder de Krutschev e Brejnev na União Soviética. O “aburguesamento” e a “burocracia” eram as acusações que o maoísmo fazia ao período post-Staline em relação aos partidos comunistas alinhados com o PCUS.&lt;br /&gt;Este livro é uma história terrível de um mundo que urge ser expurgado de determinadas mentalidades que não permitam desmandos que a coberto de uma “revolução cultural” se desprezaram valores caros ao marxismo e à construção de uma mentalidade de homem solidário e participativo numa sociedade onde as diferenças de classes se esbatessem.&lt;br /&gt;Mao foi um sátrapa, e é assim que a história tem que ser reescrita. &lt;br /&gt;Para não ser tudo mau conto-vos a história de um quadro dirigente angolano numa visita à China num contexto de uma visita de “Amizade e Estado”. Iam num comboio visitar uma cidade onde havia um centro siderúrgico importante, e depois de algumas horas de viagem, o homem diz: “Estes tipos ainda falam mal de nós, há duas horas que só vejo capim”; Escusado será dizer que estava a falar de campos de trigo! Quando se começou a aproximar da cidade, que me deslembro o nome, e era de noite, virou-se para o resto da comitiva e disse: “Uma cidade como o Uije”.; A cidade tinha uma população de setecentos mil habitantes e era só um dos maiores centros de industria pesada do País. Nalguns detalhes somos inultrapassáveis. &lt;br /&gt;Sem querer alimentar discussão estéril, começo a achar que o José Agualusa usa a questão da poesia do Agostinho Neto como marketing, pois faz coincidir esta polémica normalmente quando tem um novo livro para apresentar. Tem sido recorrente nos últimos tempos isso acontecer, mas acho que é completamente desnecessário esse recurso já que escreve magnificamente e tem um publico fiel que o aprecia, onde me incluo. Li “A educação sentimental dos pássaros”, um conjunto de onze contos, e apesar de não ter sido o melhor “Agualusa” é um livro interessante que destoa positivamente da vulgaridade. Desprecisa mesmo de procurar chamar a atenção com outras coisas. Basta escrever!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;4-9-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Léxico diferente para os mesmos resultados, num ano em que se comemora o quinquagésimo aniversário do assassinato de Patrice Lumumba, defensor de uma África onde riqueza fosse distribuída pelos seus povos.&lt;br /&gt;Voltando ao disco, onde estão canções como “A canção da terra”, “Funeral do Lavrador”, “Pau da Arara”, retenho os versos da “Cicatriz” : "Pobre não é um/pobre é mais de dois,/ muito mais de três./E vai por ai e vejam só: Deus dando a paisagem/metade do céu já é meu/Pobre nunca teve gosto ;/ a tristeza é a sua cicatriz./Reparem bem que só de vez em quando/pobre é feliz"...&lt;br /&gt;Por muito disto é que despercebo porque é que o reino dos céus é para os pobres. Não seria melhor repartirmos e o reino da terra e dos céus e tudo ser para todos por igual? Porque é que há-de haver privilegiados no Eden? &lt;br /&gt;Vários autores anunciaram a saída de vários discos em Luanda, e não sei se a propósito lembro-me de um episódio ocorrido nas páginas de um jornal de efémera existência, o “Página Um”! José Jorge Letria é um talentoso poeta, excelente músico e dinâmico activista cultural, mas com a voz que de canora tinha pouco. Era pejorativamente alcunhado pelo “Bardo” numa associação ao cantor Assurancetourix, trovador da aldeia gaulesa de Astérix, a intemporal BD de Goscinny e Uderzo.&lt;br /&gt;Quando anunciou que ia sair com novo disco o comentário do articulista de música foi “Chiça, mais um?”. Letria indignou-se e exigiu o direito de resposta, argumentando que já tinha uma vasta obra de dez títulos publicados, etc., ao que o articulista colocou em nota de rodapé: “Por causa exactamente disso é que te pedimos insistentemente que pares”. Tenho ideia que JJ Letria nunca mais gravou nenhum disco e dedicou-se apenas à poesia e ao conto, onde de facto é excelente. Acautelem-se pois os que prometem novos discos, porque alguns já nos andam a azucrinar os ouvidos há décadas, e pode haver quem dê voz ao “atentado”&lt;br /&gt;Falou-se de gente que foi fazendo coisas bonitas e conseguiram ser coerentes com a beleza das coisas que produziam. Houve outros que fizeram coisas bonitas, fizeram sonhar milhões de crianças ao longo de muitas gerações, mas que se revelaram no seu comportamento político e cívico como autênticos biltres, para não ser mais incisivo e poder escorregar para o destempero da linguagem.&lt;br /&gt;Faz cem anos que nasceu Walt Disney, o criador do Mickey Mouse, do Pato Donald e uma miríade de figuras da banda desenhada que correu o mundo ao mesmo ritmo que a Coca-cola, General Motors e a omnipresença americana se espalhava pelo mundo no pós-guerra. &lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Disney foi uma figura incontornável de um universo de sonho, contudo não deixou de se enredar na lama quando passou a ser colaborador do MacCartismo através de uma sórdida organização: "Aliança do Cinema para a Preservação dos Ideais Estadunidenses", que arruinou carreiras e vidas de actores, realizadores, fotógrafos, argumentistas, escritores, um conjunto enorme de intelectuais que foram banidos por simples menção a um eventual alinhamento de algo que tivesse a ver com ideias de esquerda. Um homem que teve tudo para ser uma lenda e pelo seu anti-comunismo associado aos seus traumas de infância, acabou por se juntar à baixaria que promoveu uma época de terror na intelectualidade estadounidense.&lt;/div&gt;Depois não digam que não falei das manifestações em Luanda. Basta ver o título!&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Fernando Pereira &lt;br /&gt;27-9-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Porque o administrador já estava meio contaminado com o isolamento, e vivia com a esposa, a sogra e dois filhos pequenos, teve uma ideia que pôs em prática e que foi a seguinte: para ter a impressão que vivia em Lisboa, todos os dias à noite, entregava um exemplar dos jornais diários de Luanda, que recebia em maços a um cipaio, e este logo de manhã cedo, passando por baixo da janela do quarto do administrador, todos os dias anunciava: “Olha o diário; Quem quer o diário!”.O administrador abria a janela e dizia:”Oh rapaz dá-me o Diário de Luanda." O cipaio entregava-lhe o jornal, o administrador entregava-lhe a respectiva moeda e fechava a janela. O cipaio ia para a administração, punha o dinheiro do jornal na secretária, para o voltar a receber no dia seguinte pelo mesmo trabalho. O administrador do concelho lia o jornal na cama como se estivesse em Lisboa, depois levantava-se e ia para a administração. Nada era mais inventivo de que esta cena teatral autêntica.&lt;br /&gt;Na província de Malange, na região da Baixa do Cassange, no posto de Xissa há uma campa na berma da estrada, com um ar abandonado onde está sepultado um dos mais famosos “salteadores” portugueses do século XIX. O verdadeiro Robin Hood português, já que roubava aos ricos para distribuir pelos muitos pobres, o famoso Zé do Telhado (1816-1875), José de Matos, alcunhado de Telhado porque era o único numa aldeia minhota que tinha a casa com telha ao contrário de todas as outras que eram cobertas com colmo. O seu bando saqueou anos a fio casas de nobres e burguesas da província portuguesa do Minho, e todo o espólio do roubo era distribuído pelos mais necessitados para tentar mitigar a fome que grassava, o que lhe granjeou enorme popularidade e respeito entre as populações do norte de Portugal.&lt;br /&gt;Acabou preso e privou na prisão da relação do Porto com o sublime escritor português Camilo Castelo Branco, preso por paixões improváveis e simultaneamente possíveis, que inspiraram argumentos ao cinema português ao longo dos anos. &lt;br /&gt;Enviado para Angola, local de eleição dos presidiários portugueses até ao primeiro consulado de Norton de Matos, Zé do Telhado evade-se da prisão com a conivência das autoridades e fixa-se na Baixa do Cassange, dedica-se à agricultura e morre serenamente em 1875, com o respeito das populações locais que mantém a sua campa, com telhado, sempre limpa e arranjada. A guerra obrigou as pessoas a abandonarem a região e a campa acabou por se ir deteriorando. &lt;br /&gt;José do Telhado é tema de filmes, romances, novelas, canções, peças de teatro e também homenagens diversas na zona onde teve actividade, elevando-o a uma figura mítica e referenciada no contexto dos portugueses notáveis, o que de certa forma não deixa de ser bizarro.&lt;br /&gt;Em Malanje, brincava-se com o assunto, pois dizia-se que a campa do Zé do Telhado, ficava em Xissa que ainda por cima tinha um chefe de posto Chato. De facto o chefe de Posto de Xissa era Tobias de Sousa Chato, um homem que percorreu muitas terras na província de Malange e que para além da invulgaridade do apelido, destacou-se na defesa intransigente da Palanca Negra, movendo uma verdadeira cruzada contra caçadores furtivos e guardando dia e noite as crias contra ataques de outros animais ou de homens ávidos de lucro e da vã glória de predador.&lt;br /&gt;Num dia em 1949 o governador de Angola, Comandante Lopes Alves, resolveu visitar a então província de Malange. Angola ao tempo estava administrativamente dividida em províncias, estas em concelhos e circunscrições, e estas últimas em postos administrativos.&lt;br /&gt;Mas voltando àquele dia, o dito governador pretendeu contactar todas as autoridades administrativas, através dos aparelhos sem fios P19, como eram conhecidos. Através do operador do rádio foi ouvida uma voz que entrando em antena disse:”Daqui fala o Chato do Xissa passo à escuta”. O Governador mandou logo suspender as comunicações e quis explicações que eram afinal simples: o chefe do Posto chamava-se Tobias de Sousa Chato e o posto onde estava colocado era o posto do Xissa. Logo ali o Governador sentenciou: Isto não pode ser, ou se transfere o chefe, ou se muda o nome ao posto. O mais fácil foi alterar a toponímia do posto que por Portaria publicada no Boletim Oficial passou a denominar-se de Mucari, nome que ainda hoje conserva.&lt;br /&gt;Agradeço algumas dicas ao mais velho António Ferreira Alves, um homem que percorreu todos os lugares na então administração ultramarina em Angola desde 1949, que era um deleite ouvi-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;20/09/11&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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A vida regrada, o saber e a palavra tornam o homem Imortal, respondiam os espelhos ensinados”.&lt;br /&gt; José Cardoso Pires, Dinossauro Excelentíssimo, Bertrand, Lisboa-1972 (pag. 74)&lt;br /&gt;2ºCê: Carreirismo&lt;br /&gt;“Após ter surripiado por três vezes a compota da despensa, seu pai admoestou-o.&lt;br /&gt;Depois de ter roubado a caixa do Senhor Esteves da mercearia da esquina, seu pai pô-lo na rua. &lt;br /&gt;Voltou passados vinte e dois anos, com chaufeur fardado. Era director Geral das Polícias. Seu pai teve um enfarte”. – Página 19 das Contas de Gin Tónic de Mário Henrique Leiria.&lt;br /&gt;Porque hoje estou com duvidoso discernimento para falar de muita coisa que ocorre ou ocorrerá, e ao mesmo tempo falta-me motivação e palavras. Há momentos assim quando se aproxima o dia em que temos que entregar a crónica, e por muito que tente nada flui com a necessidade de me fazer entender perante os poucos que me vão lendo, onde naturalmente tenho os meus detractores de estimação com assídua e aturada presença.&lt;br /&gt;Li um livro que saiu editado pela Leya da jovem jornalista portuguesa Rita Garcia, “S.O.S. Angola, os dias da Ponte Aérea”, e sinceramente a única coisa que me moveu para o acabar  foi a certeza de vos poder dizer com toda a frontalidade, evitem-no .&lt;br /&gt; Paupérrimo na abordagem, nada diferente dos livros que “enxamearam” os quiosques lisboetas no fim dos anos setenta, e que invariavelmente acabaram guilhotinados porque nem quase de borla as pessoas se arriscavam a adquirir. Rita Garcia, pode vir a fazer melhor, mas julgo que se o quiser, terá que procurar melhores interlocutores porque  a maioria dos que ali foram citados só empobrecem qualquer argumento, tendo em conta o “lixo” que em tempos publicaram.&lt;br /&gt;Fico a aguardar o último livro do português António Lobo Antunes, que julgo estar a sair e o tema tem a ver com o MPLA e a guerra colonial, e ainda um outro de contos do luso-angolano-brasileiro José Agualusa, que resolveu recentemente voltar à liça com uns despropositados dislates, que nada tem a ver com os seus interessantes trabalhos literários, que aprecio.&lt;br /&gt;  “1948: O meu pai foi às finanças fazer um requerimento, e como de costume fez questão de que eu o acompanhasse.&lt;br /&gt;  Para “aprender a vida”&lt;br /&gt;  Em casa explicou-me minuciosamente a fórmula e o motivo do requerimento. No fim meteu dentro da folha uma nota de cinquenta escudos, e disse-me: “Esta é a parte mágica da fórmula. Quando tiveres um pedido a fazer, já sabes, o segredo é este.&lt;br /&gt;  Passados uns meses enviei a minha primeira declaração de amor, e como 50 escudos era para as minhas posses, juntei uma moedinha de vinte e cinco tostões. Nunca tive resposta, decerto foi por ser tão pouco”. In Alberto Pimenta/ Repetição do Caos – Edições &amp;  Etc.&lt;br /&gt;  Hoje foi assim porque nem sempre estou assim, raras vezes sou assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fernando Pereira 12/9/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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E nem persegue sequer outros objectivos do que aqueles e bem generosos eles são que norteiam as relações desportivas internacionais, particularmente entre os Países do nosso continente”&lt;br /&gt; Há trinta anos, 20 de Agosto de 1981, Ruy Alberto Vieira Dias Mingas, ao tempo Secretário de Estado de Educação Física e Desportos, e Presidente em exercício da Zona 4 do Conselho Superior dos Desportos de África, com estas palavras inicia o discurso de abertura da maior manifestação desportiva que há memória no País.&lt;br /&gt; A realização dos 2ºs Jogos da África Central surge em Angola cinco anos depois dos primeiros em 1976 em Liberville, onde a então R. P. Angola participou como convidada.&lt;br /&gt; Angola candidata-se em 1979, já com a equipa liderada por Ruy Mingas na ex-SEEFD a organizar em Angola os Jogos da África Central e simultaneamente a RPA fica com a sede da 4ª Zona de Desenvolvimento desportivo em África. Era secretário geral, o saudoso Fernando Matos Fernandes acolitado por um “espalhafatoso” André Milton Kilandamoko, controversa figura que em 1992 concorreu à Presidência da Republica de Angola e instado a responder pelo desvio de umas dezenas de milhares de dólares no Secretariado da Zona 4, respondeu com o seu proverbial à vontade: “ Os angolanos nunca conseguiram crescer e passar daqui, quando numa hora importante como esta se preocupam com miudezas”.&lt;br /&gt; Logo que se teve conhecimento que seria Angola a organizar os jogos, mobilizaram-se vontades, motivaram-se pessoas e entusiasmaram-se os agentes desportivos e políticos de uma Republica Popular de Angola imberbe em termos de organização, mas excessivamente voluntariosa no querer participar em prol de conquistas políticas então alcançadas.&lt;br /&gt; Simultaneamente começaram a fazer-se os planos mais hiperbolizantes para os jogos, algo recorrente nas organizações de eventos desportivos recentes em Angola. &lt;br /&gt; Luanda, Benguela, Lubango e Huambo seriam os locais onde se iriam realizar os jogos, numa primeira triagem depois de se ter conseguido convencer os delegados provinciais de outras províncias que não haveria lá jogos, mas talvez jogos de preparação ou estágios de selecções pudessem por lá acontecer. As promessas inerentes às circunstancias!&lt;br /&gt; As propostas de reabilitação de complexos desportivos, de infra-estruturas aeroportuárias, hoteleiras e urbanas eram de uma dimensão de tal forma empolada que para ser tudo levado a bom termo exigia-se que tudo tivesse começado no mínimo dois anos antes.&lt;br /&gt; Piscinas novas ou reequipadas, campos de futebol relvados, pavilhões, centros de estágio, hotéis, edifícios públicos, tudo seria objecto de requalificação ou construção de raiz. &lt;br /&gt; Com a aproximação da data dos jogos, muitas das propostas foram caindo e aí o Ruy Mingas e os seus próximos passaram a decidir com o argumento dos factos e do calendário, embora o seu dinamismo e a sua capacidade de mobilização e entusiasmo nos motivassem a todos, obrigando-nos a superar problemas que em determinadas circunstâncias pareciam-nos irresolúveis.&lt;br /&gt; Algo que muita gente não sabe é que os jogos estavam para se realizar de 20 de Julho a 3 de Agosto de 1981, e o Ruy Mingas num dos últimos dias de Janeiro reúne-nos, depois de uma reunião do conselho de ministros e comunica-nos a decisão de  adiar o início dos jogos um mês. Saíram da reunião vários grupos que visitaram todos os Países envolvidos e que entregariam a carta aos titulares dos cargos reitores do desporto com os argumentos ponderáveis para a alteração do evento, que não levantou o menor obstáculo por parte de ninguém. Não se deslocou ninguém ao Tchad, que ao tempo vivia uma guerra civil entre as forças partidárias de  Hissène Habré e do presidente Goukouni Oueddei.&lt;br /&gt; A realidade é que apesar do ciclópico trabalho e à medida que o dia se aproximava sentia-se  que os jogos iriam ser  um êxito, como realmente foram mesmo, por muito que se tente omitir esse facto.&lt;br /&gt; A determinada altura descartou-se o Lubango e Benguela como locais dos jogos, perante o desalento do dinâmico delegado desta província, Victor Geovetti Barros.&lt;br /&gt; Restou Luanda, onde em oito dias teve que se mudar o terceiro tartan da Cidadela, e o Huambo, que apresentava problemas de segurança complicados, como se observou no decorrer de estágios de preparação de diferentes selecções de Angola, como basquetebol (masculino e feminino), futebol e boxe, a maioria das quais alojadas no antigo Hotel Mondego, transformado em Casa do Desportista, junto ao Bairro de S. João. &lt;br /&gt; Alojar, arranjar a logística apropriada, apoio médico, transporte de mil e trezentas pessoas entre atletas, árbitros, dirigentes, etc. foi uma tarefa particularmente complicada num País que ao tempo vivia dificuldades enormes.&lt;br /&gt; Mobilizar voluntários para quadros humanos, apoio a delegações, tradutores, Intérpretes, comissários de provas, secretariado, em suma um conjunto de gente que garantisse o normal funcionamento dos jogos e simultaneamente conseguisse manter níveis de organização aceitáveis para a realização do evento pôs à prova a capacidade de organização do País.&lt;br /&gt; Ruy Mingas seria naturalmente o principal responsável por um eventual fracasso dos Jogos, na realidade como correram bem houve a normal partilha dos louros. A forma brilhante como geriu esses tempos nunca poderá ser obliterada, muitas vezes tendo que vir a terreiro apagar fogueiras que as circunstancialmente se ateavam aqui e ali, conseguindo unir as pessoas pelo afecto, pela confiança, pela identidade de pontos de vista e pela bonomia que colocava em todo o seu relacionamento connosco.&lt;br /&gt; A sua equipa, onde com muita honra participei não pode ser esquecida nesta singela passagem destes trinta anos da realização dos 2ºs jogos da África Central. Sardinha de Castro, Helder Moura, Paulo Murias, José Martins, José Cohen, Franklim Dias, Espírito Santo, Raquel Grácio, os já desaparecidos Juca Figueiredo, Sande Lemos e Matos Fernandes, entre alguns outros que o tempo faz desmemoriar.&lt;br /&gt; Quando o falecido Evaristo Domingos Kimba, na qualidade de comissário provincial de Luanda faz o seu discurso de boas vindas aos visitantes passa a contribuir com um novo léxico: “ Atletas e atletistas, bem vindos a Luanda”!&lt;br /&gt; A Cidadela nesse dia 20 de Agosto de 1981 engalanou-se a preceito para receber os atletas do Burundi, Rwanda, S. Tomé e Principe, Gabão, a então Republica do Zaire, Republica Popular do Congo, Tchad, e Camarões. A Republica Centro-Africana não compareceu por razões políticas e económicas, e a Guiné Equatorial não deu qualquer justificação para a ausência.&lt;br /&gt; Como não se conseguiu acabar o estádio fizeram-se intervenções interessantes que acabaram por não ser perceptíveis para os que encheram o Estádio nesse dia pouco soalheiro de Agosto.&lt;br /&gt; O presidente José Eduardo dos Santos declarou abertos os jogos depois dos discursos de Ruy Mingas, Evaristo Kimba e da atleta Filomena Maurício ter ateado a tocha na pira situada num dos extremos do estádio. Convém recordar que o ministro centro-africano dos desportos Georges Petro—Koni-Zeze, presente na abertura dos jogos já estava demitido das suas funções por causa de um golpe de estado que decorria em simultâneo.&lt;br /&gt; A cerimónia de abertura e encerramento dos jogos foram inesquecíveis pelo colorido emprestado pelas delegações, a garridice dos quadros humanos e a coreografia perfeitíssima de todos os executantes, mobilizados nas escolas de Luanda, e que tão boa conta deram de si.&lt;br /&gt; Durante treze dias Luanda transfigurou-se com o bulício dos jogos, não só pelas actividades desportivas que “calcorrearam” as ruas da cidade, nomeadamente em modalidades como o ciclismo e o atletismo, na sua disciplina de maratona, como também no movimento de atletas entre locais de alojamento, jogos e treinos.&lt;br /&gt; Desportivamente Angola ganhou apenas sete medalhas de ouro, muito longe dos Camarões que ganharam 28, o Congo com 9 e o Gabão com 8, mas a realidade é que fomos vencedores porque conseguimos organizar uns jogos de grande competitividade e com o elevado espírito organizativo que muito nos orgulha.&lt;br /&gt;Angola foi muito grande, e convém recordar que em boxe foi medalha de ouro José Paulo Mohongo (48kg), Eduardo Candido (71 Kg), em Judo João Merino (71kg) e no atletismo o bis de Bernardo Manuel (5000 e 10.000m), António Reais no Martelo e José Ernesto na Maratona. &lt;br /&gt;Um dos momentos de grande simbolismo retratado pelo Carlos Pinhão nas páginas da “Bola”, terá sido quando o antigo recordista “português” do salto em altura Ruy Mingas coloca a medalha de prata no peito do então recordista angolano Orlando Bonifácio. Bonitos e assertivos os textos do saudoso Carlos Pinhão na “Bola”!&lt;br /&gt;Atletismo, Futebol, Andebol, Boxe, Ciclismo, Voleibol, Judo e Basquetebol foram as modalidades dos Jogos, com participação entusiasmada de atletas e com forte presença de público, que não queria perder pitada dos eventos desportivos e da componente cultural associada, que trouxe muitos artistas africanos de renome a Luanda.&lt;br /&gt;Se tinha que se fazer um esforço enorme para arranjar locais para disputa dos jogos, as dificuldades eram acrescidas para os treinos das equipas. Acrescente-se a tudo isto a disparidade horária das refeições, os transportes das equipas na cidade e o alojamento disperso por vários locais, para além de se salvaguardarem as condições dos árbitros, técnicos, médicos, dirigentes federativos e governamentais, dirigentes de confederações internacionais de diferentes modalidades, jornalistas e gente da imprensa. Admita-se que tudo conseguiu correr quase na perfeição, o que era completamente impossível de prever quinze dias antes, em que a placa do aeroporto 4 de Fevereiro parecia um acampamento com o descarregar de material diverso, alimentação, atoalhados, equipamento desportivo, tudo o que se achava que  seria importante para que os 2ºs Jogos da África Central corressem bem.&lt;br /&gt; O que acabou por ensombrar os jogos, nada teve a ver com a sua organização. A 23 de Agosto de 1981 a Republica Popular de Angola é invadida pelas tropas da África do Sul na sua fronteira com a Namíbia, ocupando 250km para o interior do País. Foi a ofensiva que acaba por marcar de forma indelével o princípio do fim do apartheid, pois a partir desse dia a comunidade internacional endureceu de forma significativa a sua posição contra o regime racista sul-africano.&lt;br /&gt; Desapetece-me fazer extrapolações que ultrapassem a razoabilidade, mas se há algo que não bate a “bota com a perdigota”, como dizem os portugueses, são as razões que levam um regime a endurecer a sua posição militar num momento em que a visibilidade sobre Angola era grande, pelo facto de se estarem a disputar jogos com muitos Países africanos, com muitos atletas prestigiados e com a presença de muito profissional da informação. Há muita coisa que se despercebe na política internacional, mas na realidade esta ofensiva militar neste momento parecia ilógica! Comentou-se que Angola saberia previamente dessa situação e marcou os jogos para essa altura, para recolher benefícios no campo da diplomacia. Foi um dos múltiplos cenários que se colocaram, e o que acabou por suceder foi que no domínio da visibilidade informativa interna e externa as atenções viraram-se naturalmente para esta afronta à soberania da então Republica Popular de Angola.&lt;br /&gt; No discurso de encerramento dos jogos, Ruy Mingas: “No panorama desportivo Africano de hoje não pode passar em claro, nem deixar de ter um significado bem forte, o facto de 9 países da África Central se terem reunido numa vasta competição multidisciplinar, onde se aliaram a dimensão notável da própria realização, um nível desportivo de relevo em todas as modalidades, um clima de festa permanente que tornou mais transparentes os laços entre desporto e cultura e um ambiente de camaradagem e amizade que garantiu aos Jogos o selo de unidade sob o signo da qual eles foram promovidos” (3-09-2011).&lt;br /&gt; Trinta anos depois, fica a mensagem que resume esses dias: “ Angola ganhou!”&lt;br /&gt; Fernando Pereira&lt;br /&gt; 4-9-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Obrigou a capitular os franceses na definitiva batalha de Dien Bien Phu (13/3/1954 - 7/5/1954) e conseguiu expulsar em condições dramáticas o exército americano de Sai&lt;br /&gt;gão (Ho-Chi-Minh) em Abril de 1975, impondo aos americanos a primeira derrota militar da sua história, trauma ainda hoje evidente na sociedade americana.&lt;br /&gt;Giap manteve-se até 1991 como ministro da defesa da Republica do Vietname, resignando ao cargo, mas mantendo-se um cidadão politicamente activo e respeitado por todo um povo, que nele reconhece valores de dedicação à causa do socialismo e à luta contra o colonialismo. Giap foi sempre muito discreto e a sua probidade era exultada pelos seus próprios adversários e inimigos, o que o transformou numa das enormes figuras do “Terceiro Mundo”. &lt;br /&gt;Não copio os maoistas a desejar “Longa vida ao general Vo Nguyen Giap”, porque felizmente tem uma vida longa e o seu exemplo multiplica-se num mundo onde a luta de classes não passou para o “memorial da história”. É bom tê-lo entre nós!&lt;br /&gt;A Líbia, sessenta anos depois é revisitada pelos mesmos protagonistas de El Alamein unidos numa pretensa “Operação Humanitária”. O Afrika Korps de Rommel em 1941 uniu-se às forças do marechal Montgmery e às bizarrices de Mussolini, para lutarem contra uma figura de opereta, Kadhafi, que já é ditador há décadas, e que só agora pelas razões mais cínicas, terão premeditado esta aliança espúria para o derrubar.&lt;br /&gt;Não me surpreende que a Libia não tivesse armamento sofisticado, já que quando posta à prova a fanfarronice do seu leader, a resposta em termos militares foi sempre paupérrima; O maior argumento de Kadhafi  é o pulmão, num jeito de “agarrem-me já senão desfaço-o”.&lt;br /&gt;Não gosto de lideranças políticas assentes em pressupostos religiosos, e como sempre defendi a laicidade total dos estados, a separação entre igrejas e estado, o que me parece existir cada vez menos, principalmente quando os chefes vão sendo cada vez mais idosos e esperam que com essa união possam ter acesso às “mil virgens” ou ao reino dos céus ou à companhia de outras Isís, Vénus e quejandos. Justifica Woody Allen: “ Interessa-me o futuro porque é o lugar onde vou passar o resto da vida”.&lt;br /&gt;Uma das situações que me surpreendem na Líbia é o facto de a guerra ser muito parecida com um Paris-Dakar com gente pendurada em veículos de todo-o-terreno, cheia de armamento ligeiro e a dispararem para qualquer lado à aproximação de qualquer câmara de TV. &lt;br /&gt;Penso que á partida a grande vencedora da confrontação da Líbia é a Toyota, porque são emblemáticas as pick-ups que vão andando num afã de um lado para o outro, sem percebermos muito bem para que “lado é a guerra”. Vou continuar expectante para saber se a “varridela selectiva dos ditadores” vai alargar-se a prepotentes sultanatos, onde a mulher é aviltada nos mais elementares direitos humanos e de cidadania.&lt;br /&gt;Porque estamos em tempos de efemérides, lembro-me de ouvir contar que há cinquenta anos, no dealbar da guerra de libertação em Angola, Salazar faz um daqueles discursos roufenhos e sensaborão, entrecortados com uns gritos imperceptíveis por parte dos seus apoiantes, sempre disponíveis a promover em todo o território manifestações patrioteiras de glorificação do “chefe supremo da nação”. Em Coimbra no edifício ocupado pela Legião Portuguesa, contíguo ao Governo Civil, onde se realizou uma “espontânea” manifestação, estava desfraldado uma enorme tarja que dizia:”Angola 1961, o temor não mora aqui!”; No edifício da frente, uma bela república de estudantes, os irreverentes moradores pegam numa tarja e com letras garrafais colocam na varanda: “Aqui também não”, o que provocou a ira dos apoiantes do regime, autoridades, PIDE e simultaneamente o gáudio e a hilaridade dos muitos que presenciaram a cena.&lt;br /&gt;Ah, esquecia-me, havia um anúncio que dizia no fim dos anos sessenta: “E quando passa todos dizem: Toyotahuéee” !&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;1-9-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Ele também desperta o nosso sentido de sobrevivência e preserva a nossa saúde mental”Hoje resolvi introduzir este tema! &lt;br /&gt;Por falar em introduzir, hoje vou falar do paquete Infante D. Henrique, essa jóia da ex- Companhia Colonial de Navegação, onde viajei algumas vezes entre Lisboa e Luanda e ” versa ou vice”. &lt;br /&gt;Para falar do paquete em causa, tenho de começar por falar do próprio Infante. O Henrique de Lencastre era filho do João e Filipa, que já nesse tempo era um nome da moda, e fazia parte da Ínclita Geração, e de facto era uma significativa parte da visão do que se tentava incutir na «raça» portuguesa ao longo dos séculos.&lt;br /&gt;Essa tal ínclita geração tinha de tudo um pouco! Um gestor da treta que cavalgava em toda a sela, mas que se esquecia de deveres conjugais mínimos, que eram usurpados por outros cavaleiros e quiçá alguns pajens; Estou a falar do Duarte, depois um Pedro que era galfarro, e também enchia páginas da "Caras", e outras revistas mundanas ou “nundanas” do tempo, havia o Fernando, que levou na mona dos mouros em Ceuta, que virou santo, o que hoje seria fácil ao ritmo a que são feitas beatificações. Aqui uma certa semelhança com o F. C. Porto no tempo do fascismo, em que os clubes de Lisboa tudo ganhavam, com o beneplácito do regime. Roger Moore era Santo, porque atacava umas moças em filmes de alguma acção e beijoca a esmo.&lt;br /&gt;Ainda havia duas infantas, que nunca entraram na dita ínclita geração, e devem ter sido sepultadas em Mouriscas do Vouga, pois não estão ao pé da “malta” na Batalha das Imperfeitas Capelas, ao pé de um infeliz, ou um conjunto de ossadas de uns infelizes, a quem em vida nunca perguntaram se porventura se importariam de ser soldado desconhecido, só para ser guardado toda a eternidade por infelizes conhecidos, com horário rígido copulado com um “faceas” esfíngico. &lt;br /&gt;O quarto da Ínclita, já que eu a bem dizer ainda prefiro os quatro de Liverpool, era o Infante D. Henrique!&lt;br /&gt;O Henriquinho de Lencastre era um tipo mal vestido, todo de negro, tipo anúncio da Sandeman, com uma tez de quem sofria da figadeira, com um bigode tipo anúncio da Gillett nos anos 60, complementado com um chapéu aparentemente com a aba muito ensebada. Ele lá corria as praias todas, com os cosmógrafos e compassos italianos na sua peugada, e era bom e bonito, o que eles faziam nas falésias de Sagres ou na” Meia Praia ao pé de Lagos”, como 500 anos depois cantava José Afonso. &lt;br /&gt;Enquanto os italianos se entretinham com as cartas de marear, o Infante ia mareando nas faldas da Serra de Monchique, à procura de padrões de aspecto fálico para colocar em todas as possessões a achar, de forma a perpetuar em "Novos Mundos ao Mundo", também a sua ousada opção sexual, que a coberto da linhagem, possibilitava que a Igreja fosse permissiva” indulgendo” um pecaminoso nobre. &lt;br /&gt;E eis que Portugal penetrava, pelos vistos por penetração também na epopeia dos achamentos.&lt;br /&gt;E eu que ia falar do paquete “Infante D. Henrique”, que tinha um pianista que presumivelmente tocava melhor que o Bill Evans, mas havia gente que discordava, sem tampouco o terem ouvido numa dessas viagens de vice-versa!&lt;br /&gt;Desculpem, esta linguagem homofóbica, mas calhou!&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;1/9/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Colaborador da revista angolana “Notícia” entre 1968 e 1973 brindou-nos com crónicas que são constantemente reeditadas em antologias diversas. Era um homem pouco atreito a regras e multiplicador de inimigos, corrosivo bastante para provocar iras e alimentava debates constantes, muitos publicados que já fazem parte do acervo literário português. Provocador indocumentado, muito poucos conseguia escapar ao gume das suas palavras. &lt;br /&gt;	Era recorrente não ter dinheiro e recorria aos amigos para lhe valerem nos seus cada vez mais curtos ciclos de aflição, que a determinada altura passaram a eternos; Costumava classificar os amigos em função de quanto lhe emprestavam: amigos de vinte escudos (muitos), de cinquenta (muitos ainda), cem (uns poucos), quinhentos (raros) e mil (um apenas, o nosso conhecido Manoel Vinhas).&lt;br /&gt;	Em determinada altura os amigos davam-lhe trabalhos de tradução para ajudar a minorar os seus eternos apertos financeiros. Numa ocasião, o tradutor Bruno da Ponte resolve entregar-lhe uma parte da versão francesa do “Dicionário Filosófico” de Voltaire, já que na circunstância os prazos eram curtos e sempre ajudava o Pacheco a ganhar algum. O Luis recebeu o dinheiro mas a tradução demorava a sair, mesmo por insistência do Bruno da Ponte que estava a ser pressionado pela Editorial Presença, pois precisava do livro para distribuição. Depois de muito esforço o Luis Pacheco numa noite sentou-se em frente à sua máquina de escrever, e sem nenhum dicionário de apoio “aviou” a tradução. Acontece que havia palavras e termos que desconhecia, e colocou-as a vermelho para posteriormente as emendar; As palavras a vermelho eram um chorrilho de asneiras do mais ordinário possível, em que as palavras “merda” e “puta” eram indiscutivelmente as mais brandas. Foi dormir e nunca mais se lembrou do assunto. De manhã telefonam-lhe pela enésima vez a solicitarem a tradução e pegou nela, foi ao Correio e mandou-a para Lisboa para o Bruno da Ponte, que sem ler a entregou ao editor e este sem rever enviou para a tipografia. Os tipógrafos tinham um princípio de nunca alterar uma linha ao que lhe era enviado, porque julgavam que todas as palavras a vermelho faziam parte do texto, tipo “coisa de intelectuais”, e o que fizeram foi colocá-las em itálico. A edição começou a ser feita e o Luis Pacheco, num rebate tardio de lembrança resolve sair das Caldas da Rainha, onde morava, e vem a Lisboa à pressa tentar travar a impressão, o que só foi possível em parte. A verdade é que os exemplares que existem dessa edição atingiram um preço proibitivo, porque quem a possui não se quer desfazer dela por nada. Convenhamos que o nome do Luis Pacheco não aparece, e o Bruno da Ponte ainda hoje diz ter passado a maior vergonha da vida.&lt;br /&gt;	Já que se fala em gafes recordo que nos anos sessenta o jornal portuense “Primeiro de Janeiro” mandou para a rua uma edição matinal em letras garrafais, na primeira página, que dizia “Publicadas as contas gerais do Estado”; O detalhe importante foi que a tipografia omitiu o “T” na palavra “contas” e o resultado ficou bem à vista em todos os quiosques e ardinas, até a edição ter sido toda recolhida, já que no jornal ninguém tinha previamente visto com cuidado a página principal. &lt;br /&gt;	Em Coimbra existe um vetusto jornal conhecido como o “Al Calinas”, uma derivação do célebre jornal egípcio “Al Aran”,o Diário de Coimbra, que de vez em quando brindava-nos com títulos deste tipo: “Octogenária de oitenta anos caiu do eléctrico e ficou contusa”ou “ Arma de dois anos fere gravemente criança de dois canos” ou “Faltou a luz no estádio da mesma”, e por aí fora.&lt;br /&gt;	Nunca nos haveremos de esquecer “das propriedades afro-asiáticas” de uma planta com propriedades afrodisíacas, como bem dizia uma jovem locutora da TPA, nos tempos em que esta era ainda Popular e não Publica e a caminhar para a Privada!&lt;br /&gt;	Acham por isso que alguém se surpreende pelo anedótico da revista portuguesa “Sábado” num recente artigo sobre Luanda. Brejeirice total!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira &lt;br /&gt;27/08/2011&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Quem pode esquecer aquela final épica na Cidadela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NJ- Regressa ao “1º de Agosto” num dos momentos piores do clube no contexto dos campeonatos de basquetebol. Admite que é um desafio com alguns contornos de risco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MP- Quem anda em competição sabe que há momentos em que se ganha e momentos em que se perde; Faz parte do nosso quotidiano de treinador, e quando temos razões de sobra que o nosso trabalho é sério, é apoiado, é profissionalmente assumido com muitas certezas que ao longo da carreira se tornaram inabaláveis, permite-me aceitar o desafio num contexto que certamente iremos dar muitas alegrias a um clube para quem tenho uma dívida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NJ- Dívida? Explique lá isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MP- Em 2005/6 pela 1º vez em toda a minha vida senti que desiludi todos que comigo trabalhavam, principalmente os jogadores e pessoas do clube com quem tinha grande afectividade. Conjugaram-se uma série de factores desde problemas de saúde, aliado a um desequilíbrio emocional , que não conseguia dar-me uma estabilidade indispensável para um trabalho profícuo e que desse ao clube os títulos que todo o seu empenho na modalidade exigiam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NJ- Não estará à espera que o seu regresso seja do agrado de todos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MP- Claro que não, e não seria desejável que isso acontecesse, pois o monolitismo é sempre redutor em todas as vivencias colectivas, e só a divergência e a crítica permite melhorar o nosso desempenho no campo profissional e no nosso comportamento inserido numa sociedade de valores onde a seriedade e a ética tem que ser traves mestras de todo o edifício onde vivemos. Regresso a Luanda disposto a trabalhar e promover algum debate, porque os meus quarenta e cinco anos de Angola atribuem-me responsabilidade que acho que não devo alijar. Não estou disposto a abrir guerras pueris, mas também não estou disponível a que ser alvo de avaliações soezes de carácter, quando a única crítica que tenho que admitir tem que ser fundamentadas pela discordância das minhas opções em jogo, pois sou um técnico qualificado, e  digo-o com justificada vaidade que tenho um palmarés que poucos a nível mundial se orgulham de o ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NJ- Voltando ao seu regresso ao “1º de Agosto”, que expectativas traz, quando já ganhou no clube tudo que havia para ganhar enquanto técnico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MP- Costuma ser lugar-comum dizer-se que não se deve voltar ao lugar onde se foi feliz. Nunca devia recusar o convite feito para continuar às pessoas que insistiam comigo para ficar em 2006 e aos que afectivamente estou ligado .O Lutonda dizia insistentemente: “ O Prof não pode sair daqui” e expressava bem o carinho de todos, que eu provavelmente ao tempo avaliei de forma demasiado superficial, mas foi assim!&lt;br /&gt;Quero colocar o “1º de Agosto” no seu lugar de topo no basquetebol angolano e quero ajudar a desenvolver estruturas que ajudem o clube a renovar-se e simultaneamente a formar jogadores, técnicos e dirigentes que o potenciem como o maior clube angolano de basquetebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NJ- O Mário Palma está a dar uma entrevista defensiva, sem querer falar do basquetebol angolano, selecção, clube e técnicos, a maior parte dos quais trabalharam consigo enquanto jogadores e começaram consigo como técnicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MP- Admita que seria deselegante da minha parte fazer abordagens críticas à FAB, à selecção, a técnicos ou jogadores, isto para me circunscrever aos agentes activos do basquetebol. Tenho as minhas ideias, partilho pontualmente as minhas concepções, mas acho que não é importante para o basquetebol angolano abrir guerras artificiais, autofágicas que apenas beneficiam os nossos adversários e fragilizam o muito de bom que se tem feito no País no domínio desportivo. Penso que por vezes exigir-se-ia à FAB uma melhor política de comunicação, de forma a dar visibilidade a um trabalho esforçado e dedicado do Gustavo da Conceição e seus colegas de direcção. &lt;br /&gt;Conheço três gerações de jogadores ganhadores de Angola, treinei a maior parte deles, naturalmente que tenho que ter opinião, o que não devo é antes de chegar mandar recados, porque isso seria uma prática condenável. Admito sem rebuço que o Olimpio é potencialmente um dos melhores jogadores do Mundo na posição 2, como Lutonda que tem 40 anos e o Carlos Almeida deveriam ter sido convocados para a selecção nacional. Está a ver que não fujo a nada, mas há momentos para tudo, e este é o momento para regressar e trabalhar no propósito de alcandorar o 1º de Agosto aos patamares cimeiros do basquetebol africano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NJ- E a selecção de Angola? Pensa um dia voltar a sentar-se como timoneiro da selecção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MP- Sou um profissional de basquetebol, já passei por muito sítio, por isso nunca ponho de lado a hipótese de novos desafios ou repetir situações vividas com sucesso. Neste momento tenho um contrato com a selecção portuguesa que termina em Setembro de 2012. A selecção de Angola tem um corpo técnico a trabalhar, por isso parece-me extemporânea a pergunta. “ O Caminho faz-se caminhando” como dizia o poeta espanhol António Machado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NJ- Na minha opinião já devia ter sido dada a nacionalidade Angolana ao Mário Palma, não apenas pelas suas décadas em Angola, mas também por ter sido obreiro de grandes alegrias que Angola vem vindo a ter em termos desportivos há trinta anos. Que expectativa leva para uma Angola, diferente da que deixou em 2006?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MP- Gostava de ser cidadão angolano, e também partilho consigo a ideia que o mereço, mas isso não me cabe a mim resolver, ou melhor talvez venha a pedi-la, porque afinal sempre aqui vivi e o tempo que cá não vivi, vivia por aqui.&lt;br /&gt;No meu regresso vou gostar de visitar o País todo sem constrangimentos de qualquer ordem. Ir por estrada a locais onde já não vou há mais de trinta e cinco anos e que me marcaram na minha juventude vivida numa Luanda crioula dos anos 50 e 60. Vai ser um complemento excelente do basquetebol e revigorante para mim que sempre quis ver este País em paz e a desenvolver-se como parece acontecer a um ritmo interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NJ- Muito obrigado e felicidades no seu “Reviver o passado no 1º de Agosto”, e fica já aprazada nova conversa no fim da época para uma avaliação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;Hotel Tivoli Coimbra 22/8/2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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É o menos mau. Experimentamos um pouco de todos os regimes e agora podemos compreender isso. Mas esse regime só pode ser concebido, realizado e sustentado por homens que saibam que não sabem tudo, que se recusem a aceitar a condição proletária e nunca se conformem com a miséria dos outros, mas que recuse, justamente, a agravá-la em nome de uma teoria ou de um messianismo cego."&lt;br /&gt;Albert Camus, Novembro de 1948&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Há sessenta anos Camus dá um “murro” nos conceitos da esquerda francesa quando faz sair o livro L´Homme révolté , “ O Homem Revoltado”, o que o leva a zangas com anteriores “compagnons de route” como por exemplo Jean Paul Sartre, com quem nunca mais reatou relações.&lt;br /&gt;	Esse livro contextualizado num tempo em que Mao emergia na China como um libertador e um guia de uma revolução, no país mais populoso do mundo, quando MacArthur, o vitorioso general americano da guerra do Pacífico pedia bomba atómica sobre a China, no momento em que os americanos já intervinhamna Coreia, uma obra que punha em destaque a completa inutilidade das revoluções, era no mínimo espantoso.&lt;br /&gt;	Argumentava Camus que as três revoluções que eclodiram em França, reportando-se principalmente à de 1789, criticando a sua elevada violência, não conseguindo trazer à França um padrão de vida melhor que países escandinavos e os ingleses conseguiram sem grandes tumultos optando por transições pacíficas moderadas. &lt;br /&gt;	As críticas de Camus aos destemperos das revoluções não pararam por aí, visto que acreditava que os seus líderes no poder, mais tarde ou mais cedo, se tornavam repressores ou heréticos, policiais ou loucos!&lt;br /&gt;	Já há muito que não me lembrava deste livro de Camus e nem sei bem a que propósito, resolvi reler páginas que sublinhei há trinta anos, acrescidos de pontos de interrogação e exclamação, que reflectiam as minhas certezas em relação a certas passagens. Essas referências no texto eram nem mais nem menos que as minhas certezas de então, que a teimosia dos factos acabou por alterar para uma cada vez maior quantidade de dúvidas em relação à vida, ao mundo e às relações entre os homens num quadro que não pode ser limitado só à luta de classes, mas também não deve ser liminarmente abolido, como se tenta fazer quotidianamente na defesa do sacrossanto domínio de uma quase divindade chamada mercado.&lt;br /&gt;	Esta releitura de Albert Camus, um existencialista que me obrigou a ler tudo o que publicou, desde ensaio, romance ou teatro trouxe-me angústias, que julgava repelidas pela voragem dos tempos algo niilistas que vamos vivendo.&lt;br /&gt;	Uma das preocupações que tenho, e julgo que partilhada com algumas pessoas com quem vou discutindo ideologia e política tem a ver com a ausência total do ideológico no quadro político angolano. &lt;br /&gt;	Aparentemente muitos acham que a política é dispensável, mas não se coíbem de utilizar a sordidez de outras formas de manipulação para atingir a chefia dos chamados grupos de status, no nosso caso o racismo, as prerrogativas familiares, o regionalismo, e partirem daí para afirmações de um grande coração angolano, com as veias cavas oleadas em saborosas notas de dólar.&lt;br /&gt;	Como não existe democracia num estado puro. Não existe democracia no vazio. A democracia é sempre portadora de um conteúdo de classe, fico-me por uma citação de um livro comprado na ex-livraria Che Guevara em Cabinda há muitos anos, e que hoje também desfolhei sem particular interesse, e nessa altura sublinhei a vermelho, preto e amarelo: «As ideias nunca podem levar a ultrapassar um antigo estado do mundo, apenas podem permitir ultrapassar as ideias do antigo estado de coisas. Falando de uma maneira geral, as ideias nunca podem executar nada. Para executar as ideias, são necessários os homens, que põem em acção uma força prática».Karl Marx e Friedrich Engels, A Sagrada Família, Editorial Presença, 1974, p.179.&lt;br /&gt;	Não sei se vem a propósito, mas há mil e uma razões para não comprar um Rolls-Royce; a primeira é a falta de dinheiro… as outras, assim sendo já não interessam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;20/08/11&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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É de cor avermelhada, tamanho médio, parecida com o Kissonde. Suas mandíbulas são em forma de garra e armadas com grandes espinhos, semelhantes a dentes, que permitem que elas se prendam às suas presas durante o ataque. Suas picadas são extremamente dolorosas, irritantes e paralisantes. A dor que provoca assemelha-se com a da picada das "formigas de fogo".São a única espécie que remove e consome carne de vertebrados, como lagartos, serpentes e pássaros, inclusive de animais de maior porte, até o homem.&lt;br /&gt;Não vem muito a propósito, mas retenho na minha memória a invasão de uma horda de kissonde a um terreiro circundante às residências de uma exploração de café no Norte de Angola. Era miúdo, e recordo-me de ver milhões de formigas a deixarem lisinho o terreno por onde passavam, e a irromperem em direcção à fogueira entretanto ateada com gasolina, única forma de as conseguir parar e exterminá-las. &lt;br /&gt;Vou falar de outra “Marabunta”, uma personagem famosa da Luanda dos anos cinquenta e sessenta e que já só conheci numa fase em que a sua áurea se teria já desvanecido. Era uma madeirense que terá emigrado para Luanda, na busca de uma vida que dificilmente encontrava na sua Madeira. &lt;br /&gt;Segundo as vozes a “Marabunta” era uma mulher que desafiava a morrinha quotidiana da provinciana Luanda do antanho. Mulher vistosa, loura, despreconceituosa, ambiciosa, deslocava-se sempre num Chevrolet Corvette vermelho garrido descapotável, insinuando-se numa cidade que parava literalmente para a ver.&lt;br /&gt;Constava-se que esse Corvette era do Ferreira da Massa, que tinha umas fazendas de café, abriu o Bowling ao pé do Hospital Militar, uma fábrica de massas num edifício onde funciona a representação consular da África do Sul, ali para os Coqueiros.&lt;br /&gt;A “Marabunta”, apenas sei que se chamava Gracinda, alimentou muitas histórias e muita galga na Luanda dos anos sessenta e setenta, e só vê-la passar em frente ao Salvador Correia era para os que se empoleiravam no muro um verdadeiro troféu, imaginando pelos joelhos da senhora o torneamento do resto das pernas.&lt;br /&gt;A “Marabunta” era muito ciosa nas suas relações, e conta-se que um daqueles fazendeiros do café enriquecido, quis gozar com ela; Depois dos “preliminares”, passou-lhe um cheque de 20 contos (atenção estamos no fim dos anos 40 e era muita massa) sabendo que aquela conta só tinha 18, ela foi ao Banco de Angola, e como era sobejamente conhecida o banco depositou os dois contos e ela levantou o cheque. O fazendeiro acabou gozado quando pensou que estava a lidar com alguma “amadora”.&lt;br /&gt;Em determinada altura na hoje Avenida Valódia, estabeleceu-se na “Vidraria dos Combatentes”, paredes meias com o ” Punta del Pazo” , tendo comprado todo o material da “vidraria Leiriense”, ao lado da Saratoga ao pé do edifício na Mutamba que hoje alberga o Ministério das Finanças. Na cidade faziam-se conjecturas diversas, como é que ela teria conseguido o dinheiro para montar um estabelecimento, que era passagem obrigatória de miudagem e graudagem, por razões que pouco tinham a ver com vidros ou espelhos. Constava-se que tinha sido novo-rico do café do Golungo-Alto, que estava com ela amiúde no “Sporting” na 1ª rotunda da ilha, e que dizia em voz alta: “O meu dinheiro é inacabável”. Parece que a “Marabunta” sem muito esforço, provou o contrário em pouco tempo, tendo-o deixado falido. A realidade é que a senhora juntou-se entretanto com um furriel do exército colonial, que as más línguas da cidade chamavam de “furriel consorte” , mudou de carro, tendo comprado um Chevrolet Camaro   amarelo, aí por volta de 1970. Nessa altura já envelhecia e vendeu por muito bom preço o único Corvette descapotável que havia em Angola, e que tinha a matrícula AMF- -?&lt;br /&gt;Duas décadas de ouro, para o carro e para a Marabunta, afinal uma mulher que toda a cidade conhecia e contava histórias, muitas inventadas, mas que ainda hoje é recordada nas conversas de um cada vez maior número de pessoas, que cada vez mais se lembram do que se passou há muitos anos, e não se conseguem recordar o que fizeram uns dias antes. &lt;br /&gt;Para lá caminho também!&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;15-8-2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Eu conheci-o em miúdo e nunca mais me esqueci da abundante pilosidade das suas mãos, sempre em movimento no meio de berros quase imperceptíveis.&lt;br /&gt;	Tinha uma actividade comercial fecunda e as suas cantinas proliferavam por todo o Norte de Angola desde o Ucua, Camabatela, Kimbele, Quitexe, Kalandula, Ambriz, Cangola, Tomboco, uma teia que percorria várias vezes por ano para fazer contas com empregados locais. Quando fazia as contas e o empregado se queixava que “o negócio estava mau”, o “Massa Bruta”, como também era conhecido, dizia ao feitor que o acompanhava que “faça contas com este tipo”; Perante a estupefacção do empregado dizia: “Um empregado meu tem que roubar para ele e para mim, só roubar para ele não é negócio ”.&lt;br /&gt;	Tinha umas fazendas de café, uma demarcação de gado e muitos prédios urbanos espalhados pelo norte de Angola, Luanda, Lisboa e Valpaços, onde quando ia de férias havia sempre uma festa programada com banda fanfarra e bailarico durante dias, onde as pessoas comiam por sua conta. Era um gastar à tripa-forra de uma pessoa que era avaro no que tocava a fazer face às suas obrigações, para com os contratados nas suas propriedades em África, muito pouco respeitados aliás.&lt;br /&gt;	Em Luanda, num terreno na Valódia onde até há bem pouco tempo havia um mercado numa miserável adaptação africana dos jardins do Dali em Figueras, o João Ferreira preparava-se para fazer o maior prédio de África, “donde se avistasse Catete”, que felizmente se ficou pelas intenções, frustradas pela evolução política angolana.&lt;br /&gt;	Contam-se histórias surpreendentes do João Ferreira, como aquela de ter ido ao BCA, no início dos anos 60,  e com o ar andrajoso terá pedido 15.000 contos da sua conta, ao que o empregado disse que tivesse juízo; Como o Ferreira insistia que queria o dinheiro, o gerente do banco é chamado ao balcão e fica lívido quando se depara com a situação. O fanfarrão do Ferreira exigiu que o empregado fosse demitido e que lhe fosse dado todo o dinheiro que por lá tinha, algo que o Banco despodia fazer. Depois daí a história espalhou-se que seria para instalar o BCCI, que o dinheiro teria ido em camionetas para o mato em notas de vinte, que o caixa que contou o dinheiro se enganou na contagem e deu mais de mil contos, tendo ido ao Negage de avião e depois de sanado o erro, o Ferreira terá dito: “ Tome lá os mil contos, que dinheiro só quero o meu, e leve mais este molho de cem para os gastos e o susto”. Conta-se a história de ter comprado o “Hotel Mundial”, depois de lhe ter sido barrada a entrada por se apresentar sujo e andrajoso, tendo exigido o despedimento imediato do empregado.&lt;br /&gt;	O João Ferreira em determinada altura, numa atitude recorrente de “coronel” brasileiro do interior, quis impor no Desportivo do Negage algo que desagradava aos outros directores, que ousaram desafiá-lo. Não esteve com meias medidas, fundou o Sporting, mandou alguém a Lisboa comprar uns jogadores das reservas do Benfica, alguns já com varizes, e eis que nos deparamos no fim dos anos sessenta, uma vila do interior com duas equipas a disputar um campeonato de doze equipas, numa afirmação clara que o dinheiro abrutalhadamente conseguido vale mais que tudo.&lt;br /&gt;	Para muitos era uma figura notável, que colocou o Negage no mapa, tendo inaugurado em 1971 o Hotel Tombwaza à entrada na estrada que vinha de Camabatela, mas não passava de uma figura ridícula apaparicado porque tinha dinheiro, não sabia ler nem escrever, não sabia conduzir, não andava de avião, em síntese uma pessoa amiudadas vezes recordada pelos piores motivos.&lt;br /&gt;	Não respeitava a autoridade, porque entendia que era ele que a pagava, tratava toda a gente com sobranceria e era excessivamente grosseiro com os seus empregados principalmente com os trabalhadores negros; Não usava cheques e o seu mundo era limitado e talvez mesmo os seus maiores devaneios foram as garrafas de espumante marado que pagava a rodos nos cabarets luandenses Bambi, Marialvas, Embaixador etc., onde a sua boçalidade era insistentemente comentada. &lt;br /&gt;Gente deste jaez era dispensável em Angola.&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;8/08/2011&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Realmente a primeira proeminente figura da Semiótica mundial foi Luís de Camões, ombreando com o Capitão Gancho e mais recentemente com o antigo ministro da defesa israelita, Moshe Dyan. O comum destes tipos era só terem um olho, ou apropriadamente dizerem, trazer tudo debaixo de olho!&lt;br /&gt;Falando de Luís Vaz de Camões, que tem para aí dez terras a assumirem que nasceu por lá! Lisboa (os lisboetas só ainda não assumiram que o Pinto da Costa nasceu lá, porque ainda é vivo, e inevitavelmente daqui a 500 anos irão, de certeza fazer-lhe uma estátua, colocarem uma lápide numa casa a dizer:”Aqui presumivelmente nasceu Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa, homem sério, vencedor como nenhum outro, incompreendido no seu tempo!”). Santarém, Coimbra, Constança, Porto, Linhares da Beira, outras e paradoxalmente no meio de todas Olhão, que presumo por um devaneio humorístico, pois só faltaria, terem dito, que o homem teria nascido na avenida da Boavista no Porto.&lt;br /&gt;               O Luís de Camões fascina-me em muitos aspectos! Começando pelo seu fim, admitamos que personifica algum pechisbeckismo dos portugueses. Estar na miséria, e ter um escravo com nome económico, Jau, para mendigar por ele. Tinha uma tença, que revela bem que o problema das reformas é já um problema antigo, que não lhe dava para sobreviver, e vai daí arranja um escravo para cobrir alguma zona da cidade. Esta de ter um escravo para pedir esmola é coisa grande!&lt;br /&gt;               Outra coisa que me fascina, é o facto de ele ter atravessado o mar da China, com os Lusíadas numa mão no meio da tempestade. Sinceramente era demais, sem um olho e só com um braço, o homem merecia uma toalha da GANT á chegada, um chá e uns scones quentinhos! Como ainda não havia a indústria da petroquímica, nem os derivados do petróleo, não se pensava sequer nos sacos de polietileno, para embrulhar o notável canto IX dos Lusíadas, que no liceu só um professor de português numa de clandestinidade ousou mencionar. Houve alguém que insistiu presumir, que todo esse episódio aconteceu na Costa dos Esqueletos, perto do rio Cunene. &lt;br /&gt;                 Já vem de longe, a falta de apoio aos criadores e à cultura, algo que não acontece com a gente dos mercados, tão apoiados sempre pelo dinheiro subtraído aos contribuintes.&lt;br /&gt;                 Algo em que o olho é recorrente ou não estivéssemos a falar de Camões é vê-lo andar sempre metido com o olho pelas casadas, o que o obrigou a "ser olho por olho, dente por dente", prevalecendo no caso dele o “olho por olho”! &lt;br /&gt;                  Deixo o “olho por olho” pois não faltaria muito para ser acusado de revelar alguma homofobia no que estou a escrever, fruto de leituras enviesadas que alguns fazem destes escritos.&lt;br /&gt;Deixem-me pelo menos finalizar com duas breves citações do discurso do mal-amado Jorge de Sena no 10 de Junho de 1977 na Guarda sobre Camões e Portugal:&lt;br /&gt;“Os portugueses são de um individualismo mórbido e infantil de meninos que nunca se libertaram do peso da mãezinha; e por isso disfarçam a sua insegurança adulta com a máscara da paixão cega, da obediência partidária não menos cega, ou do cinismo mais oportunista, quando se vêem confrontados, como é o caso desde Abril de 1974, com a experiência da liberdade”&lt;br /&gt;“Deixem-me todavia recordar-vos que o grande aproveitacionismo de Camões para oportunismos de politicagem moderna não foi iniciado pela reacção. Esta, na verdade, e desde sempre, mesmo quando brandindo Camões, sentia que as mãos lhe ardiam. Aqueles oportunismos foram iniciados com o liberalismo romântico e com o positivismo republicano”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira &lt;br /&gt;7-08-2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Não me canso de repetir que a entrevista merece reflexão, e acima de tudo urge discutir a cidade nas suas múltiplas vertentes, para ver se ainda vamos a tempo de conseguir salvar alguma coisa para o futuro, sendo nossa obrigação pedir desculpa aos vindouros por lhe termos legado um património edificado com tamanha falta de visão e qualidade.&lt;br /&gt;A visita a Kilamba Kiaxi obrigou-me a procurar a revista “Novembro” de Fevereiro/ Abril de 1977, onde recordei a viagem de Fidel de Castro a Angola em 23 de Março de 1977. Dirigida pelo saudoso Mário Alcântara Monteiro, esta “Novembro” trouxe-me  gratas recordações da vivencia colectiva de um País que emergia orgulhoso no contexto das nações africanas.&lt;br /&gt;Fui ler o discurso de Fidel de Castro no Golfe, por ironia muito perto do que é hoje a Nova Cidade de Kilamba Kiaxi, e a realidade é que ao tempo o discurso era coerente e nalguns aspectos mantém grande actualidade.&lt;br /&gt;“Antes de vir a Luanda, todos os cubanos me diziam: “Luanda é uma cidade muito bonita”. Efectivamente Luanda é uma cidade muito bonita. Tem grandes edifícios de dez, doze andares; grandes avenidas… Há 140 edifícios para terminar…” “Agora, o governo angolano enfrenta estes problemas: Muitos grandes edifícios que estão por terminar_ E muitas famílias vivem nos musseques. Que fazer? Dedicar todos os recursos a concluir esses edifícios? Serão alguns centos, talvez alguns milhares de habitações. Mas isso é muito caro. Com o que custa um desses apartamentos talvez se façam três casas…” “…Aqui no Golfe há-de erguer-se a primeira experiencia piloto de urbanização” …” Os prédios se forem muito altos precisam de elevadores, tecnologia que os angolanos não dispõem e ficam sempre dependentes dos países capitalistas para a sua manutenção”… Se forem moradias unifamiliares aumentam de tal forma a cidade que precisam de uma rede de transporte eficaz e as viaturas e manutenção dependem do imperialismo” …”a solução tem que ser prédios pequenos onde se estabeleçam relações de convívio e vizinhança e que não aumentem a cidade de forma a torná-la insuportável”… E por aí fora sintetizada numa frase: “ a Revolução tem que construir para todos”.&lt;br /&gt;Do que li desta alocução de Fidel de Castro nada contraria o que Simões de Carvalho disse na sua entrevista ao Semanário Angolense. Ontem como hoje a manterem-se as coisas os problemas de amanhã serão os mesmos.&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;30/7/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Maria II, “ A filha rebelde”.&lt;br /&gt; A peça baseada num texto de José Pedro Castanheira, com Margarida Fonseca Santos como encenadora e Carlos Fragateiro na qualidade de director do D. Maria II, réus num processo em que eram acusados de difamar a figura do falecido Fernando da Silva Pais, o ultimo director da PIDE- DGS em Portugal. Os familiares acusaram os autores da peça de “colocarem na lama” o bom nome do seu tio, e o que se me oferece dizer é que o Silva Pais tem que ter o nome e a vida dele sempre na lama, que é o seu lugar, tais os crimes que cumpliciou. &lt;br /&gt; Aconteceu a absolvição dos réus com o argumento do juiz que deveria fazer jurisprudência: “a crítica pública devia ser um direito e não um risco”.&lt;br /&gt; Ao contrário de algum marasmo qualitativo na literatura angolana actual, assistimos na literatura portuguesa ao aparecimento de excelentes talentos que temos que referenciar, já que cada vez mais a expressão oficial portuguesa é a unidade da nossa vida comum. Walter Hugo Mãe (pseudónimo de WH Lemos) por acaso nascido em Saurimo em 1971 é hoje um dos emergentes romancistas portugueses com enorme êxito em Portugal e no Brasil, tendo Saramago comentado em 2008 que “estávamos perante um tsunami na literatura” e curiosamente um dos poucos que António Lobo Antunes elogiou. “A máquina de fazer espanhós” é um livro de leitura urgente, deste multifacetado artista plástico, romancista, poeta, editor e DJ. &lt;br /&gt;Outro dos brilhantes escritores da nova geração, por acaso também nascido em Angola (Luanda 1970) é Gonçalo M. Tavares que em 2007 recebeu vários prémios, um deles entregue por José Saramago e que disse a propósito do romance “Jerusalem”: «é um grande livro, que pertence à grande literatura ocidental. Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater!». Este ultimo livro “Uma viagem à Índia” recentemente editado pela Caminho, é uma obra extraordinária e corolário de todo um percurso de vários “Senhores”, conjunto de livros surpreendentes do autor.&lt;br /&gt;Se juntarmos a estes um José Luis Peixoto, um João Tordo ou um Jacinto Lucas Pires, para citar apenas meia dúzia de romancistas, podemos afirmar sem rebuço estarmos perante um período muito interessante das letras do “Ultramar” com a capital em Lisboa!&lt;br /&gt;Estamos no ano da comemoração do centenário do nascimento de um dos poetas portugueses que melhor escreveu o Alentejo, suas gentes e lutas; Manuel da Fonseca (1911-1993) foi um dos grandes do neo-realismo, fundador da Vértice, onde colaboraram também Eugénio Ferreira e Manuel Rui Monteiro, e presidente em 1965 da Sociedade Portuguesa de Escritores quando esta foi encerrada, na conhecida circunstância da atribuição do prémio a Luandino Vieira pelo seu romance Luuanda.&lt;br /&gt;Manuel da Fonseca viu muitos dos seus poemas serem musicados por um dos cantores de intervenção mais injustamente esquecidos em Portugal e em Angola: Adriano Correia de Oliveira.&lt;br /&gt;Adriano Correia de Oliveira (1942-1982), um enorme coração de 1,80m foi um exímio intérprete da canção de Coimbra, “baladeiro”, cantor de intervenção, actor de teatro, jogador de voleibol, estudante de direito e acima de tudo um homem solidário e um verdadeiro distribuidor de afectos.&lt;br /&gt;Participou com Zeca Afonso, Fausto, Ruy Mingas entre outros num espectáculo de apoio ao MPLA na Cidadela, e entre muitos apertos que teve ao longo da vida lembrava sempre o do “canto livre” da cantina da Universidade, na baixa de Luanda ao pé da Igreja da Nazaré, quando a cantina foi invadida por provocadores armados da FNLA nesse distante 1975.&lt;br /&gt;Trabalhou com alguns de nós em muita coisa relacionada com a emergente Republica Popular de Angola, nomeadamente no Órgão Coordenador do MPLA para a Europa, no Luciano Cordeiro em Lisboa, onde se fazia de tudo em pouco para se substituir uma embaixada que não havia então em Portugal.&lt;br /&gt;O Luis Filipe Colaço, nosso insigne estatístico, colaborou com o Adriano nos arranjos musicais do disco “O Canto e as Armas” de 1971 onde tem uma canção com poema seu, editado pelo Arnaldo Trindade, antecedendo a sua fuga de Portugal para se juntar aos muitos que lutavam por uma Angola diferente.&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;24/7/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Das relações dos grupos económicos portugueses em Angola no período entre 1910 e 1974, o livro pouca novidade traz a muitos outros que foram sendo publicados há longos anos a esta parte, desde o estudo de Maria Belmira Martins, Maria Filomena Mónica, Pedro Ramos de Almeida, Eduardo Sousa Ferreira, Armando de Castro e quejandos ao nosso conterrâneo Henrique Guerra, no seu “Angola, Estrutura Económica e Classes Sociais”, livro escrito na prisão de Peniche em 1972 e 1973, onde esteve preso por actividade política na luta anti-colonial.&lt;br /&gt; O que acaba por ser interessante neste livro são a constituição dos novos grupos económicos portugueses e a sua interligação e participação no capital por grupos angolanos, e a sua reciprocidade.&lt;br /&gt; O livro é a compilação de textos académicos a que os autores deram uma discutível componente política de um espaço económico pronunciadamente agrilhoado.&lt;br /&gt; Foi com surpresa que li que o Presidente José Eduardo dos Santos, teria dito que quando da independência, Angola teria apenas quarenta licenciados! Não faço a menor ideia em que contexto o disse, mas qualquer que seja está completamente equivocado.&lt;br /&gt; Recordo-me que em 1978 na esteira do 1º Congresso do MPLA houve por parte da então Universidade de Angola, hoje Agostinho Neto, a necessidade de se criar uma comissão que determinasse o número de doutorados, mestres, licenciados e bacharéis existentes no País e ao que se apurou por exemplo no tocante a médicos angolanos eram pelo menos 58, se a memória não me trai. Esse documento foi muito badalado pois havia profissões em que o número de licenciados era de três, falando por exemplo de geólogos. Era curioso o número de antropólogos e sociólogos que apareceram então, e que era motivo de alguns dichotes, no que o angolano é de uma prodigalidade assinalável.&lt;br /&gt; O livro de Carlos Rocha Dilolwa de 1978, “Contribuição à História Económica de Angola”, apontando os números da colonial FASTA (Fundo de Acção Social no Trabalho), refere 3094 alunos matriculados no ensino superior em Angola e 274 docentes em 1972. Convirá não esquecer que Angola no tempo colonial não tinha várias faculdades, como por exemplo Direito, Arquitectura entre outras. Dilolwa aponta para a existência de 561 médicos em 1973 na colónia, exceptuando os da tropa colonial. Mesmo grande como foi a debandada houve muitos que permaneceram e outros que regressaram O próprio livro encomiástico sobre Angola, da Progresso de Moscovo, de L.L. Fituni diz que Angola em 1976 tinha 50 médicos de um total de 750 no tempo colonial. &lt;br /&gt; Estes livros da editorial Progresso deviam ser elevados a objectos de culto, nomeadamente os que existem sobre Angola e que guardo religiosamente na minha estante. Ocasionalmente, como foi o caso, abro-os e não me fico pelo que vou procurar; Vou começando a ler e realmente os “sovias” conseguiam mostrar uma Angola que nem os próprios angolanos mais acérrimos defensores de qualquer causa tinham “peito” para defender. &lt;br /&gt; Oleg Ignatiev, o citado Fituni, Albert Nenarakov ou o Tarabrin, doutor em ciências históricas (leis gerais e carácter específico da luta anti-imperialista), são alguns dos muitos e pujantes escritores da ex-URSS que falavam de Angola com pouco ou nenhum conhecimento, mas lá enxameavam as poucas montras das livrarias com livros que empoeiradamente se iam mantendo, até que alguém se lembrasse que o sol já tinha descolorada a encadernação.&lt;br /&gt; No livro do tal Fituni vem um quadro com a população de Angola em 1980 dividido em etnias: Africano, Branco e Mestiço! Uma “pérola” entre várias.&lt;br /&gt; Estou convencido que alguns destes livros só poderiam ter vindo na cabine de algum limpa-neve!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fernando Pereira&lt;br /&gt; 19/7/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Paulo que sabia ter um único sentido no tempo colonial confronto-me com um carro em sentido contrário. Naturalmente desviei-me porque a ideia com que fiquei foi que o condutor era um neófito na cidade e iria fazer o mesmo, devendo explicar-lhe que estava enganado. O homem, um expatriado, ao tempo cooperante começou a vociferar e a agitar os braços de forma ameaçadora, como a razão lhe assistisse.&lt;br /&gt;Eu, cidadão nado e criado em Luanda resolvi perder uma parte das boas maneiras e resolvi desfacilitar pela falta de propósitos do indivíduo. Saiu do carro e dirigiu-se a mim e peremptoriamente afirmava, com tiques até simiescos, que eu estava a transgredir, respondendo-lhe que quem estava a fazê-lo era ele pois aquela rua sempre teve aquele sentido. Ele argumentava que não havia placa nenhuma, e disse-lhe o mesmo que faziam os polícias de Luanda enquanto passavam a multa: “já lá esteve”. O tipo saiu a abanar a cabeça, deu meia volta e reentrou na legalidade, ainda que desconvencido.&lt;br /&gt;Se houve placas que já caíram várias vezes houve outras que se mantém de azulejo, cimento e ferro de pé na cidade com a toponímia colonial bem vincada e quase a afirmar que “aqui foi Portugal”!&lt;br /&gt;A Igreja da Sagrada Família foi executada segundo o plano gizado pelos arquitectos António de Sousa Mendes e Sabino Luis Martins, que ficaram em segundo lugar no concurso para o projecto em 1964, tendo sido preterido o desenho do arquitecto do Lobito, António Campino (1917-1997), o vencedor do concurso, considerado demasiado arrojado pelas autoridades eclesiásticas. &lt;br /&gt;Em tempos quando a sua conservação deixou muito a desejar o léxico verrinoso do luandense chamava-lhe a “desgraçada família”. Nas traseiras do templo há uma placa que indica a Rua D. Manuel I, Rei de Portugal (sec. XV e XVI) que termina no Largo da Independência. &lt;br /&gt;Convenhamos que é no mínimo irónico, quando vemos ruas com nomes de cientistas, escritores e cidades serem substituídas pelas razões políticas mais pueris e permanecer este nome, que terá sido o rei que mais “colheu” com os “descobrimentos” ou “achamentos” como bem dizem os brasileiros.&lt;br /&gt;Lembro que a Sagrada Família foi inaugurada pelo Américo Tomas, ao tempo presidente da Republica de Portugal e logo se me amemoriou o discurso feito pelo Tomaz em 1970 noutras circunstancias não menos risíveis.&lt;br /&gt;Ao presidir à cerimónia da inauguração da estátua de D. Manuel I, em Alcochete, o Chefe do Estado afirmou: «Vive hoje a vila de Alcochete o dia mais festivo da sua existência milenária, ao encerrar as comemorações do quinto centenário do nascimento do rei D. Manuel I com a inauguração da estátua erguida na terra em que o rei «Venturoso» viu a luz da vida, há 501 anos. ( ... ) Primo direito do rei D. João II, sobrinho do rei D. Afonso V, sobrinho-neto do Infante  D. Henrique ,o excelso príncipe das Descobertas, e bisneto do rei D. João I, D. Manuel foi o nono filho do Infante D. Fernando, irmão único de D. Afonso V. Quando aqui nasceu em 1469, nada faria 'prever que pudesse vir a ser rei de Portugal, mas uma série de imprevisíveis acontecimentos caprichou em o tomar o único herdeiro legitimo de D. João II, quatro anos antes da morte do grande rei e notabilíssimo governante, que pela sua sagacidade e persistência excepcionais, se tomou num dos maiores homens portugueses de todos os tempos. Desígnios da providência”. Depois de referir que “as palavras que proferia não eram propriamente para acrescentar qualquer achega às que foram ditas e muito bem ditas”, o Chefe do Estado afirmou, a certo passo: “D. Manuel I beneficiou de um passado que lhe preparou magnificamente o futuro. Foi, sem dúvida, sumamente venturoso por isso, mas não o teria sido se o não tivesse sabido ser. Esta uma verdade que seria injustiça não lembrar nesta ocasião solene. Termino, apresentando os meus respeitosos cumprimentos aos nobres descendentes do rei Sr. D. Manuel I e lembrando também que devemos ser gratos à sua memória e honrar a obra imensa que realizou. É o que estamos presentemente fazendo em África”.&lt;br /&gt;Falta só dizer que este texto foi objecto de censura pelos serviços do “Exame Prévio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;12/7/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Há sempre a possibilidade de poder consultar o site de uma fundação perto de si (neste caso, no largo de S. Bento, perto do Rato).&lt;br /&gt; Como o Tomas enquanto presidente tinha mais piada que o Cavaco Silva, apesar das atribuições serem iguais, não resisto a colocar aqui uma parte de um discurso e reportagem em 1970 em Torres Vedras: O Chefe de Estado visitou Torres Vedras, onde inaugurou vários melhoramentos. À sua chegada, uma força da Legião Portuguesa prestou as honras da praxe ao Almirante Américo Tomás. Ao discursar, durante a sessão de boas-vindas, o Chefe do Estado evocou o papel histórico das linhas de Torres. Disse o Almirante Américo Tomás: “Tem esta terra, senhor presidente, largas tradições, tradições que vêm de muito longe; mas eu agora só quero referir aquelas que distam no tempo de século e meio. Aqui estão colocadas as Linhas de Torres, essas Linhas que conseguiram parar os exércitos de Napoleão e salvar a cidade de Lisboa na terceira invasão francesa. Pois bem, esta terra cumpriu, através das suas Linhas, o seu papel na defesa da Pátria. Tem cumprido sempre esse papel ao longo dos tempos e eu, neste momento, para terminar estas minhas palavras, quero dizer que as Linhas de Torres estão presentemente em todo o nosso Pais: começam no nosso Ultramar, mas, também, aqui na Metrópole, elas são absolutamente indispensáveis, porque temos que defender a nossa Pátria em todos os lugares onde ela existe. E hoje, nos tempos modernos, o campo de batalha não está apenas no sítio em que as lutas se travam: está em toda a parte, e nós, por conseguinte, precisamos de ter Linhas de Torres em todo o nosso Pais, em todo o nosso território,..”&lt;br /&gt; Não sei se irei ler o “18  Brumário de Luis Bonaparte” de Marx para seguir as orientações do também Nobre, mas Soares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;27/6/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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M. Pereira em Lisboa 1968.&lt;br /&gt; Peço que desculpem o termo, mas o livro é uma verdadeira náusea no que às relações humanas e raciais respeitam.&lt;br /&gt; Vamos por partes. Este Mugur Valahu nasceu em Bucareste em 1920 e faleceu no sul de França em 2003. Aos vinte anos, como membro da organização fascista romena da “Guarda de Ferro” , a "Orastie Libertatea", participa e é ferido na “Operação Barbarrosa”, nome de código da intervenção militar nazi na URSS durante a segunda guerra mundial, integrado como voluntário no exército de Hitler. &lt;br /&gt; Em 1946, algum tempo depois da queda do pró-nazi Ion Antonescu, Mugur foge para em Paris onde começa um percurso de jornalista na Rádio Free Europe, BBC, Fígaro e France-Press, tendo conseguido a nacionalidade americana graças aos  bons ofícios de uns quantos romenos exilados nos EUA, acolitados pelo arcebispo da Igreja Ortodoxa, Valeria Trifa, presidente da National Union of Romanian Christian Students, organização de legionários do regime romeno, e serventuário das “potencias do Eixo”&lt;br /&gt;  Mugur Valahu começa a descobrir uma vocação africana, emoldurada com muito dinheiro à mistura, e em 1961 ei-lo no Congo, mais propriamente no Katanga posteriormente Shaba, onde escreve um livro: “Aqui jaz o Katanga” (The Katanga Circus 1964). O livro eivado de racismo primário é sintetizado no comentário do “Pantera Cor-de-rosa”, o general colonialista Kaulza de Arriaga:”Os povos negros são, de todos os povos do mundo, os menos inteligentes”… “O perigo da civilização colonial vem dos negros evoluídos, mas graças a Deus nós não temos possibilidade de fazer evoluir todos os negros”. Já nem me preocupo em reproduzir as recomendações do K. “na necessidade de crescimento da população branca e na limitação da população negra através da limitação científica da natalidade”.&lt;br /&gt; Mugur Valahu, um mercenário da caneta, do tipo Cascudo ( que foi assessor de imprensa da FNLA, depois de muitos trabalhos laudatórios para o CITA , de Alves Cardos, conhecido entre os jornalistas em Angola em meados dos anos sessenta pelo “Major Cabaça”  (polido por fora e oco por dentro).&lt;br /&gt; Ler este livro ou discursos, publicações ou opúsculos de Henrique Paiva Couceiro, Norton de Matos, Mousinho de Albuquerque é exactamente o mesmo no conceito que tem do africano, e no caso do angolano. &lt;br /&gt; “O contacto com o branco mudou naturalmente os hábitos dos negros, que muitas vezes tiveram que trabalhar a chicote. Há pessoas que perguntam certamente por que motivo os portugueses recorreram no passado ao trabalho obrigatório, e hoje ainda recorrem á disciplina dos contratos. É que se os deixassem viver à sua moda frugal, sem nada fazer, a maioria do tempo, os Negros de Angola, e também dos outros países, viveriam na ociosidade”…”Foi pois o branco que, com as suas tentações, os veio tirar do seu torpor” (SIC).&lt;br /&gt; Outra pérola sobre a actividade psico-social do exército colonial numa determinada fase da guerra em Angola: “ Se o negro nos rouba qualquer coisa, é preciso censurá-lo abertamente e reclamar a restituição do objecto; nem ele se sente atrapalhado se for apanhado com a mão dentro da algibeira do próximo. Se, pelo contrário aceitamos as suas negativas, as suas mentiras, não hesitará em falar de nós como de imbecis que se deixam facilmente intrujar”(SIC).&lt;br /&gt; Este livro, hoje uma raridade não é uma obra para se esquecer, é acima de tudo só e apenas mais um documento do que foi um passado em Angola há quarenta anos e qual era a ideologia prevalecente, no contexto de um tempo que muitos não se coíbem de dizer com total desfaçatez que nem foi mau de todo!&lt;br /&gt; Parece descabido neste arrazoado de mentalidades bafientas falar de Ernest Hemingway, mas relembramos que fez cinquenta anos se suicidou na sua casa de Ketchum no Idaho (2 de Julho de 1961). Terá sido um dos melhores de sempre, e que no Velho e o Mar deixa esta frase: «o homem não foi feito para a derrota», «um homem pode ser destruído mas não derrotado.».&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fernando Pereira &lt;br /&gt;30/6/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Mercado muito, criatividade cada vez menos!&lt;br /&gt; Em Luanda na segunda metade dos anos setenta levantou-se um coro de protestos em torno da exibição do filme a “Vitória em Entebbe” no Cine Atlantico. Uma parada de estrelas liderada pelo judeu Marvin Chomsky resolveu fazer uma recriação do resgate de um avião da Air-France, sequestrado por um comando palestiniano que exigia a libertação de presos em Israel. O filme era uma adaptação moderna do Weissmuler e a sua racista pose de Tarzan, num misto de qualquer coisa como “O ultimo comboio do Katanga” ou o “Africa Adeus”, filmes que recorrentemente passavam no Colonial, N’gola e S. João na primeira metade dos anos 60.&lt;br /&gt; O filme era vexatório e nem os que se opunham a Idi Amin em África toleraram tamanha dose de arrogância sionista e racismo, daí os protestos no “Jornal de Angola” ao tempo o único jornal do País. Trinta anos depois a extraordinária interpretação do tranquilo Forest Whitaker no papel de Idi Amin, James McAvoy na pele de Dr. Nicolas Gerringan, numa realização superior de Kevin Macdonald do filme “ O Ultimo Rei da Escócia”, trata de forma fidedigna os tempos de crueldade num dos mais prósperos países agrícolas de África.&lt;br /&gt; Idi Amin era presidente do Uganda e da OUA quando a Republica Popular de Angola se tornou independente e houve acordos com Nixon tendentes a que a UNITA fosse privilegiada na luta pelo poder em Angola. Foi Idi Amin quem forçou o reconhecimento da UNITA como movimento de libertação com o sórdido argumento de que Àfrica devia ser para os negros, como Deus lhe havia confidenciado a seguir ao golpe de Estado que depôs em 1971 Milton Obote.&lt;br /&gt; Os britânicos apoiaram este antigo boxeur, sargento dos King’s African Riffles, na expectativa de terem alguém mais brando para defender os seus interesses. As elites africanas adaptaram-se a ele durante longo tempo, visto que aquele que afirmava que “nunca se chega tão depressa como uma bala de espingarda” foi eleito em 1975 para a presidência da OUA, e nessa qualidade recebido por Paulo VI. Nyerere em vão protestava:” Um assassino, um opressor, um fascista negro e um admirador confesso do fascismo”, e a realidade é que para além de cem mil mortos no seu consulado (1971-1979), o corte de relações com o Reino Unido, a sua promoção a marechal com toda a parafernália de pechisbeque e trajes, a expulsão de 90.000 indo paquistaneses, indispensáveis à economia do Uganda e deixou o País à beira da fome e a população no estado mais desesperado de indigência.&lt;br /&gt; Idi Amin, o “Big Daddy”como gostava de ser chamado fazia parte dos 7% de muçulmanos dos vinte milhões de habitantes do Uganda e foi deposto por Yusuf Lule em 1979, que numa entrevista à Afrique-Asie de 16 de Abril desse ano disse que “ O Islão nunca foi tão terrivelmente caricaturado como por Idi Amin Dada, que acabará no caixote do lixo da história…”.&lt;br /&gt; Ainda não andava a “Bimby” por perto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;27/6/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Nos últimos tempos vai-se assistindo um pouco por toda a cidade a eventos culturais tão diversificados na área das artes plásticas, dança, música de referências diversas e de boa qualidade, cinema e documentário, colóquios, uma multiplicidade de ofertas que cada vez mais tornam a cidade num local vivível e não tão dependente do “4 de Fevereiro” para se ter acesso a bens culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quadro da edição literária nota-se um outro fulgor com a apresentação de novos títulos, novas editoras a aparecerem com propostas interessantíssimas revelando que há quem trabalhe, pesquise, divulgue e simultaneamente há quem aposte, sendo a “Mayamba” do Arlindo Isabel um dos muitos exemplos, provando que há mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui há uns tempos recebi a herança um conjunto de jornais, revistas, livros e documentos, a maior parte em acentuada estragação. Meticulosamente estive a fazer-lhes um arremedo de classificação e catalogação para depois tentar dar-lhes um destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma parte resolvi doar ao “Centro de Documentação 25 de Abril” da Universidade de Coimbra, porque entendi que eram mais “resguardáveis e utilizáveis” que em minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das revistas que estava naquele imenso amontoado era a “Ilustração Portuguesa”de Junho de 1910, que trazia um conjunto de fotos de uma “torada em Loanda”, numa improvisada praça adaptada no Velódromo da cidade. Esse Velódromo viu-se substituído pelo actual estádio dos Coqueiros, Clube de Ténis e instalações desportivas e sociais do Sporting de Luanda no dealbar dos anos trinta do século passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se presumir que a tourada tenha sido um evento importante na cidade, embora o texto não seja muito descritivo, já que a revista vivia à base de fotos, no caso a reportagem feita por um tal Anselmo Dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de ter ido em miúdo no tempo colonial ver uma tourada na praça de touros de Luanda, sempre de má memória, com um tio meu que era aficionado da “festa brava”. Recusei-me mais tarde, já adolescente a partilhar esse gosto com ele no Lubango e em Portugal na Figueira da Foz. Nunca mais tentou aliciar-me porque de facto fui sempre relutante a ver espectáculos onde a selvajaria e o opróbrio imperam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca percebi nada de tourada mas o que diziam os aficionados em postura pós prandial participantes em grotescos e imperceptíveis urros e “olés”, tinha a ver com a falta de qualidade dos touros, que quase adormeciam na arena na canícula do Janeiro de Luanda, causada por uma viagem de barco de Portugal e sedados durante dias. Os animais na Europa latina e no México são vítimas de extrema violência nas horas que antecedem a “refrega”. Em Luanda a moleza aumentava a ira dos toureiros, e a desforra era a violência bravia sobre o animal, o que ainda tornava o quadro mais torpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se pretendia objectivamente era criar em Luanda uma alternativa ao toureio na então “Metrópole”, que só começava a ter época de Abril a Outubro. O resto da temporada para a faena e para o dinheiro era dividido entre Luanda e Lourenço Marques, onde emergiu o único negro do toureio apeado no Mundo, o Ricardo Chibanga, que vive hoje retirado das lides numa quinta da Golegã em pleno Ribatejo. A par de Luanda, o Lubango também tinha uma praça de touros, mas aí não surpreende já que era uma cidade contra-natura em África, já que até 1974 conseguia ter mais população branca que preta. Em Luanda ainda houve um grupo de forcados constituído e pouco mais se fez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou o registo de um espectáculo selvagem e bárbaro, aviltante para os cidadãos no século XXI, mas que felizmente vai sendo cada vez mais contestado pelo crescendo de grupos de apoio aos direitos dos animais, o que levou recentemente à sua proibição em vários locais, por exemplo na emblemática Catalunha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como escreveu José Carlos Ary dos Santos: Nós vamos pegar o mundo/ pelos cornos da desgraça/ e fazermos da tristeza/ graça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19/6/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Nasceu no Namibe, neto dos primeiros colonos que aportaram no deserto no fim do século XIX vindos do Brasil. Estudou no Liceu Diogo Cão e formou-se em Engenharia no Porto no distante ano de1947 . Fixou-se no Lobito, onde desenvolveu marcada actividade política, empresarial e associativa durante muitas décadas, acabando por ser uma das figuras de referência da cidade e de todo o Sul de Angola.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;NJ- Enquanto estudante a sua participação no combate à ditadura e à sociedade colonial prevalecente em Angola foi marcada pela fundação da Casa de Estudantes de Angola, depois Casa dos Estudantes do Império, no MUD juvenil, onde partilhou cumplicidades políticas, companheiros de percurso e também a marcação cerrada de uma PIDE que nunca o esqueceu até 25 de Abril de 1974. Fale-nos do Falcão da “juventude”.&lt;/b&gt;FF – Pouco tenho a acrescentar ao que é conhecido. Direi que fiz a instrução primária em Moçâmedes (hoje Namibe), fiz o 7º ano do Liceu em Sá da Bandeira (hoje Lubango) e a Faculdade em Coimbra na parte dos Preparatórios e Porto na Faculdade de Engenharia.Fui da Mocidade Portuguesa, onde atingi o posto de comandante de castelo, e evolui sempre para a oposição ao regime de Salazar. &lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- Pode parecer algo impertinente, mas de tudo que se vai lendo e sabendo fica-se com a sensação que no início havia “divergências” entre os estudantes que tinham saído do Liceu Diogo Cão ( “Os sulistas”) e os que saiam do Salvador Correia (Luanda e Norte) para estudar no exterior. Se isso de facto aconteceu contextualize tendo em consideração as origens dos estudantes dos dois estabelecimentos de ensino?&lt;/b&gt;FF – As divergências entre os estudantes saídos do Liceu Diogo Cão, em Sá da Bandeira, e os do Liceu Salvador Correia, em Luanda, eram fruto de um bairrismo salutar que nunca destruiu a amizade entre jovens de idade aproximada.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- Quais as razões ponderaveis na sua decisão de se radicar no Lobito, há mais de cinquenta anos?&lt;/b&gt;FF – Eu não quis radicar-me no Lobito, mas quando cheguei a Luanda, vindo de Lisboa, onde fui contratado como engenheiro praticante para o Serviço de Portos, Caminhos de Ferro e Transportes, o então subdirector destes serviços – Engº Melo Vieira – que tinha sido meu professor no Liceu, obrigou-me a ir para o Lobito para a Direcção do Porto do Lobito.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ-A cidade cresceu consigo e não se pode ignorar que o seu desenvolvimento urbano, a expansão do seu tecido empresarial tem uma marca sua. À distância de umas décadas quer-nos falar um pouco desse percurso e também um pouco do vivificar do Lobito.&lt;/b&gt;FF – Rapidamente me tornei “Lobitanga”, tornando-me vereador do Municipio, presidente de um clube de futebol – O Lusitano – fundador e primeiro presidente dos Bombeiros, presidente da direcção da Associação Comercial e Industrial, durante vários anos e de um modo geral participei em todas as realizações que valorizassem a cidade do Lobito e da vila da Catumbela,&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- O Eng. Falcão teve ao longo do seu percurso de cidadão uma participação política activa que nalguns momentos lhe terá criado situações embaraçosas. Foi delegado no distrito de Benguela da candidatura do general oposicionista a Salazar, Humberto Delgado; Foi um dos poucos sítios onde o general Delgado ganhou, numas eleições que se revelaram fraudulentas, onde o declarado vencedor foi Américo Tomás, o candidato de Salazar. Fale-nos um pouco desse período e do que aconteceu nesse longínquo 1958.&lt;/b&gt;FF – Não fui delegado no distrito de Benguela do general Humbero Delgado, mas sim do Dr. Arlindo Vicente, Por desistência deste a favor daquele, acatei a deliberação superior de colaborar com a comissão distrital do general Humberto Delgado.&lt;br /&gt;Foi intenso o meu trabalho nesta comissão e suportei algumas intriguices que puseram em risco o meu lugar de engenheiro adjunto do director do Porto do Lobito. Valeu-me a compreensão do então Governador Geral de Angola, capitão Agapito da Silva Carvalho, que foi sempre muito compreensivo a meu respeito.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- Quando começou a sentir que poderia organizar alguma coisa que pudesse ter alguma consistência na luta pela autodeterminação e independência do País?&lt;/b&gt;FF – Após os incidentes no norte de Angola provocados pela UPA e mais tarde a FNLA, traduzidos por barbaros assassinatos, senti a necessidade de contrariar tais atitudes. Daqui resultou a criação da FUA (Frente de Unidade Angolana), da qual fui o primeiro e único presidente.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- Ainda que lhe peça de forma sucinta, com quem partilhou esses primeiros tempos que foram, ou poderão ter sido o embrião de uma organização em que o Engenheiro Falcão é a maior referencia, a FUA (Frente de Unidade Angolana)?&lt;/b&gt;FF – Nesta tarefa tive a colaboração de muitos, destacando o eng. Manuel Brazão Farinha, o Luís Portocarrero, o Carlos Morais, o Socrates Daskalos, etc.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- Num tempo em que as ideologias estão a ser constantemente relegadas para segundo plano, peço-lhe que enquadre a FUA num contexto ideológico de uma Angola colonial.&lt;/b&gt;FF – A FUA era uma amalgama de vários partidos notando-se nos seus dirigentes uma tendência pro-MPLA. No entanto, a FUA nunca esteve subordinada a qualquer partido político. Foram na altura publicados os seus princípios básicos que não ofendem qualquer ideologia política.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- Sem qualquer sinal de provocação pergunto-lhe se a FUA não era um movimento progressista de colonos e circunscrito ao Sul do território?&lt;/b&gt;FF - A FUA não era um movimento progressista de colonos e circunscrito ao sul do território, pois foi estendida a todo e território angolano e bem implantado no seio de todas as etnias.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- Sem constrangimento de qualquer ordem peço-lhe que me diga qual a posição da FUA em relação ao MPLA e à UPA, no dealbar dos anos 60 e num contexto de forte repressão das autoridades coloniais portuguesas.&lt;/b&gt;FF – A FUA teve sempre as melhores relações com o MPLA o que não sucedeu com a UPA que consideramos responsáveis pelos massacres no norte de Angola.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- Em 1961 reuniu-se com o novel Ministro do Ultramar de Salazar, Adriano Moreira, que lhe terá deixado muto boa impressão, e que depois de acolher algumas das suas propostas o mandou prender. Gostava de ouvir esse episódio, mas não gostava de deixar de dizer que o percurso dessa figura, um misto de seráfico e sórdido, continua a ser motivo de divergência nas questões coloniais de matizes diferentes.&lt;/b&gt;FF - Em Maio de 1961 veio a Angola como ministro do ultramar de Salazar. A FUA , encapotadamente, pediu a audiência que foi concedida a vários dirigentes exceptuando o eng. Manuel Braxão Farinha que se tinha refugiado a bordo de um barco que se encontrava acostado ao porto do Lobito.&lt;br /&gt;Adriano Moreira ouviu as considerações e prometeu corrigir algumas contradições coloniais. Em vez disso pucos dias depois começou a prisão de dirigentes sendo a maioria desterrada para Portugal.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- O Senhor Engenheiro Falcão era um homem de sucesso em termos empresariais, mas nunca deixou de defender as suas posições, que lhe valeram bastantes dissabores e até algumas calúnias, de sinais bem contrários, quando por exemplo numa atitude de cortesia e amizade foi ao paquete “Infante D. Henrique” despedir-se do deposto governador colonial Santos e Castro. Porque foi uma atitude muito contestada por alguns jornais de Luanda, ainda na esteira de um 25 de Abril de 1974, e permitiu especulações diversas sobre os reais propósitos do encontro, gostava de poder ter a S. versão de uma situação que julgo ter sido pouco mais que nada, embora julgo ter tido o eco do que se passou.&lt;/b&gt;FF - O episódio da minha ida a bordo do paquete “Infante D. Henrique” cumprimentar o então governador geral de Angola (Santos e Castro) não passsou senão de uma atitude de cortesia para com o governante que sempre atendeu da melhor maneira os nossos dirigentes, contrariando o comportamento daqueles que o deveriam ter feito.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- Que FUA pretendeu fazer renascer no período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974? &lt;/b&gt;FF – Pretendi fazer renascer a FUA de 1974 nos mesmos moldes da FUA de 1961, tentando assim promover a unidade das forças em presença evitando o derramamento de sangue que mais tarde aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- O Senhor Engenheiro permaneceu no Lobito , como administrador do CFB nomeado pelo governo de Angola e simultaneamente desempenhou funções de Director do Porto do Lobito, onde teve alguns atritos com os sindicatos. Não sei se é verdade a história que se conta que terá despedido um determinado número de trabalhadores com elevado absentismo, e contratado o mesmo número para os substituir. Perante a contestação do Sindicato, o Engº Falcão apenas terá respondido que o número de desempregados se mantinha exactamente igual. É ficção ou aconteceu alguma coisa parecida?&lt;/b&gt;FF - Desde que assumi a direcção do porto do Lobito tive a preocupação de sanear hábitos pouco correctos dos seus recursos humanos. Os trabalhadores tinham direito a um cartão de abastecimento e por esse motivo o porto estava cheio de gente que se limitava a ir levantar o vencimento e a fazer o abastecimento que vendia na kandonga. Foi assim que realmente demiti cerca de 200 pseudo trabalhadores mas não os substitui, o que provocou protestos da UNTA, tendo contudo tido o apoio das entidades superiores.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- Como encara o desenvolvimento de Angola nunca esquecendo que o Senhor foi sempre contundente na sua análise em diversas ocasiões de Angola enquanto País.&lt;/b&gt;FF – O desenvolvimento de Angola não deve ser circunscrito a meia dúzia de dirigentes em Luanda mas deve estender-se a todas as províncias e suas populações.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NJ- Para finalizar, agradecendo a sua disponibilidade por nos dar esta entrevista, aliás necessária, pergunto-lhe se a sua luta valeu a pena?&lt;/b&gt;FF – Como diz o poeta “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;15/6/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Foi aí que a “Garota de Ipanema” se tornou definitivamente uma canção pop intergeracional . A título de curiosidade, a “Garota de Ipanema” de Jobim é a canção em língua portuguesa mais tocada e ouvida no mundo.&lt;br /&gt; Pontualmente percorro o “Portal do Governo de Angola”, que apesar de parecer revelar-se pouco expedito para consulta rápida, acho razoável para quem quiser ter uma ideia sobre a organização do poder executivo no País. Graficamente apelativo, o “Portal” tem o senão de ter poucas actualizações e pontualmente ter omissões e erros imperdoáveis.&lt;br /&gt; A título de exemplo pego no caso do “Ministério da Juventude e Desportos” e sem nada de extraordinário aparece o perfil do Ministro Gonçalves Muandumba e seus vices, a surpresa está no “Histórico” do Ministério onde aparece esta pérola:”O Ministério da Juventude e Desportos é dirigido actualmente pelo Dr. José Marcos Barrica”, por sinal o actual embaixador de Angola em Portugal.&lt;br /&gt;Continuando a “folhear” o site vê-se que há omissões e incorrecções que admito serem involuntárias, como por exemplo ignorar-se que o primeiro Director do Conselho Superior de educação Física e Desportos foi Pedro Augusto, demitido na sequência do 27 de Maio de 1977, substituído por Hermenegildo de Sousa e já empossado como Secretário de Estado de Educação Física e Desportos Ruy Mingas em 1979, organismo que tem o seu primeiro quadro orgânico aprovado no âmbito do decreto 89/81. A agenda de eventos do ministério precisa também de ser actualizada, pois as ultimas informações que existem é de 2010.&lt;br /&gt;“A Filha Rebelde” é um livro de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz que conta a vida de Annie Silva Pais, filha do director da PIDE-DGS Fernando da Silva Pais, que casada com um diplomata colocado em Cuba acabou por aderir de corpo e alma à Revolução Cubana a viver então os seus dias mais agitados. &lt;br /&gt;Annie, filha única do poderoso chefe da polícia política portuguesa afirmou-se como uma enorme entusiasta da revolução socialista, privando com Che e Fidel, participante de forma dedicada em todas as tarefas que o Partido Comunista de Cuba determinava, desde brigadas de alfabetização à apanha de cana do açúcar, tendo por lá falecido na década de 80.&lt;br /&gt;O livro, que é um trabalho de jornalista, foi motivo de controvérsia quando foi apresentado, não sendo ignorado também pelo enfoque que o “Expresso” lhe deu.&lt;br /&gt;Foi adaptado ao teatro pela escritora Margarida Fonseca Santos e apresentada no Teatro D. Maria II em Lisboa.&lt;br /&gt;Os familiares de Silva Pais, decidiram pôr em tribunal os directores do Teatro, a escritora Margarida Fonseca Santos e os autores do livro, argumentando que a peça era ofensiva ao carácter do antigo director da PIDE-DGS.&lt;br /&gt;No mínimo isto é bizarro já que um tribunal de um Portugal democrático, aceita que pessoas intelectualmente probas se sentem no banco dos réus porque “insultam a memória de um funcionário público com carreira excepcional”. Ignóbil descaramento!&lt;br /&gt;Estamos a falar do chefe dos torcionários da PIDE-DGS, o homem que só acreditava na justiça dos tribunais plenários, que aceitava a prisão preventiva até três anos sem julgamento, que era o superior de uns títeres inferiores que tentavam obter confissões à custa de pancadaria, torturas várias e chantagem psicológica e emocional dos prisioneiros e familiares, em que a maioria das acusações eram crimes tão comezinhos como o delito de opinião e apego a valores democráticos.&lt;br /&gt;Muito mau o que se está passar, e por isso a minha solidariedade com todos os réus deste processo da “Filha Rebelde” é acima de tudo um acto de revolta cívica na defesa de valores da liberdade, que quem está no banco dos réus representa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;11/6/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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A. M: foi posteriormente Ministro das Colónias do “Império”!&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;“Lá acabou por fim esta tremenda navegação l. Ontem de manhã o "Quanza" fundeou em frente desta feia e árida Luanda - onde não lobriguei ainda um canto de verdura. Às dez horas já o soba da ilha, fardado de almirante, de general e de músico, profusamente condecorado, desfilava diante o navio, à frente de uma numerosa armada de "dongos", entre apitos estridentes e alta gritaria (…)Passada a revista à guarda de honra  (Companhia indígena)  que, deve dizer-se, executou mal as vozes e estava longe de se apresentar com correcção - o governador tomou lugar num automóvel à frente de uma fila de sete ou oito carros; parou o cortejo diante do famoso "Palácio do Governo" - construção do gosto das muitas que, nos meados do século XIX, por graça dos brasileiros de torna-viagem, se multiplicavam em Portugal: lisa, sem harmonia nem imponência de linhas, sem relevo, sem grandeza. O Palácio do Governo Geral de Angola podia perfeitamente ser a Câmara Municipal de Freixo-de-Espada-à-Cinta. À porta fazia a guarda de honra uma Companhia de Marinheiros, limpos, correctamente alinhados, imóveis. Confesso-lhe que os vi com comoção e orgulho. Dentro das salas destinadas à posse, acumulava-se uma multidão diferente de todas as que tenho visto: tive a impressão de que todos os barbeiros das aldeias de Portugal se tinham reunido aqui.&lt;br /&gt;Eu fiquei instalado no rés-do-chão do Palácio; disponho de um quarto grande e de uma ínfima sala de banho: aposentos de burguês pretensioso e pouco amigo da água. É tudo assim cá no "Palácio"! Palácio, é claro, em atenção às cubatas que enxameiam nas voltas de Luanda. Qualquer pessoa de boa condição e fortuna tem aí melhor e maior conforto.(…) Só tenho visto aqui duas coisas realmente boas: as louças e as roupas de mesa e cama. O resto é de qualidade banal e de gosto inferior. Os jardins (que me tinham sido anunciados como uma oitava maravilha) são pequenos, raquíticos, sem sombras, sem verdura, sem cor. Como se explica que até o Pierre Daye se tenha extasiado diante deles? Começo a acreditar que a África deforma a visão e os sentimentos. &lt;br /&gt;Dei, em automóvel, uma volta por Luanda. (…)A grande massa das coisas que se vêem é confrangedora. A própria natureza fez desta costa uma linha árida. Os campos são secos, as árvores, nodosas e torcidas, parece que crescem de raízes para o ar; as palmeiras chegam a fazer vista de bonitas. A terra é vermelha, abrasada. &lt;br /&gt;E que dizer-lhe da gente? Má de aspecto, má de espírito. Cheguei ontem: tive três conferências com chefes de serviços. Pareceram-me pessoas sãs - mas vivendo sob o pavor da intriga que vem da sombra, não se sabe de onde. Ficou-me, dessas conversas, uma impressão mais que de indisciplina, de inversão geral. É opinião de gente com quem falei que a direcção dos chefes seria razoável se tivesse a possibilidade de dominar a reacção dos subordinados - que se organizaram para mandar. A impressão que se colhe é esta: a colónia está governada por sovietes secretos de primeiros e segundos-oficiais. Tudo o mais é aparência. Se algum dos filiados prevarica, todos os outros estão ilimitadamente obrigados a ajudá-lo. De maneira que são dos últimos dias os seguintes factos: desfalque de centenas de contos na recebedoria de Luanda, com desaparecimento de livros de escrita; peculato na Direcção da Fazenda; desvio de importância (talvez 115 contos) de bilhetes de Tesouro emitidos, com roubo de documentos e livros essenciais. Sabe-se que a província é percorrida por estrangeiros que, de máquina fotográfica em punho, se documentam sobre os nossos minérios. Parece que, durante os últimos acontecimentos, fizeram farta colheita de elementos. &lt;br /&gt;Até agora a nota que mais me feriu foi a dos degredados, que enxameiam por estas ruas. Chega-se a ter a impressão de que, aqui e ali, dominam a população. É horrível. No Palácio vivem cercados por eles. Cruzam-se com os pretos com uma facilidade que desgosta. Contam-me que há por aqui produtos dessas ligações que são um peso-morto formidável na vida da província: às taras dos pais aliam todas as tendências inferiores da raça das mães. Desnorteiam o povo, indisciplinam o preto. Apontam-nos como a casa-mãe de toda a desmoralização corrente. Por isso os melhores elementos da terra clamam em coro que os façam sair daqui - que tirem de cima de Angola a ignomínia de servir de penitenciária. O governador que isso conseguisse alcançaria, de golpe, um grande prestígio. &lt;br /&gt;De tudo o que tenho visto e ouvido concluo que fomos recebidos com hostilidade por muitos, com indiferença pelos outros. Fez-se contra os que chegavam uma viva campanha. Dos que vêm estudar diz-se que se tem passado a vida nisso e que, incessantemente, aos estudos velhos se sobrepõem estudos novos, sem resultados sérios. Das próprias brigadas, aos quatro-ventos se apregoa que são constituídas por falhados das colónias. As autoridades novas são olhadas com inimizade: vêm da metrópole, filhos de uma ditadura de que aqui não se pode dizer bem. &lt;br /&gt;A princípio os jornais recebiam hostilmente o nome do governador. &lt;br /&gt;Um jornal qualquer, todos os dias publicava sobre ele uma pequena local: "sabemos mais que o Sr….também foi comandante da canhoeira tal"; no seguinte: "conseguimos saber que o Sr…. foi administrador da roça X". Mas ontem a Província de Angola trazia um artigo de pacificação e expectativa. O director (que nada dirige, segundo consta) veio oferecer-me os seus préstimos e as suas colunas. “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;4-6-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Lembro-me que já nessa altura peguei em números para me justificar, e ao tempo convenhamos que os números não eram tão teimosamente negativistas em relação á realidade de hoje.&lt;br /&gt; Quando ao tempo disse que uma das razões determinantes do atraso do interior, tinha a ver fundamentalmente com a melhoria das acessibilidades, situação que convenhamos positiva, as pessoas presentes olharam-me quase com comiseração. Na realidade, as aldeias do interior foram perdendo gente, já não apenas por não haver recursos endógenos que permita a sua fixação perene, mas porque todo um conjunto de actividades económicas que iam gerando alguma economia local vão paulatinamente desaparecendo. Exemplifico actividades tão comezinhas como a padaria local, que encerrou porque o padeiro vem da cidade, a loja de “comércio misto”, que vendia do bacalhau ao prego acaba por fechar também por razões de “modernização do comércio”, o armazém dos adubos e sementes que desaparece pelo crescente abandono dos campos, e por aí fora. A economia local também por isto entra em colapso e despovoa-se a comunidade.&lt;br /&gt; O padre, o professor e outros amanuenses que antes tinham que se fixar nas terras, e que acabavam por ser determinantes no associativismo e nalguns casos na elevação cultural dos cidadãos, passam a viver em cidades e deslocam-se a aldeias e vilas para trabalhar as horas contratualmente acordadas, deixando de viver o quotidiano local com todas as consequências que daí vão advindo. &lt;br /&gt; Se antes se estoirou literalmente dinheiro em polivalentes por todo o interior, apesar de pontualmente se ter justificado por haver gente para os utilizar, o que a matriz do interior são as populações das aldeias, mais pedem é a construção de “casas mortuárias”, o que de certa forma não deixa de ser premonitório.&lt;br /&gt; Havemos de voltar ao tema quando passar a incontinência verbal do eleiçoeiro!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira 4/6/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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O Estado tem de ser céptico, ou melhor dizendo indiferentista.» (Sampaio Bruno, in «A Questão Religiosa», 1907)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo discutir ou beliscar a fé das pessoas, por muitas coisas que vá vendo e que não acredito! Fundamento-me em factos históricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre preferi falar de homens. Não falo de divindades, nem faço ataques à religião católica. Ataco pessoas que em determinados momentos se apropriaram da Igreja, essa sim, estrela principal da história dos últimos dois mil anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elogio João XXIII, PauloVI, D. Helder da Camara, O arcebispo Romero, o Bispo de Nampula, podendo acrescentar D. António Ferreira Gomes, D. Eurico do Nascimento,"Os padres brancos" de Moçambique, Felicidade Alves, Mário de Oliveira, Cónego Manuel das Neves, Padre Joaquim Pinto de Andrade e tantos outros que foram vozes incómodas da Igreja e dos regimes totalitários a quem a Igreja prestou nalguns casos subserviência a raiar a sordidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso de recorrer ao proibidíssimo Canto IX dos Lusíadas para ilustrar o que quer que seja, não pego em Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa) como “menino desceu à terra", nem pego nas versões de Alberto Pimenta para ilustrar o que quer que seja! Nem sequer fui ao ponto de pegar nos "Ballett Rose" descritos na Time em 1967.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A título de exemplo alguém sabe quanto custou o reconhecimento papal pela independência de Portugal? E quando Portugal pagou simultaneamente ao Papa de Roma e Avignon para que as fronteiras fossem determinadas, ao contrário do que fez Castela que só pagou ao Papa de Roma! Como foi a verdadeira conquista de Lisboa aos mouros? São pequenos detalhes que importaria serem conhecidos, caso alguém não estivesse disponível para ver o que nos ia impingindo na história do antanho, no Império de Minho a Timor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que a carta do achamento do Brasil de Pero Vaz de Caminha chegou a Portugal truncada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequenos detalhes, e por tudo isso não vale a pena pegar nas palavras dos outros e desconstrui-las, vale a pena sim apelar a algum cartesiano discursivo para podermos discordar no factual e não na pequena trica subjectiva, sempre mais fácil, mas que não leva a lado algum! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou-vos reproduzir uma coisa engraçada de um poeta português que poucos conhecem e que se chama Mário Henriques Leiria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Torah&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jeová achou que era altura de pôr as coisas no devido lugar. Lá em cima acenou a Moisés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moisés foi logo, tropeçando por vezes nas lajes e evitando o mais possível a sarça-ardente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou ao cimo, tiveram os dois em conferência, cimeira, claro. A primeira se não estou em erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte Moisés desceu. Trazia umas tábuas debaixo do braço. Eram a Lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou em volta, viu o seu povo aglomerado, atento, e disse para todos os que estavam à espera:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Está aqui tudo escrito. Tudo è assim mesmo e não há qualquer dúvida. Quem não quiser que se vá embora. Já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns foram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então começou o serviço militar obrigatório, e fez-se o primeiro discurso patriótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso é o que se vê" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 de Junho de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Recentemente deu à estampa uma obra polémica sobre o 27 de Maio de 1977 em Angola, a Purga em Angola. Obra de que é co-autor seu marido, Álvaro Mateus, o qual, ao longo da vida, foi quadro político, jornalista, publicista, advogado e professor, tendo sido, nos anos da ditadura, dirigente da Casa dos Estudantes do Império e coordenador do jornal clandestino Anti-Colonial, em cuja redacção participaram angolanos e de que saíram 11 números, o primeiro em 1964 e o último em 1969. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Trinta e quatro anos depois do infausto “27 de Maio de 1977” acha que se pode começar a fazer a história ou ficarmo-nos pelas “estórias”?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;No que nos respeita, não fazemos «estórias». E mais de 30 anos decorridos sobre os acontecimentos são tempo mais que suficiente para a História Contemporânea. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o livro PURGA EM ANGOLA consultámos todo o material que nos foi possível (e duvidamos seriamente que existam, em Angola, arquivos oficiais sobre estes acontecimentos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recolhemos 28 entrevistas e declarações, depois transcritas para umas 700 páginas. Considerando que, para a compreensão do que ocorrera, era necessário recordar a história do MPLA, consultámos 41 processos dos arquivos da PIDE e 1 processo do arquivo de Oliveira Salazar. No Arquivo Histórico Diplomático do Ministério português dos Negócios Estrangeiros (fonte de informações do governo português no que respeita aos processos ocorridos no pós independência), consultámos mais 16 processos. Consultámos, também, vários sites na Internet. Lemos uma dezena de cartas particulares, assim como uma série de documentos do MPLA e dos intervenientes nos acontecimentos. Visionámos uma série de filmes, alguns deles da Televisão Popular de Angola. Lemos mais de meia centena de livros e duas dezenas de jornais e revistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito deste material (designadamente as entrevistas e declarações gravadas e transcritas, os documentos, as cartas, os filmes, os jornais e revistas de Angola) foi avaliado por técnicos do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e ali depositado na «Colecção Dalila Cabrita Mateus», para consulta nos prazos legais, até porque algumas pessoas, para sua segurança, pediram sigilo da sua identidade enquanto vivas, o que os arquivos respeitarão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem se diga que não ouvimos todas as partes. Citamos passagens de dois livros, vários discursos, três artigos e algumas cartas de Agostinho Neto. Entrevistámos o senhor Dino Matross, secretário-geral do MPLA, assim como o senhor Agostinho Mendes de Carvalho, antigo governante e deputado do MPLA. Citamos passagens de livros e declarações de Viriato da Cruz, Mário Pinto de Andrade, Gilberto da Silva Teixeira (Jika), César Augusto (Kiluanji) e Iko Carreira. Citamos, também, vários documentos do MPLA. E citamos, finalmente, a obra de Jean Michel Mabeko Tali, autor do único trabalho académico de fôlego sobre o MPLA. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos não conhecer a verdade completa sobre os acontecimentos do 27 de Maio de 1977. Mas cremos ter chegado a uma verdade possível, que deve estar muito perto da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, fazemos uma advertência. O historiador não é um juiz, nem enuncia verdades absolutas, dogmas como na religião. As conclusões a que chega, com base na análise de uma enorme quantidade de documentação, estão sempre sujeitas à revisão e à crítica, até a refutações, com base em novos documentos. E desde que exista seriedade nos métodos, nos processos e no uso das fontes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sente que a “Purga em Angola”, obra envolta em grande polémica, funcionou como algo de catártico para ambos os lados de algo que os angolanos parecem mesmo querer esquecer?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;Não creio que os angolanos queiram esquecer. Se assim fosse, o nosso livro não estaria já na 5ª edição e muitos angolanos não o teriam adquirido e lido. Esquecer o que se passou seria, aliás, consagrar um processo totalitário de construção da História de Angola, concebida como acontecimento sem testemunhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hegel dixit “se a teoria é desmentida pelos factos pior para os factos” . Como acha que consegue colocar isso no contexto do “27 de Maio de 1977” e na “Purga em Angola”?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nossa opinião, só recuperando a «Memória» do que aconteceu se poderá acautelar o presente. O exemplo das injustiças ontem praticadas servirá para prevenir as que amanhã possam vir a ocorrer. E quando os familiares dos milhares de mortos e desaparecidos souberem onde estão as ossadas dos seus, terão, finalmente, a possibilidade de fazer o luto da sua dor. É o mínimo que se deve fazer para que possam, finalmente, descansar em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Passados quase quatro anos da primeira edição do vosso livro “Purga em Angola”, não acha que há uma maior serenidade de todo um conjunto de pessoas para uma abordagem mais fundamentada em factos e menos em emoções, e que permita visões mais esclarecedoras de uma data que marcou indelevelmente de forma negativa o dealbar de Angola enquanto nação?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;Trinta e quatro anos decorridos sobre os acontecimentos deviam, de facto, dar uma maior serenidade para a abordagem dos factos. Infelizmente, tal não acontece. E continua a haver consciências muito intranquilas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses depois da saída do livro, num conhecido jornal angolano, um colunista manifestava a sua coragem no ataque a mulheres e puxando da pena desferia uma dezena dos mais baixos insultos contra a autora do livro, num «festival de impropérios» como afirmou o jornalista Reginaldo Silva. Depois, a direcção duma conhecida fundação angolana, não se sabe com que autoridade, retirou à autora o grau académico que possui. Mais tarde, num jornal português de referência, uma senhora viúva declarava que a autora era «mentirosa e desonesta», facto pelo qual responderá no foro adequado. E ainda há dias, num telefonema de Angola atendido pelo autor do livro, o filho de um dos participantes na chamada Comissão das Lágrimas, lembrou-se, finalmente, de que o pai não participara naquela Comissão e, com propósitos que se podem adivinhar, puxou dos galões e ameaçou-nos … com a justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não pretendo levantar questões que permitam especulações pueris, e também sei que perante a honestidade intelectual da professora Dalila Mateus isso nunca aconteceria, mas posso perguntar-lhe se baseada nas suas fontes, no contexto da sua obra toda, não pode admitir que o “27 de Maio de 1977” tenha sido o prolongamento do «maquis» na sociedade urbana?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;É sabido que o grupo dos chamados nitistas tinha ligações à 1ª Região Militar do MPLA. É também possível que houvesse rivalidade entre guerrilheiros de várias regiões na luta por lugares de comando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, quanto a nós, o que se verificou, por alturas do 27 de Maio de 1977, foi uma luta pelo poder no seio da frente política MPLA, então encarado como um partido leninista com muito centralismo e pouca ou nenhuma democracia (até porque, ao contrário do que fizeram a FRELIMO e o PAIGC, durante os anos de luta armada, não realizaram um único Congresso). Aliás, durante os anos da guerra, as divergências foram, em regra, resolvidas da pior forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro comparamos esta situação com o que se passou com a organização dirigente da África do Sul, o ANC, onde havia 36 fracções (entre elas um partido e os sindicatos). Também ali atiravam em diferentes direcções, novos contra velhos, exilados contra residentes no interior, militares contra civis, inflamados contra ponderados. Mas Mandela e os dirigentes do ANC tiveram a sensatez de todos acolher numa grande tenda, considerando que não se deviam cortar os laços com a juventude, por muito dogmática, excessiva e simplista que possa parecer, pois nunca se viu construir o futuro sem aqueles que irão vivê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Recentemente saiu um livro do professor Tiago Moreira de Sá (Estados Unidos e a descolonização de Angola) em que a relação URSS-Cuba sobre a questão angolana tem alguns pontos não de fricção mas de completa dissonância. Em 27 de Maio de 1977, repetiu-se o que tinha acontecido nos acontecimentos que precederam o 11 de Novembro de 1975?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As divergências ressaltam com nitidez da leitura do nosso livro. &lt;br /&gt;Os soviéticos não tinham grande apreço por Agostinho Neto, embora isso nada tivesse a ver com a sua imparcialidade no conflito sino-soviético, argumento que acaba por ser um insulto a Amilcar Cabral e a Samora Machel, que eram bem acolhidos em Moscovo, embora o segundo fosse um simpatizante dos chineses. Pelo contrário, Fidel Castro exaltava Agostinho Neto, identificando-o com a revolução angolana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, apesar das acusações feitas a soviéticos de cumplicidade com os chamados nitistas, a verdade é que estes nada tiveram a ver com o que ocorreu e, segundo diplomatas portugueses, nem sabiam muito bem o que estava a acontecer. Quanto aos cubanos sabe-se que, por intervenção de Fidel Castro, tiveram papel decisivo na repressão desencadeada, actuando ao lado da polícia política angolana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Talvez uma pergunta que terá uma carga de muita subjectividade, mas isso também faz parte da parte especulativa de qualquer trabalho. No 27 de Maio de 1977, para além do que se sabe, do que se publica que não é exactamente o que se sabe, não terá acontecido um pouco a teoria do cadinho onde terão confluído os fenómenos racistas, tribalistas, oportunistas e um anti-comunismo a roçar o primário que muitos foram então escondendo para estarem de “corpo e alma na revolução”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto quanto se percebe há no «contra-golpe» (minuciosamente preparado) uma confluência de muitos e diversos interesses, aparentemente contraditórios. Mas há, também, influências outras, a que aludimos de forma breve, quando dizemos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Os promotores da repressão terão tido os seus conselheiros. Alguns embaixadores (por exemplo, os da França, Jugoslávia e Argélia) nem sempre souberam salvaguardar a necessária discrição. E também não faltaram conselheiros portugueses, civis e militares, com acesso directo a Agostinho Neto através dum amigo pessoal deste». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez um dia voltemos a este assunto. Por agora, limitamo-nos a referir que dois militares portugueses que passaram na altura por Angola afirmavam que o 27 de Maio de 1977 fora o 25 de Novembro de 1975 que, em Portugal, não se pudera concretizar, com uma matança monumental de comunistas e de gente progressista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O “27 de Maio de 1977” deixou a então Republica Popular de Angola decapitada de muitos quadros que foram mortos, presos e nalguns casos que se refugiaram no exterior para nunca mais regressar. Sente nas pessoas com quem falou que isso foi determinante para que a Angola não conseguisse substituir essa gente e tivesse permitido a ascensão rápida da mediocridade baseado na confiança política, tribal, racial ou familiar em detrimento da competência?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angola tinha, de facto, uma enorme falta de quadros. Compreende-se porquê. Em 1974, pronunciando-se sobre a presença branca em Angola, Agostinho Neto declarava ter «dúvidas sobre se, neste momento, os mesmos indivíduos que têm sido privilegiados durante o regime colonial terão o direito de continuar no país». E em vésperas da independência, aparentemente esquecido de que a maioria dos portugueses eram simples trabalhadores, afirmava na rádio que tinham de sair de Angola antes do 11 de Novembro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coronel Melo Antunes, um dos homens do 25 de Abril, afirmou que a principal responsabilidade pela saída dos portugueses dos novos países foi dos movimentos de libertação porque, «contrariamente à letra e ao espírito dos acordos», se gerara «um clima de total repúdio da permanência de portugueses, um clima muitas vezes de perseguição, de insegurança de tal modo intolerável, que culminou num pânico generalizado».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Angola, engenheiros e quadros técnicos, médicos e professores, gestores e trabalhadores qualificados eram, na esmagadora maioria, brancos. Sem eles, a economia e as empresas, as escolas e os hospitais ou funcionariam mal ou deixariam mesmo de funcionar. Ora, depois da expulsão dos brancos, mataram-se, prenderam-se e afastaram-se dezenas de quadros angolanos, a pretexto de que estavam metidos na conjura nitista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo que, muitos dos poucos quadros de que Angola dispunha foram liquidados ou afastados, sendo substituídos por gente sem qualificação. Quem acabou por pagar por tudo isso? A resposta é simples: o país e os angolanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, alguns antigos colonos aparecem a dizer que a expulsão foi inspirada pelos comunistas, pelos russos. Acusação totalmente falsa. Os teóricos da revolução davam indicações no sentido de cuidar, «como das meninas dos olhos, de cada especialista que trabalhe conscientemente, com conhecimento do seu trabalho e amor por ele». Por isso o general russo Valentim Varennikov, que cumpriu duas missões de serviço em Angola, sublinhou os enormes problemas criados pelo facto de terem sido «expulsos impensadamente todos os portugueses, que constituíam a principal força na economia, na direcção dos serviços municipais e na organização da gestão do país…».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Continuam determinados em fazer novas incursões sobre o 27 de Maio de 1977, apesar de algumas experiencias desagradáveis que passou?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para um historiador, a história nunca está acabada. Novos documentos podem levar a reabrir o processo, para emendar, para melhorar, para completar. Aliás, se compararmos a primeira edição do Purga em Angola com a última, podemos constatar que há mudanças. Apenas um exemplo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acontecimento que serviu de pretexto à grande purga e justificou o facto de Agostinho Neto, no seu último discurso, ter dispensado o poder judicial, dizendo que não perderiam tempo com julgamentos, foi o aparecimento de uma série de dirigentes e quadros do MPLA, numa ambulância e num jeep, mortos e carbonizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira versão oficial dizia que o crime era da responsabilidade dos nitistas. Depois, apareceu uma outra versão oficial a dizer que os mortos tinham sido vítimas de «excessos incontroláveis».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, apareceu uma terceira versão, a declarar que os presos tinham sido mortos por um elemento da DISA, infiltrado entre os guardas. Ora, já depois da primeira edição, mão amiga fez chegar até nós um filme da Televisão Popular de Angola, feito em colaboração com o Ministério da Defesa e intitulado Eles Vivem no Coração do Povo. Ali se vê, no Sambizanga, ao fundo de um pequeno pátio, o quarto em que estiveram os presos. A câmara filma esse quarto e mostra uma porta cravejada de balas, depois varridas e juntas no chão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As imagens valem por mil palavras. Se os nitistas queriam matar os presos, por que não os levaram para um local que desse menos nas vistas? E se os queriam matar ali, por que não abriram a porta, atirando à queima-roupa ou matando-os à catanada, para não fazer demasiado barulho? Estranho seria, aliás, que até tivessem morto elementos da sua própria gente, Garcia Neto, José Manuel Paiva (Bula) e o comandante Nzaji que, segundo um elemento da DISA, teria estado, na noite anterior, a preparar o «golpe» nitista. Assim, se pensarmos bem, concluímos que só um agente provocador infiltrado poderia ter disparado através da porta, pois tinha pressa em sair dali, para escapar à ira dos companheiros. De resto, sabe-se hoje, esse elemento, um tal Tony Laton, ter-se-ia tornado assessor do vice-director da DISA. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tenho a convicção de que é absolutamente necessário tirar “os esqueletos do armário”, como dizem os ingleses sobre trocar lembranças do passado, pois a sociedade angolana não pode continuar a viver especulando ou evitando lembrar o que de menos bom aconteceu naquele cada vez mais distante dia de Maio de 1977. Para fim da entrevista, pergunto-lhes como vêem o olhar angolano sobre o “27 de Maio de 1977”?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Em nossa opinião, milhares de angolanos encaram hoje os acontecimentos do 27 de Maio com outros olhos. E querem conhecer melhor a sua história. Embora persista o temor em falar do acontecimento, o que explica que a autora seja frequentemente designada como «a tal» e não pelo seu nome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, nós continuamos a «tirar esqueletos do armário», a investigar, para dar a conhecer aspectos da história de Angola e de outros países de língua oficial portuguesa. Ainda este ano, assinalando os 50 anos do início da guerra colonial, publicámos mais um livro, intitulado ANGOLA 61: Guerra Colonial, Causas e Consequências. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divulgam-se novos dados sobre o 4 de Fevereiro. Mostramos que, apesar de a operação ter sido reivindicada quer pelo MPLA quer pela UPA, o facto é que os participantes actuaram à margem destes movimentos, por iniciativa própria, pressionados por presos que não queriam ser levados para fora de Angola. A ideia da operação nascera numa «sociedade» criada com o objectivo central de lutar pela independência nacional e cujos fundadores foram Domingos Manuel Agostinho (de Malange), Raúl Deião, Bento António e Virgílio Francisco Sotto Mayor ( de Icolo e Bengo). Segundo Raúl Deião, Domingos Agostinho, o presidente da «sociedade» ( que seria o chefe-geral do 4 de Fevereiro, acção em que perderia a vida), era um simpatizante de Agostinho Neto e de gente que seria conotada com o MPLA. E segundo Virgílio Francisco, a luta pela independência de Angola devia conjugar-se com revoltas que se verificariam em Portugal contra o governo de Salazar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostramos, ainda, que, no 4 de Fevereiro, a operação assume carácter militar, havendo exemplos a mostrar que se poupam as vidas de civis. Ao passo que, no 15 de Março, a revolta assume um carácter racial e tribal, voltando-se contra brancos e negros, contra civis, contra mulheres e até contra crianças. Além disso, o 4 de Fevereiro congrega elementos de diferentes movimentos e etnias, que procuram armas para lutar pela independência nacional. Ao passo que na revolta do 15 de Março, a perspectiva aparenta ser regional e tribal, procurando-se a independência para os bacongos, porventura com o propósito de reconstituir o antigo reino de S. Salvador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostramos, ainda, que o massacre dos cultivadores de algodão da Baixa de Cassange, estimado entre 5 e 10 mil pessoas (vítimas dos ataques das companhias de caçadores especiais e dos bombardeamentos com napalm) terá feito mais mortos do que o «terror negro» dos bacongos, comandados pela UPA. E este «terror negro» terá feito menos vítimas que o «terror branco» que se lhe seguiu. Só que, num caso morreram colonos brancos, ao passo que nos outros só os negros foram atingidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazemos história, com base em documentos e relatos. Não inventamos nem falsificamos. Estamos sempre abertos à discussão e a refutações sérias, que sirvam para corrigir o que não estava bem. Mas contamos, também, com as injúrias, que merecerão o tratamento dos argumentos históricos não concludentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta-nos fazer votos para que historiadores angolanos, com seriedade nos métodos, nos processos, no uso das fontes (e sem temor) possam investigar temas controversos da sua história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira ( Entrevista que fiz para sair no Novo Jornal de 27-5-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Nunca alijou responsabilidades nas suas intrépidas tomadas de posições políticas, assumindo-as publicamente, muitas vezes pondo em risco a sua brilhantemente longa carreira académica.&lt;br /&gt;Apoiou na ditadura movimentos exigindo a libertação dos estudantes presos em resultado da crise académica de 1969, participou activamente nas campanhas eleitorais contra a ditadura e promoveu sempre sem tibiezas de qualquer ordem a denúncia do salazarismo e colonialismo português.&lt;br /&gt;Era uma pessoa notável, talvez como seu maior defeito o facto de gostar de falar para si próprio com os ouvidos dos outros, e a Universidade de Coimbra tem múltiplas histórias deste professor, que se tornou uma lenda dos “direitos”.&lt;br /&gt;Entre várias cadeiras que ministrava o “direito de reais” , um cadeirão que feito representava para qualquer quartanista “ultrapassar o Rubicão”. Certa vez uma aluna chegou-se ao pé de Orlando De Carvalho e disse-lhe: “Dr. podia antecipar a data do exame porque os meus pais alugaram uma casa na praia e assim ia logo com eles? O OC olhou para ela e disse-lhe que “pode ir já para a praia que o exame está feito, e que pode pois voltar na época de Setembro”. Surpreendida ouviu OC retorquir: “ Uma aluna que chega ao quarto ano de direito e não sabe a diferença entre alugar e arrendar comigo reprova já!” &lt;br /&gt;Esta é uma de muitas histórias de um homem que anos mais tarde acompanhei ao Lubango para denunciar à imprensa internacional o ataque às “Madeiras da Huila” perpetrado pela aviação sul-africana onde houve algumas vítimas num objectivo que não era militar, ou naquilo que certas “intervenções humanitárias”chamam de danos colaterais. Nessa ocasião ainda foi para Xangongo e Onjiva sem que se notasse qualquer constrangimento da sua parte, já que assumia tudo isto como militante da liberdade e defensor dos direitos do homem.&lt;br /&gt;O professor Orlando de Carvalho era um homem convidado para todos os centenários de repúblicas, o que não queria dizer que os republicos ganhassem alguma coisa com isso na hora de fazer os exames com ele. Muita vez recorri a ele para sessões públicas evocativas do 4 de Fevereiro de 1961 ou do 11 de Novembro de 1975, onde Orlando de Carvalho fez intervenções brilhantíssimas que se perderam para memória futura. Para a então Republica Popular de Angola nunca se negou a nada, e a sua relação com o País era apenas da luta comum que proporcionou o 25 de Abril em Portugal. &lt;br /&gt;Voltando à Conferencia Mundial há um episódio curiosíssimo que se passou na Bairrada, capital do leitão assado em Portugal. Um dos jantares era precisamente esse opíparo repasto, e quando chegou à mesa de muitos convivas o leitão com a anti-oxidante laranja na boca, os representantes dos Países muçulmanos de África quedaram-se a olhar para a comida sem um gesto que fosse para “agarfar “.Interrogámo-nos das razões de se limitarem a comer salada e laranja, e só já com a refeição adiantada, alguém se lembrou que a tradição muçulmana impede que se coma carne de porco. Foi difícil arranjar cabrito e bifes de vitela para tanta gente, mas lá se conseguiu e do espectro da fome inicial só sobrou a história para contar. As malhas que o protocolo atabalhoado teceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;24/5/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Como ainda era cedo para o frugal almoço, habitual nesse tempo de penúria colectiva, pedimos para ir até à delegação para preparar a reunião da tarde com os clubes da província. O Passos levou-nos a sua casa, explicando-nos que as instalações da delegação se encontravam em obras já há uns tempos e por isso todo o expediente era gerido na sua casa. Quando chegámos, levou-nos a um anexo onde estava uma secretária, uma máquina de escrever, um armário metálico com as portas fechadas com um atilho e num canto entre duas cadeiras, uma cómoda de quarto de dormir. O Passos explicou que o armário de metal era o arquivo morto, e na primeira gaveta da cómoda estava a documentação da delegação provincial dos desportos, na segunda gaveta estava instalada a associação de futebol e a ultima gaveta era para as associações provinciais de desportos colectivos e desportos individuais. Era um tempo em que o desporto na Lunda-Sul estava literalmente arrumado em gavetas.&lt;br /&gt; Hoje, o desporto angolano já nada tem a ver com o cabouqueiro de outros tempos, mas surpreende-me negativamente haver poucos quadros de excelência, que o País deveria ter nestes quase trinta e cinco de vida colectiva enquanto nação.&lt;br /&gt; Num dos últimos fins-de-semana realizou-se em Benguela a Assembleia Geral da Federação Angolana de Basquetebol e penso que é muito importante este evento ter decorrido fora de Luanda, assumindo ainda mais importância pelo facto deste conclave ser da modalidade desportiva com maior visibilidade do País.&lt;br /&gt; Há muitos anos que acompanho a FAB, e há muitos mais que vou acompanhando o percurso desportivo e a trajectória do seu presidente Gustavo da Conceição.&lt;br /&gt; Tenho uma declaração prévia de interesses a fazer; Conheço o Gustavo da Conceição, mas não tenho relação próxima com ele, pelo que estou muito à vontade para escrever sem encolhos de qualquer ordem.&lt;br /&gt; Acompanho o Gustavo da Conceição desde a sua fase inicial no basquetebol em 1973, o seu percurso desportivo, a sua formação académica e o seu carácter, para afirmar sem qualquer hesitação que é indiscutivelmente um dos melhores quadros desportivos angolanos no activo.&lt;br /&gt; Possuidor de enorme probidade intelectual o actual presidente do Comité Olímpico de Angola e da FAB junta a sua bonomia, o que o tem guindado a lugares de tomo no dirigismo desportivo internacional e naturalmente prestigiando Angola. É a continuidade de um riquíssimo trajecto desportivo como atleta, vencedor de muitas provas internacionais em que capitaneou a selecção até 1988, quando abandonou a modalidade deixando também o 1º de Agosto, clube onde foi seis vezes campeão nacional entre outras vitórias nacionais e internacionais de clubes.&lt;br /&gt; Gustavo da Conceição acompanhou todos os patamares do crescimento da modalidade no País e a sua argúcia apurada, aliada a uma licenciatura superior no domínio da sociologia e gestão desportiva, consolidada com um mestrado na área da direcção desportiva acrescentam a um curriculum valioso uma actividade de dirigente com trabalho feito.&lt;br /&gt; No último congresso da FAB houve críticas à presidência do Gustavo da Conceição e algumas delas pertinentes, porque se terá negligenciado nos últimos tempos algumas áreas da formação e um abandono do basquetebol nas províncias. As associações provinciais mostraram o seu desagrado de forma franca e desinibida e a ideia que transpirou para o exterior é que vão ser implementadas as recomendações saídas do congresso de forma a manter o basquetebol angolano no topo em África.&lt;br /&gt; O Gustavo da Conceição aceitou todas as críticas, algumas sugestões o que é revelador do comportamento de quem nos habituou desde os seus tempos de atleta a exemplos de enorme tenacidade, lealdade, combatividade e acima de tudo uma sobriedade de carácter tantas vezes invulgar num campeão.&lt;br /&gt; O basquetebol angolano tem dado ao nosso País uma visibilidade única, melhor a única que certa imprensa quer ver, e por isso há que enfatizar quem o fez elevar. Aqui há tempos teve direito a isso aqui neste espaço Vitorino Cunha, hoje Gustavo da Conceição, porque merecemos exigir que eles mereçam o nosso reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;18/5/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Passados uns minutos comecei a interessar-me pois era um capítulo da série “Histórias dos Comboios” dedicado à introdução do caminho-de-ferro no continente africano.&lt;br /&gt;Já tinha visto alguns capítulos desta série, que sempre se situou num bom nível, mas o que constatei do que vi é que esta era curiosa. Falando de comboios em África, a série, que é uma produção francesa da Pathé, e portanto acima de qualquer suspeita, sentiu-se obrigada a falar do colonialismo europeu. E teve a honestidade suficiente de o fazer com palavras suficientemente claras. Disse que o colonialismo explorou Àfrica de duas formas consecutivas, extorquindo-lhe matérias-primas e vendendo-lhas depois sob a forma de produtos manufacturados. Que os comboios que os europeus introduziram em África tiveram por exclusivo objectivo servir esse derrame de matérias-primas e, para mais foram construídos com material de rebotalho, de tal modo que os caminhos-de-ferro africanos têm doze medidas diferentes, o que de todo impossibilita agora a sua utilização conjunta. Lembrou que os colonizadores evitaram sempre proceder à industrialização dos territórios africanos, a fim de não suportarem a sua eventual concorrência. Por isso deixaram a África, quando foram obrigados a abandoná-la, num estado de total dependência económica.&lt;br /&gt;Foi assim que “História dos Comboios” caracterizou suficientemente a “acção civilizadora” dos europeus em África.&lt;br /&gt;Como esta série era do início dos anos 80, fui a um velho e esfarrapado atlas de África muito minucioso ver as linhas de caminho de ferro que existiam, e de igual forma recorri a mapas recentes para saber que troços de caminho de ferro foram melhorados, alterados, prolongados ou quiçá mesmo construídos de novo. Pouco mais que os mesmos troços, pelo menos em mapas recentes.&lt;br /&gt;Os comboios em África têm traçados completamente diferentes da Europa, da América do Norte e da Ásia. Todos acabam num porto e invariavelmente percorrem no sentido perpendicular ao mar, em direcção ao interior, e quase todas acabam em zonas de produção de minério. Os traçados no resto do mundo são entre cidades para transporte de passageiros e normalmente num percurso Norte-Sul ( A título de curiosidade a India tem 55.000Km de via férrea e cerca de  1.200.000 funcionários).&lt;br /&gt;O actual Caminho de Ferro de Luanda foi inaugurado em 1909 com uma extensão de 479km, e nunca deixou de ser uma linha de indecisões, acabando o seu traçado em Malange, por incapacidade de financiamento para o prolongar até ao Congo.&lt;br /&gt;O primeiro troço é Luanda-Funda em 1888, quando ainda se pensava fazer um caminho-de-ferro a ligar Luanda ao Congo pelo Norte, acabando depois por inflectir para leste.&lt;br /&gt;As peripécias do financiamento deste empreendimento foram motivo de demissões no governo português, falência de casas bancárias, rixas no Chiado com um denominador comum: Insuficiência de verbas para construir a linha de caminho de ferro do Ambaca, depois transformado em Caminho de Ferro de Angola, para aproveitar as iniciais provavelmente.&lt;br /&gt;A construção inicia-se em 1885, tendo os trabalhos sido dirigidos por João Batista Burnay entre 1889-1902.&lt;br /&gt;A esta “tremideira” financeira não é alheia a posição dos Ingleses que entretanto fazem um Ultimatum a Portugal em 1890, relativamente às terras do chamado “mapa cor-de-rosa”, que incluíam a Zambia e o Zimbabwe, ao tempo baptizadas de Rodésia do Norte e Rodésia do Sul, em homenagem ao colonialista Inglês Cecil Rhodes (1853-1902), o administrador e proprietário da magestática British South Africa Company.&lt;br /&gt;Os estudos para a construção do caminho de ferro de Luanda a Ambaca são iniciados por documento régio de 18 de Outubro de 1876, em que é nomeado responsável o eng. João António Bisac das Neves Ferreira.&lt;br /&gt;O engenheiro Neves Ferreira projectou e fabricou-se no local uma ponte perto do ramal do Dondo de 180m que maravilhou alguns engenheiros estrangeiros da obra, que julgavam impossível no ermo que era aquela região construir e implantar no terreno uma estrutura metálica arrojada e segura para o tráfego ferroviário.&lt;br /&gt;Hoje recuperada a linha vai ser certamente um motor de desenvolvimento do interior de Angola, não sendo de negligenciar a sua utilização recorrente no percurso urbano na cidade de Luanda, como um dos transportes de eleição quer nos países desenvolvidos, quer nos países em vias de desenvolvimento, terminologia que substitui “O Terceiro Mundo”, denominação que deve a sua paternidade a Alfred Sauvy.&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;7/4/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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A sua “Invenção do amor” era para muitos de nós “um cartão/ que o amigo maninho tipografou/ por ti sofre o meu coração/ num canto ‘sim’/ noutro canto ‘não’/, como estava no “Namoro” de Viriato da Cruz. Era o livro que dávamos a alguém, esperando receber o seu amor em troca ou, não sendo possível, pelo menos uma atençãozinha de “sua parte”. Ainda hoje tenho um que me devolveram e ainda bem porque já não se encontra à venda em lado nenhum. Há um disco de Mário Viegas, reeditado recentemente em CD, notável pela força do poema, reforçado pela declamação virtuosa e talentosa do actor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combatente da ditadura salazarista, anti-colonialista, Daniel Filipe foi cedo para Portugal onde estudou. Preso e torturado pela PIDE, regressa a Cabo Verde onde dirige jornais, morre precocemente, ignorado e esquecido por todos. “Pátria, Lugar de Exílio” é outra das suas obras poéticas de tomo que, de certa forma, me faz lembrar muito dos poemas de outro “espoliado de pátria”, Jorge de Sena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia estar a escrever sobre troikas e baldroikas mas preferi esforçar-me por me esquecer dos dislates constantes que todos nós vamos quase “catando” e rindo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez vos surpreenda este texto aparentemente descontextualizado, e acima de tudo as minhas desculpas a Geraldo Vandré por lhe ter “usurpado” o título de uma canção emblemática de contestação à ditadura dos generais, iniciada por Castelo Branco em 1964 no Brasil. “Vem, vamos embora/ Que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora/ Não espera acontecer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fernando Pereira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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/ Ágora/ Novo Jornal / Luanda/ 6-4-2011</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-op1w-9EJ5Lc/TcPvot1uK1I/AAAAAAAACIk/wi-xrDvpYHM/s1600/novojornal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="67" j8="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-op1w-9EJ5Lc/TcPvot1uK1I/AAAAAAAACIk/wi-xrDvpYHM/s320/novojornal.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Iy4QWL2zFP0/TcPveWKXCGI/AAAAAAAACIg/bXZgnSH_xrw/s1600/9789722045223_1302934568.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" j8="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-Iy4QWL2zFP0/TcPveWKXCGI/AAAAAAAACIg/bXZgnSH_xrw/s320/9789722045223_1302934568.jpg" width="210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Foi recentemente apresentado em Lisboa o livro de Tiago Moreira de Sá, “Os Estados Unidos e a descolonização de Angola”, editado pela D.Quixote, que irá certamente dar mais um contributo a um período da história do território que tem sido ao longo dos anos motivo de especulação e opiniões divergentes entre protagonistas, observadores e politólogos, um estatuto melhorado do comum “achólogo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já neste espaço em 2009 tive ocasião de comentar algumas passagens do livro “ Carlucci vs. Kissinger” (Dom Quixote,2008) em que o autor em colaboração com Bernardino Gomes, fez uma busca aos arquivos entretanto abertos pela administração americana à correspondência, memorandos e contactos que se encontravam classificados no departamento de Estado sobre os tempos da revolução portuguesa, da descolonização e consequente independência dos Países africanos de língua oficial portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que este “Os Estados Unidos e a descolonização de Angola” feita pelo doutorado em História Contemporânea, Tiago Moreira de Sá, passa por ser um complemento da outra obra, circunscrita apenas ao “dossier” Angola nos anos setenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repito-me quando digo que é excelente que jovens professores universitários, jornalistas ou outros eméritos investigadores de outras áreas, longe das paixões vividas ao tempo, distanciados das questiúnculas internas de Angola, fisicamente sem nunca terem conhecido o território, consigam fazer trabalhos que são indispensáveis para conhecermos realidades que vivemos e que julgávamos ter tido enquadramentos em que as nossas antigas certezas são abaladas pela actual teimosia dos factos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro que li num fôlego é um aturado trabalho de pesquisa não apenas dos documentos da correspondência epistolar, trocada entre vários intervenientes e o departamento de Estado Americano, mas também o recurso a outras obras, algumas já aqui comentadas, como a depoimentos de alguns intervenientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ressalta do muito que a obra contém é que a história oficial precisa de ser desmontada, e é de certa forma lastimável que certas personalidades envolvidas no processo de descolonização de Angola continuem a perpetuar discursos completamente distorcidos das suas próprias práticas ao tempo. Cito a título de exemplo entre outros, o caso de Almeida Santos, que na sua extensa obra “Quase Memórias” evidencia uma prática que os documentos colocados neste livro permitem ter outra leitura completamente divergente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro não é laudatório para ninguém ou nenhum movimento, nem era esse o objectivo, mas pode permitir que outros factos em Angola possam ser analisados de forma diversa, como por exemplo o enquadramento e as desinteligências entre cubanos e soviéticos em alguns períodos quentes da história contemporânea de Angola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Mobutu pensava de Holden, de Neto, Savimbi e Chipenda. Rosa Coutinho era o “homem dos americanos”, segundo informações do cônsul americano em Luanda. O alinhamento despudorado de Kaunda com Savimbi. A insistência de Almeida Santos em Savimbi para a presidência de Angola. A simpatia de Julius Nyerere pela UNITA e as suas tentativas para afastar Neto da presidência de Angola, tentando que Samora Machel o seguisse. A falta de interesse dos EUA em Angola. As razões pelas quais Mao não queria ligar-se a nenhum movimento que tivesse apoio sul-africano. As posições pró-Unita de Melo Antunes e a sua rápida mudança de tabuleiro. As razões da quebra de apoio à FNLA e à UNITA numa determinada fase. Tudo isto o livro aborda, ainda que ocasionalmente não de uma forma muita exaustiva, provavelmente por critérios que terão a ver com a necessidade de não transformar o livro num “tijolo” sensaborão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreende-me de certa forma a conclusão que o autor retira do conjunto de documentos, livros, depoimentos e alguma ajuda de certos intervenientes directos como Heitor Almendra, homem forte da conjuntura militar portuguesa em 74/75 em Angola, e que se tem remetido a prudente silencio. Tiago Moreira de Sá afirma categoricamente que a intervenção dos americanos numa primeira fase foi causada pela envolvência dos soviéticos e cubanos, destes pela “solidariedade internacionalista” sem terem consultado a URSS, e esta intervêm porque os chineses se posicionavam para criar tentáculos em África. Os sul-africanos e os zairenses eram trocos, em todo um esquema de intervenções pouco pensadas e afirmadas e perpetuadas no tempo por razões que nada tiveram no seu âmago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que é um livro essencial para dar novos conteúdos a outras realidades que julgávamos verosímeis, e pode ser mais um instrumento para novas discussões e outros trabalhos que valorizem o estudo da Angola contemporânea, que muito começa a dever a estes jovens investigadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30/4/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Uma “república” em Coimbra é uma casa de estudantes, gerida por períodos determinados de tempo por cada morador, o mor, em que todas as decisões são submetidas ao colectivo, e só daí sairá a decisão final. O “centenário” é nem mais nem menos que a data anual em que se comemora a fundação da república, e chama-se assim porque segundo reza a história, o espaço de vivencia é tão intenso que viver um ano numa república equivale a viver cem anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sinal o “centenário” da desaparecida república do “Kimbo dos Sobas” foi sempre o 4 de Fevereiro, o que deixava a vizinha PIDE sempre de incomodada e de atalaia. Aliás quero aproveitar para pedir a todos os muitos que por lá passaram, que não deixem de contribuir com histórias, depoimentos e fotos para um livro que está a ser preparado de forma a documentar uma das repúblicas marcantes na luta estudantil pela liberdade em Angola num tempo em que havia muitos estudantes angolanos em Coimbra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição das repúblicas de Coimbra era a de ter a porta aberta o ano inteiro, e quem quisesse podia entrar e servir-se. Sabendo que as dificuldades dos “republicos” eram enormes, havia alguma parcimónia dos visitantes na aceitação de convites para comer, embora para dormir não havia esse problema, já que outra das regras assentava na obrigatoriedade dos quartos estarem permanentemente disponíveis. Havia contudo os “vampiros” que se aproveitavam desta regra solidária de Coimbra e entravam nas repúblicas, esvaziavam as encolhidas e racionadas despensas deixando os “republicos” em muito maus lençóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consta-se que a canção de José Afonso, também um ex-republico, “Os Vampiros” foi feita para denunciar esses autênticos pilha-galinhas, que aterrorizavam as parcas despensas dos estudantes. Passou depois a ser um hino de resistência ao fascismo e ao colonialismo, e curiosamente uma das mais emblemáticas de um dos nomes maiores da canção popular e de intervenção na língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou reproduzir aqui uma história curiosa de um insigne angolano do Huambo que veio estudar medicina para Coimbra nos anos cinquenta. O recentemente falecido Freitas de Oliveira, que em determinada altura teve uma paixoneta por uma figueirense que tinha conhecido nas ferias de Verão. Freitas de Oliveira foi cirurgião e presidente do Mambroa durante muitos anos, militante da FNLA e posteriormente médico do Porto do Lobito nos anos 80. Queria ir à Figueira da Foz e disseram-lhe que havia um taxista pago pelo casino para levar dois jogadores de Coimbra todos os dias pelas 16h. O senhor João taxista, que tinha no seu cartão como outras profissões, afinador de pianos e agente de viagens para a Argentina, disse que só o levaria se o Roque pai e o Roque filho, a dupla de jogadores autorizassem. Aguardou e quando chegaram, com a duvida metódica dos jogadores, profundamente mesclada de superstição, começou um diálogo entre os dois em que não sabendo se quebrando esta rotina iriam ter uma noite de sorte ou azar. A determinada altura levaram o nosso F.O., num ambiente algo tenso. O F.O.ia com um distúrbio intestinal e quando chegaram aos arrozais de Montemor-o-Velho, ele disse que precisava de “evacuar”. Os “Roques” ficaram siderados, completamente desmoralizados perante as perspectivas de uma noite deplorável no jogo. A realidade é que tiveram uma noite memorável com os melhores ganhos na época do Casino. Fizeram questão de lhe pagar a ceia no cabaret “Lagosta Vermelha” e levaram-no à porta da sua”república”. No dia seguinte estava o táxi à sua porta com os Roques para o levarem de novo e ele grato pela boleia na expectativa de novo opíparo jantar. Quando chegou aos arrozais, abriram a porta e deram-lhe um rolo de papel higiénico recomendando-lhe que se esforçasse. A verdade é que a sorte não se repetiu e o F.O. nunca mais teve boleia, mas também não teve que defecar sem vontade. As teias enleadas das superstições do jogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando José Afonso, principalmente pelo génio que era, e porque nunca olvidarei o 25 de Abril de 1974 e a sua “Grandola Vila Morena”, acho que seria interessante escrever-se sobre a conturbada digressão de José Afonso, Fausto, Adriano Correia de Oliveira a Angola em 1975 com Ruy Mingas, Liceu Vieira Dias Beto Gourgel, Filipe Zau e outros, para lembrar o que foram tempos de intolerância, perseguição e ameaça física de tempos que queremos mesmo esquecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um bom trabalho e a homenagem de muitos a quem muito deu sem nada pedir em troca: Zeca!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23/4/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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É talvez porque nos queremos imaginar um povo feliz, que lidamos mal com a história, o que faz de nós uma sociedade distraída e de curta memória.&lt;br /&gt;Numa incursão pela minha desorganizada biblioteca fui encontrar um livro editado pela extinta Moraes, editora do esforçado Alçada Batista, “Angola, o longo caminho da Liberdade” saído do prelo em Novembro de 1975. O autor é Amadeu José de Freitas, ao tempo jornalista da RTP, depois de um percurso sóbrio e profissionalmente honesto no jornalismo desportivo quer como relator desportivo, quer como director do “Mundo Desportivo”, um tri semanário que saía à segunda, quarta e sexta, custava 10 tostões e rivalizava com a “Bola”, o “Record” e o “Norte Desportivo”.&lt;br /&gt;Este livro de Amadeu José de Freitas é uma raridade, mas para quem precisar de conhecer bem os tempos conturbados da fase anterior à independência de Angola tem aqui um excelente trabalho jornalístico, com detalhes que cruzados com afirmações posteriores permitem alterar opiniões sobre o que aconteceu de facto num tempo em que a serenidade era um achado. Amadeu José de Freitas encontrou-a para escrever fazer este trabalho de uma forma apaixonada, coerente com o rigor que punha em tudo que fazia.&lt;br /&gt;Lembro-me das tardes de domingo na Luanda colonial, num tempo em que ar condicionado era uma coisa rara que praticamente só os bancos tinham, ouvir das janelas abertas num rádio de som no máximo, as vozes de Nuno Braz, onde o Herman José foi buscar inspiração para o seu imorredoiro “José Estebes”, do Artur Agostinho, Romeu Correia, Fernando Correia e Amadeu José de Freitas. Havia ao tempo em Coimbra um relator desportivo que era um verdadeiro “doente” pela Académica, e isso custou-lhe o lugar quando num qualquer jogo berrava a plenos pulmões que tinha sido “golo da Académica” e no seguimento da jogada e com o mesmo timbre:”Porra, que não entrou”. Era o Manuel Gaspar que depois passou a “relatar” procissões com linguagem futebolística, o que acabava por ser delicioso de ouvir pelo caricato do “passam três meninos vestidos de anjo”, “ao fundo a primeira Nossa Senhora” e adiante…&lt;br /&gt;Falando de futebol cumpre-nos recordar um dos maiores futebolistas angolanos de sempre: Jacinto João (1944-2004). Filho de um saudoso empregado da cervejaria Portugália em Luanda, ali pertinho da Lelo, JJ começou a jogar à bola na rua nos musseques, entre casas de adobe e telhados de zinco. Estudou no Colégio dos Missionários de Luanda, e como não conseguiu representar o Colégio no campeonato de juniores de Luanda por só ter 14 anos, fundou o seu clube, o Brazaville.&lt;br /&gt;Aos 16 anos já jogava no Sport Congo e Benfica, e vem para Portugal prestar provas no Benfica, onde fica seis meses e depois de rejeitado por Bela Guttman regressa a Luanda, de onde sai para o Vitória de Setúbal depois de se ter negado vir para o FC Porto, Belenenses e Guimarães. Rapidamente se torna figura maior do Vitória de Setúbal, onde encontra os seus dois companheiros do Atlético de Luanda, os irmãos José Maria e Conceição, e entre vários treinadores o angolano Fernando Vaz e José Maia Pedroto.&lt;br /&gt;O Setúbal nesses anos vulgarizava equipas grandes de Portugal e da Europa e o Vitória fez nos anos 60 e 70 as suas melhores épocas de sempre, com o JJ como figura maior da equipa. Internacional dez vezes por Portugal num tempo em que a selecção pouco jogava, JJ tem hoje perpetuado no Estádio do Bonfim uma escultura que o homenageia como o maior jogador de sempre do clube. &lt;br /&gt;Eu que tive o privilégio de o ter visto jogar bastantes vezes posso dizer que a bola nos seus pés era uma delícia e não raras vezes os adversários puniam-no com faltas duras porque ficavam fartos de dançar ao som do seu toque de bola.&lt;br /&gt;O racismo no futebol em Portugal, como na Europa em geral era muito marcante e mesmo entre colegas de profissão. Fernando Peyroteu, de quem um dia falaremos com mais detalhe, no seu livro de “Memórias” relata a sua chegada ao Sporting em 1937: “eh pá! Já cá tínhamos um preto, agora vem outro só um pouco mais branco” e “Qualquer dia a equipa fica tão escura que só com um lampião a encontramos”. Estas piadas eram para o branco angolano, mas dirigidas a Paciência, avançado de centro negro, que provocou a indignação de um Peyroteu que detestava dichotes racistas.&lt;br /&gt;Até 1974 era comum o epíteto de “colored” quando se queria falar ou escrever de um negro no desporto ou noutra área onde sobressaísse, um pouco como hoje a expressão “de cor” muito usada em Portugal, o que prova que ainda há muitos esqueletos nos armários das mentalidades. &lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;17-4-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Era chamada em Luanda como a “casa dos malucos”, no antigo “Hospital da Caridade” instalada ao tempo numa zona arrabalde onde muitos dos doentes deambulavam pelas ruas, a maioria deles com diagnóstico de doença do sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Hospital da Caridade” era próximo do antigo aeródromo Emílio de Carvalho e perto da estação do comboio que cruzava a cidade duas vezes por dia em ambos os sentidos no percurso Bungo-Município-Cidade Alta- Hospital e Aeroporto. O comando central dos bombeiros de Luanda ocupa as salas de embarque do aeroporto, depois de terem sido deslocados da baixa onde o quartel foi transformado no antigo teatro Avenida no fim dos anos sessenta, hoje demolido por pressão do imobiliário reinante na nossa comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até ao dealbar dos anos 50 era habitual o tiro de canhão ao meio dia na fortaleza, um aviso sonoro do fim do período de trabalho da manhã que apesar de deixar perplexos os recém-chegados à cidade, nunca deixou de ser um dos poucos ex-líbris de uma cidade provinciana e atarracada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma cidade em que o único cinema era o pequenino Nacional, hoje espaço Verde do Chá de Caxinde onde nas paredes exteriores, nos camarins ou nos foyers se vão vendo muitas evocações às passagens de teatro clássico e de revista “importada” de Lisboa que muitas vezes devem ter encolhido o elenco de forma a caberem no pequeno palco para representar junto da sociedade reluzente da urbe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nessa altura o porto da cidade era nas “Portas do Mar”, no largo onde se encontra hoje a peanha vazia do Pedro Alexandrino da Cunha toda a cidade fervilhava em volta desse local onde estavam (e estão) os correios, a alfandega, o edifício das telecomunicações, a delegação do BNU e todas os grandes armazéns, barbearias, bares, botequins, comércio geral, farmácias e hotéis como por exemplo o demolido há décadas Hotel Colonial ao lado dos Correios, onde está hoje mais um edifício tipo palito disforme que nos exige cada vez mais resistência a tanta falta de gosto espelhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários armazéns perpetuaram-se e mantêm-se apesar de terem passado a monarquia, a 1ª república, a ditadura no período colonial e o arremedo de marxismo-leninismo, o capitalismo envergonhado e o ultra-liberalismo prevalecente dos anos em que somos Nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Armazens Caiado, Carrapa, Joaquim Valente, Catonhotonho, Travassos e Jorge, Mabílio Albuquerque, Setas, Bungo, ETA, Zuid, Diogo e Companhia entre muitos outros movimentaram a cidade num espaço junto do mercado do Caponte demolido para se construir inicialmente o “português-suave” Banco de Angola e mais tarde o BCA, actual BPC, que foi o orgulho dos luandenses durante décadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A actividade do porto pesqueiro, até ser mudado para o actual lugar em 1969, e todo aquele labirinto de casas que havia no que é hoje ocupado pelos prédios novos em redor do MIREX e pela praça Saidy Mingas era um lugar de grande convívio e de histórias que irei tentar contar para que não se percam, num tempo em que a cidade andava ao ritmo do comboio-bébé já pouco vivo na lembrança dos luandenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado pela companhia nessa cidade de mais terra encarnada que alcatrão. Às histórias dela havemos de voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11/4/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-h6jQPjOokLk/Tabn2MXoe0I/AAAAAAAACHo/q5VMKDVfUM8/s1600/49132_100000235996178_4309_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-h6jQPjOokLk/Tabn2MXoe0I/AAAAAAAACHo/q5VMKDVfUM8/s1600/49132_100000235996178_4309_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua hão-de vir para a rua ouvir ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua quando vierem para a rua ouvir o que se disse na rua já ninguém quer saber de vós para nada ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua a porta da rua é a serventia da casa ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua farto de ouvir falar de coisas que infestam a rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua perco a paciência com muitos que andam na rua para tentarem por na rua outros por quem não tenho paciência nenhuma de os lá ver e estou morto por vê-los na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua faço anos em Maio podem dar-me uma prenda mesmo que estejam para ir para a rua ou fiquem lá porque os não puseram na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua diz-se que o Futebol Clube do Porto é a melhor equipa do campeonato e é indiscutivelmente um campeão merecido ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua que o Presidente da Republica está silencioso porque talvez nem seja má ideia para não ter na rua mais um a dizer banalidades sobre como se há-de multiplicar os lucros do sistema bancário ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua numa altura que precisamos de um novo Dino Meira porque não merecemos a Amália ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua que ando esbaforido de tanto dizer mal de tanta coisa e tudo permanecendo piorando ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua que não tenho nada que andar a pagar juros sobre juros de uma dívida que tem sido aumentada sem que se perceba porquê ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua deixem-me ver televisão à vontade sem ouvir os tudólogos apoliptólogos politólogos achólogos e alem de tudo isso os tipos que discursam para os que falei falarem deles ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua politiqueiros são flatulência da politica ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua politica nada tem a ver com politiqueiros comissários e serventuários do sistema ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua ouçam o que se diz na rua PORQUE QUALQUER DIA ESTÂO TODOS NO OLHO DA RUA A OUVIREM O QUE SE DISSE NA RUA PORQUE NÂO QUISERAM OUVIR O QUE SE DIZIA NA RUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este pequeno texto é um devaneio da “Guidinha” do injustamente esquecido Luis Sttau Monteiro, que ao tempo escrevia na “Mosca” do Diário de Lisboa e posteriormente no “Jornal” .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9-4-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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No dia aprazado para a chegada, sob um calor intenso a fina-flor da sociedade do Lobito, um rancho folclórico do roupas minhotas composto por trabalhadores negros do Cassequel, uma banda, tudo a preceito para que a chegada antes do almoço fosse uma manifestação de grande enlevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas foram passando, a incomodidade das pessoas foi progredindo e as manchas nos sovacos aumentavam de diâmetro e quiçá mesmo a deixarem no ar um odor a que não eram alheias as pituitárias mais insensíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O navio presidencial vinha de Novo Redondo (Sumbe), mas os planos foram alterados entretanto e a comitiva veio por terra; Resultou daí que a comitiva deslocou-se logo para o Terminus e admito quão hilariante foi ver a correria de gente de fato a rigor, vestidos compridos, saltos dos sapatos a partirem-se o que levou a que nessa “maratona” alguns chegassem descalços, a maioria esbaforidos e quase todos num estado de desmazelo nada condizente com a “elevação” do evento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este prémio é também para a cidade e tem que ser partilhado com o Engenheiro Fernando Falcão, técnico que Francisco Castro Rodrigues nunca se esquece de mencionar quando a sua obra é elogiada, dizendo apenas que era impossível construir o que quer que fosse sem a colaboração do prestigiado cidadão do Lobito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje diluído no imenso amontoado de casas no monte sobranceiro à estrada entre o Lobito e a Catumbela, existe em ruínas um conjunto de casas para trabalhadores “indígenas” da Sociedade Agrícola do Cassequel, uma verdadeira montra do esforço feito pela açucareira na “promoção social dos trabalhadores”. Não há ninguém com mais de trinta anos que por ali tenha passado que não se lembre de as ver ao longe, e encontrá-las em inúmeras fotos e postais do local. Era um conjunto de 120 casas, pintadas de cor de rosa cobertas com colmo. Era uma verdadeira obra de “portugalidade”, tão ao gosto de Gilberto Freire e dos prosélitos do luso-tropicalismo. Quando para lá foram transferidos os trabalhadores, imediatamente começaram a arranjar casa de adobe junto a esse aldeamento e deixarem as casas que tão elogiadas eram, para preferirem viver nas suas casas com paredes de barro, telhado de colmo e terra vã no interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quase um sacrilégio quando os responsáveis da açucareira viram esta situação, o que deu azo a inúmeros dichotes racistas tipo: “os pretos não sabem viver em casas decentes”, “ali anda mão da Kuribeka” , “é para verem que cidades querem quando tivessem a independência”, e por aí fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade é que as casas eram construídas com blocos, numa exposição solar permanente, sem ventilação, com o chão cimentado, perto de pântanos e de plantações de cana do açúcar, tornavam essas bonitas habitações em verdadeiras frigideiras onde o calor e os mosquitos tornavam a sobrevivência impossível. Julgo que já terão desaparecido, porque na realidade pouco serviram mais que para tirar fotos ao longe durante décadas, tendo em conta que foram construídas no final dos anos trinta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este exemplo proliferou por Angola inteira em muitos lugares de norte a sul do País, com as obrigações decorrentes do “desenvolvimento social” do fim do Império colonial na sua transição maquilhada para “províncias ultramarinas”. Na verdade era recorrente colocar divãs com esteiras em habitações de construção definitiva, casas lúgubres, sem iluminação natural e permeável a um espaço de nidificação de insectos e repteis, tal a humidade e o calor que havia no interior dessas casas para “contratados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Lobito, que segundo Francisco Castro Rodrigues se chama Lubito por razões que já expliquei noutra crónica era a “Catumbela das ostras”, já que era o local privilegiado para a apanha das ostras, não só utilizadas para a alimentação, como a sua concha depois de moída foi durante anos um dos bons substitutos da cal no revestimento das casas da burguesia colonial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos mais conhecidos comerciantes de ostras foi o pai do José Aguas, campeão europeu de futebol pelo Benfica em 1960. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que se fala de grandes jogadores do Lobito e Catumbela não esqueçamos o sportinguista Fernando Peiroteu precocemente desaparecido, Santana, companheiro de Águas na vitória europeia de Benfica e depois ostracisado por questões políticas pelo clube, irmãos Couceiro que brilharam na Académica e Yaúca, em que a sua transferência para o Benfica foi paga pelas torres de iluminação do campo do Catumbela, que eram as do estádio do Campo Grande em Lisboa antecessor do antigo Estádio da Luz, enquanto campo de jogos do Sport Lisboa e Benfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Catumbela teve o primeiro campo iluminado da província de Benguela e a segunda do território à boleia da transferência do malogrado Yaúca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5/3/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Foi uma adaptação dos jardins dos Condes da Calheta, para que fosse um dos núcleos da Exposição do Mundo Português .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa exposição começou por ser o “Jardim Colonial”, uma antevisão do que seria a zona dos “Descobrimentos” no “Potugal dos Pequenitos” em Coimbra numa obra do arquiteto Cassiano Branco. Neste espaço construíram-se pavilhões onde ao tempo se faziam exposições de artesanato, colóquios, mostras de trajes e outras iniciativas que ocuparam continuadamente o espaço entre 23 de Junho e 2 de Dezembro de 1940. A maioria encontra-se encerrada, apesar de relativamente bem cuidadas, excepção para a grande estufa central, que já terá conhecido melhoras dias, apesar de guardar espécies interessantes da flora africana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi depois o Jardim do Ultramar, Tropical e finalmente Botânico Tropical, dependente do Instituto de Investigação Científica Tropical e é um espaço magnífico de Lisboa, paredes meias com o Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da Republica de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que as razões para voltar ao “Jardim Colonial” foi o facto de no Palácio dos Condes da Calheta, hoje propriedade do IICT, estar uma exposição interessantíssima chamada “Viagens e Missões Científicas nos Trópicos”, merecedora de uma visita detalhada, pois é uma viagem ao trabalho e ao estudo minucioso do que foram as missões ou as experiencias colectivas e individuais de cientistas, biólogos, geógrafos, tipógrafos, botânicos, ornitólogos, ou até vulgares diletantes no espaço colonial português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exposição é riquíssima não apenas no aspecto documental, mas também uma mostra muito bem organizada da multiplicidade de materiais utilizados por todas as expedições, desde as necessárias para definir fronteiras como as que assentaram nas prioridades económicas ou puramente académicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais importante a reter desta exposição é a alteração do seu contexto “ideológico”, pois deparamo-nos com a ausência dos panegíricos ao “mundo que os portugueses descobriram”, apenas uma homenagem aos valorosos homens e instituições que apenas tinha como móbil o factor científico dos seus trabalhos em circunstâncias particularmente difíceis. É uma avaliação muito subjectiva mas penso não ser alheio o facto dos autores dos módulos desta exposição serem jovens académicos despidos de alguns escolhos da mentalidade colonialista ainda perene nalguns sectores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o espólio de alguns ilustres cientistas, muitos deles apeados da toponímia luandense sem justificação plausível, e que aqui trarei em futuros artigos, achei interessante ver uma parte do espólio de José de Macedo, autor de um livro centenário sobre a política colonial denominado “Autonomia de Angola”, felizmente reeditado pelo IICT no ano passado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José de Macedo (1876-1948) foi um republicano, maçom, pedagogo, jornalista e defensor da liberdade dos povos das colónias, num período em que o racismo e a exploração dos povos coloniais eram matriz essencial da primeira metade do século passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José de Macedo, fortemente influenciado pelo positivismo de Proudhon, grande companheiro de Magalhães Lima, referência maior da maçonaria portuguesa e figura de proa do Republicanismo Português, foi preso várias vezes pela sua luta contra a Monarquia, muitas vezes através da contundência dos seus escritos na “Lucta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perseguido, embarca para Angola onde para além da sua actividade profissional de professor assume a direcção do jornal “A Defeza de Angola” (1903, segundo Julio Castro Lopo), e também aí é preso por ter gritado “Viva a Republica” num jantar no Hotel Areias onde fazia uma sessão com lojistas e funcionários em Angola. Fundou em Luanda o “Colégio Progresso”, fez vários percursos pelo interior do território donde resultaram livros importantíssimos para o estudo da sociedade angolana do virar do século e de enorme importância política e de apoio à etnologia e antropologia. Lutou pelo desenvolvimento e conhecimento da sociedade angolano e participou nas lutas cívicas anti-esclavagistas e favoráveis à alteração do controlo dos contratos de serviçais, que lhe granjearam um enorme respeito mas também muitos inimigos. Foi colaborador do Jornal de Benguela entre 1912 e 1919.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou um grande espólio que a família legou ao IICT, e talvez tenha chegado a hora de começarmos a conhecer em pormenor um homem que foi sendo sucessivamente esquecido na voragem das transformações políticas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renunciou a cargos e honrarias e o seu mote de vida pode ficar neste parágrafo retirado do seu livro “Etnografia e Economia”: “Luta um velho que quer dar exemplo aos novos, de constância no estudo e no sacrifício de seu nome humilde que vem lembrar aos jovens que nunca é tarde para exercer uma função e que até ao túmulo deve aparecer perante os outros a expor o fruto do seu trabalho e das suas vigílias”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30/3/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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É como passar um domingo em Benfica na esplanada Estrela Brilhante, com o chão cheio de tremoços e de detritos. Uns negros aleijados, arrastam-se a pedir esmolas, outros oferecem-me cinzeiros de madeira, objectos esculpidos, jornais, farrapos e miséria. Nunca pensei vir encontrar tanta pobreza, tanta porcaria, tanto calor. Uns sujeitos sebentos, de pasta, trocam escudos por angolares, com 12% a mais. Mas é tudo caro, tórrido e feio.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ontem um amigo daquele outro médico afinal conhecido, levou-nos a visitar a ilha, uma espécie de promontório com praias de um e outro lado, casas, um clube de golfe. Uma espécie de Rodésia vista por um mestre-de-obras de Tomar.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Luanda está longe de ser uma cidade vivível: toda ela é uma espécie de Areeiro de província, com o mesmo pretensioso gosto suburbano, e os brancos daqui têm todo o mesmo indefinível aspecto dos vendedores de automóveis daí, de patilhas sem classificação social, camisas transparentes, e mulheres tipo locutoras de rádio, demasiado bem vestidas para serem inteiramente honestas. Os musseques são uma espécie de bairro da Boavista ampliado, em que os moradores fossem todos jogadores do Benfica. Só a terra é que é vermelha, como a areia dos estádios, e as noites cheias de murmúrios de insectos e de folhas, mergulhadas num mormanço de suor.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que irrita é ver as revistas angolanas, de Luanda, cheias de fotografias de bailes e de festas e de eleições de misses, enquanto nós, que nada temos com eles, que pertencemos ao puto, como eles dizem com desprezo, estamos aqui a por os testículos no lume por eles. Não pormenorizo muito isto porque, mas os brancos locais, sobretudo os das cidades, são de um tipo de novo-riquismo saloio e soberbo, verdadeiramente insuportável. Luanda é horrível de mau gosto, uma terra onde eu nunca quereria viver, feia pretensiosa, sem categoria de espécie alguma. Sente-se o dinheiro por todo o lado, principalmente nos automóveis americanos,porque a maneira de vestir destes tipos é absolutamente execrável. Não merecem a terra extraordinária em que vivem, e, julgo, não a sabem, sequer, apreciar. Não há em Luanda absolutamente nada que preste: as poucas estátuas que tem, ultrapassam em mau gosto tudo o que se possa suportar, os edifícios são todos no género daquele em que mora o Souto, e que para mim representa o paradigma da fealdade. É uma excrecência absurda e estúpida. E estes tipos aqui acham Luanda um paraíso, uma espécie de Rodésia em melhor. Não nos agradecem o nosso sacrifício por eles, e, no fundo, tratam-nos com uma condescendência desdenhosa de brasileiros ricos. Que diferença de Lisboa. Não se pode viver numa cidade sem passado. Estes tipos são bem os descendentes dos degredados e está tudo dito.”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esta Ágora foi fácil de fazer, foi só copiar excertos do livro do português António de Lobo Antunes, “D’Este Viver Aqui Neste Papel Descripto”e é um conjunto de aerogramas publicados pelas filhas do escritor, e que fazem parte da correspondência trocada com Maria José Lobo Antunes no dealbar da década de 70.&lt;br /&gt;António Lobo Antunes foi médico militar na tropa colonial entre 1971 e 1973, e a fase inicial da sua extensa obra de romancista é um libelo extraordinário contra a política colonial portuguesa.&lt;br /&gt;Em jeito de balanço final, já que comecei a ser a partir de 15 de Março de 2011 mais um de “etnia africana”(???), não posso deixar passar incólume as ofensivas palavras de Cavaco Silva no 15 de Março de 1961, revelador que não são as datas que mudam mentalidades e convenhamos exige-se mais a quem escreveu o discurso apologético da “guerra do Ultramar” que o Presidente da Republica de Portugal leu e mal.&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;22-3-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Este grupo numa visão muito simplista da história política a ala mais à direita do corporativismo salazarista em que a maioria dos seus activistas foi perseguida, presa ou mandada para o degredo (Rolão Preto esteve em Angola nessa condição). A sua evolução no percurso salazarista levou-o a Comissário da Exposição Colonial no Porto em 1934, depois director da então Emissora Nacional, posteriormente governador da Huíla, incompatibilizando-se com Salazar no decurso da sua actividade parlamentar enquanto deputado por Angola em que verberou a política racial e desumana que os trabalhadores angolanos eram vítimas das autoridades administrativas e empresas  na então colónia.&lt;br /&gt; Na sequência de um relatório muito cáustico em relação à promiscuidade entre os poderes central e local, os angariadores ou negreiros e os comerciantes e grandes companhias coloniais foi detido, expulso do exército e preso com o argumento de conspiração. Consegue a fuga em 1959 de um sétimo andar do Hospital de Santa Maria em Lisboa, episódio rocambolesco de um homem que driblou sempre Salazar e seus sequazes. &lt;br /&gt; Influenciado por África, escreveu textos brilhantes sobre a fauna, a flora e a caça em Angola, autenticas pérolas literárias e ilustradas de uma pessoa de enorme ligação a um território imensamente rico e diversificado na sua natureza ainda imaculada. É uma pena que essa obra se encontre esgotadíssima, e quando aparece algum livro num alfarrabista é a preços perfeitamente proibitivos. &lt;br /&gt; A sua vasta obra literária, donde poderemos excluir os livros marcadamente políticos, encontra também peças de teatro, romances ou descrições das suas múltiplas viagens à Angola profunda e a sua grande sensibilidade para apreender a realidade de povos que a cultura citadina vai esquecendo, nalguns casos de forma aviltante. O “Kurika” tem sido frequentemente reeditado e encontra-se com facilidade, o que não acontece com o “Pele”, “Impala”, “Vagô”, “Outras Terras, Outras gentes” (Este sobre Moçambique) e outros, o que não permite ficar com a dimensão de um escritor que descreve a África com odores, matizes e sons em cada folha que vamos lendo.&lt;br /&gt; A propósito de Galvão vem-me à memória o Cunha alfarrabista que tinha o seu estaminé ao lado do “Frimatic” de um tal Ferrobilha Guedes. O Cunha era uma figura estranha para nós miúdos, tinha uma loja esquisita e ele próprio não nos gramava porque passávamos uma parte do muito tempo livre que tínhamos a chatear as pessoas e ele punha-se a jeito para a nossa irreverência pueril, talvez pelo seu físico, talvez por parecer taciturno, ou por qualquer outro motivo que me deslembro.&lt;br /&gt; Conheci-o mal pois as únicas vezes que entrei na sua desarrumada loja, como deve ser qualquer alfarrabista aos olhos dos visitantes, foi com um tio meu com quem ele conversava tempos que pareciam uma eternidade, já que eu estava ali apenas para ir numa missão de soberania ao Baleizão comer uma cassata.  &lt;br /&gt; Mais tarde senti a falta do que foi praticamente o único alfarrabista de Luanda, que terá morrido sozinho em 1967, a que a “Notícia” terá dedicado umas breves linhas. Os seus livros terão sido leiloados ou vendido ao desbarato porque o “Rei dos Frigoríficos” que tinha a oficina na antiga fábrica de sabão no sopé da fortaleza queria frigorificar a cidade e precisava do espaço do Cunha. Resta-nos homenagear o alfarrabista, o primeiro de todos a amar verdadeiramente o pó dos livros.&lt;br /&gt; Como diria Nietzche: “ Não podemos regressar ao antigo, já queimámos os nossos navios; só nos resta ser valentes, aconteça o que acontecer”&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;15-3-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Essa clandestina bancada era para um conjunto de “capitães da areia” um verdadeiro lugar de culto para toda a sorte de patifarias com que nos divertíamos nesses tempos em que nem se pensava que poderia vir a haver televisão no País e da internet nem se falava. Queríamos lá saber do Gomes,o meu amigo Manecas , Alves, Garrido, Benje, Carmona, Justino ou outros. Objectivamente o que queríamos era ver se conseguíamos a proeza de promover um brilhante basal de pancadaria entre os assistentes. A verdade é que à custa de atirar alguns torrões de terra vermelha e umas maçãs da Índia gamadas nuns quintais que havia no caminho, conseguimos assistir a deliciosas discussões, que não raras vezes acabavam em bulha e a solicitar a presença da Polícia Militar Colonial para apaziguar os ânimos. O nosso grupo saiu sempre incólume destas rixas pois aparentávamos ser meninos educados. &lt;br /&gt; Convém dizer que quando vinham clubes portugueses jogar aos Coqueiros, e os preços dos bilhetes eram proibitivos para ver jogos de sonâmbulos, já que normalmente eram no início da preparação do campeonato de Portugal, todos os clandestinos eram forçados a expedientes bem mais complicados, porque as autoridades coloniais enxameavam de polícias toda essa zona, não permitindo qualquer veleidade aos utilizadores habituais do terceiro anel dos Coqueiros, onde tinha lugar cativo.&lt;br /&gt; Uma das vezes que isso aconteceu manifestamo-nos contra o aparato policial que as forças coloniais nos impuseram nas barrocas, para nos impedir de ver um jogo entre as duas equipas de proa do regime, o Sporting de Portugal e o Benfica de Lisboa, manifestação que só deu resultado para conseguirmos ver a segunda parte quando o poderoso contingente de seis polícias e dois cães algo adormecidos se retiraram, depois de ordem superior. Na altura manifestávamo-nos por motivos algo pueris, mas também mais tarde ousei manifestar-me em circunstâncias que me deram gozo por motivos mais sérios, mesmo quando levava uns pequenos “moscardos”, porque na realidade nunca fui muito ousado para me chegar muito próximo das forças de repressão e tento afastar-me o suficiente para que elas não se chegassem a mim.&lt;br /&gt;Há uns tempos estava numa casa que tinha um parque de estacionamento para uma biblioteca pública que funcionava das 9 às 18h; fora desse período estacionava o carro já que não havia problema algum. Os vizinhos do prédio faziam o mesmo, e durante uns tempos não houve problema algum pois para além de sermos conscienciosos, e com medo da multa, todas as manhãs tirávamos o carro antes das nove horas.&lt;br /&gt; Aquilo tinha um portão de correr que estava sempre aberto, e o guarda avisou-nos várias vezes que não toleraria durante muito mais tempo a presença dos nossos carros, sem que nos desse uma explicação no mínimo aceitável para que não os colocássemos lá. Um dia consumou a ameaça e com tiques de títere resolveu fechar o portão perante a estupefacção de todos. Durante uns tempos lá vinha o guarda fechar o portão a rir-se para os poucos que sem querer olhavam para ele, até que houve um que se lembrou de comprar uma lata de tinta dos grafitteiros e escrever no portão branco imaculado: “O guarda-nocturno é corno”! &lt;br /&gt; No dia seguinte quando foi abrir o portão viu toda a gente a rir e partilhou o riso, mas quando se deparou com a realidade ficou possesso e pior ficou porque não podia fechar o portão senão apareceriam em letras garrafais a frase assassina.&lt;br /&gt; Nunca mais o portão foi fechado, apesar de o terem pintado de novo!&lt;br /&gt; Em jeito final recordo que no último dia do ano de 1972, na capela do Rato, em Lisboa, um grupo de católicos fez uma vigília contra a guerra colonial e a repressão que então se fez sentir sobre os clérigos presentes e os cidadãos ligados às juventudes católicas e ao GRAAL, serviu na perfeição os desígnios para aumentar a visibilidade interna e externa da falta de liberdade e da repressão em Portugal e nas colónias.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;7/03/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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Dizer pura e simplesmente que a política é uma treta e que quem está na política é para se encher, é um absurdo que aceite na sociedade de forma generalizada vai permitir o aparecimento e a aceitação de propostas messiânicas de contornos muito difusos, assentes em pessoas que dizem que nada tem a ver com a política e estão aqui com o objectivo apenas de servir, assim ao tipo de professores que mais tempo estiveram no poder, sem lá quererem ter estado e que nunca quiseram ser políticos (vide um exemplo mais remoto, Salazar e recentemente Cavaco Silva)&lt;br /&gt; Agustina Bessa Luis, a mais talentosa romancista portuguesa viva, diz que “Há nos portugueses uma sinceridade para com o imediato que desconcerta o panorama que transcende o imediato”, e de certa forma isso explica uma parte do que vamos assistindo no quotidiano social em acentuada degradação de Portugal, onde de há uns tempos a esta parte os banqueiros são as figuras de maior notoriedade na relação mediatizada com o poder, mau grado os exemplos dos casos BPP e BPN, e os outros que hão-de vir. &lt;br /&gt; O problema é que neste contexto em que se vive com a palavra “mercado” em contínuo no léxico dos políticos, politólogos, achólogos, comentólogos e por aí fora vamos assistindo ao continuado degradar dos actuais políticos que dão alguma razão a Tennesse Williams, na “Ultima Primavera” que diz “O que é talento senão a habilidade para conseguir alguma coisa”, e essa coisa é a perpetuação ou alcançar o poder a todo o custo.&lt;br /&gt; Posso parecer elitista, mas de facto os dirigentes do Estado degradam a sua imagem estando sempre a aparecer na comunicação social e a maioria das vezes a dizerem trivialidades ou incoerências em relação a discursos anteriores; é sempre melhor ser-se “desejado que tolerado”.&lt;br /&gt; Recentemente o PM José Sócrates esteve na Guarda pela terceira vez para visitar as obras do hospital, tendo estado também pela segunda vez em meio ano em pleno túnel do Marão.  Acho que o primeiro-ministro não deve andar a ver obras, isso é para os inspectores, deve resguardar-se para as inaugurar com toda a pompa e circunstância, porque este tipo de equipamentos são imprescindíveis para o bem-estar das populações e aí o PM sentirá a alegria do povo; aquele cenário de uma parede com tijolos onde José Sócrates falou aos jornalistas acabou por ser o corolário infeliz de um fim-de-semana que nada trouxe em abono de eventuais ganhos políticos do primeiro-ministro.&lt;br /&gt; Nestas visitas de vez em quando os políticos teem que perguntar alguma coisa, porque faz parte do protocolo e ao cicerone que normalmente gosta de falar de tudo, mesmo que a maior parte das coisas não interessem rigorosamente a ninguém, e pouco mais conseguem senão dar uma tremenda seca a quem está ali pouco mais que para ser visto e filmado.&lt;br /&gt; O eternizado putativo rei de Portugal faz uma visita a um hospital na região centro e pergunta a um médico que está de serviço no banco em pediatria: “Há aqui muito doente de baixa no seu serviço?”; pediatria S.M. é um serviço para crianças, que não teem direito a baixa! Com reis destes imaginem a qualidade do baralho!&lt;br /&gt;Fernando Pereira&lt;br /&gt;6-3-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img src="http://www.world66.com/community/mymaps/worldmap?visited=CUAOCVCGCDLYMAMZNGSTADATBEFRDEGIHUITNLPTROESSECHUKVA"&gt;&lt;br/&gt;
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